Novo futuro?

Novo futuro?

Que novo futuro é esse, senhor governador?

ROGéRIO COSTA ARANTES -    

Eu confesso pra vocês que depois do 20º mês consecutivo de parcelamento dos salários dos servidores no estado, e dessa vez com o terceiro menor depósito na conta dos trabalhadores desde que o governo começou a pedalar o salário dos seus funcionários, há mais ou menos dois anos, fica difícil acreditar na capacidade do governo de José Ivo Sartori em tirar o estado da crise.

E enquanto os servidores receberam menos de um salário mínimo nas contas e vivem com a promessa da quitação dos salários de julho só no dia 15 deste mês e com a certeza de que isso vai se repetir no fim do mês, o governador disse em Caxias na sexta-feira passada que vivemos um momento de travessia para um novo futuro.

E, diante disso, a pergunta se impõe: mas que futuro é esse, senhor governador?

Porque, para enfrentar a crise, o seu governo já aumentou impostos, ampliou os saques dos depósitos judiciais, reduziu investimentos, contingenciou recursos, acabou com autarquias, fundações e empresas de economia mista, antecipou o calendário do IPVA, vendeu a folha de pagamento dos servidores para o Banrisul e ainda pretende vender mais patrimônio público, e nada disso fez a situação melhorar.

Ao contrário, a primeira parcela paga do salário dos servidores neste mês diminuiu e quase igualou a terrível situação de dois anos atrás, e a perspectiva é que o Estado não vai ter como pagar a folha do mês de agosto, e que essa situação deve se repetir nos próximos meses, já que o déficit projetado para dezembro é de mais ou menos três bilhões e 500 milhões de reais.

Então, senhor governador, é impossível não perguntar: o que aconteceu? O que deu errado?

Para onde foi o dinheiro do aumento dos impostos? O que foi feito dos recursos da venda da folha para o Banrisul? Onde foram investidos os saques dos depósitos judiciais? Onde foi parar a grana dos créditos tributários da GM?

E, sem essas respostas, o pior de tudo isso é que, de novo e sempre, a única saída apontada pelo governo é a renegociação da dívida do estado com a União.

Uma renegociação que vai empurrar com a barriga o problema pra daqui a três anos, e vai aumentar o total da dívida em mais de 10 bilhões de reais.

E, sinceramente, se hoje sofremos com a malfadada renegociação da dívida feita lá atrás pelo governo Antonio Britto, parece que, daqui a dois ou três anos, estaremos lamentando a renegociação de Sartori.

Será esse o novo futuro que o seu governo nos indica, senhor governador?

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