Dissertação sobre roubos

Dissertação sobre roubos

Dissertação sobre roubos

Paulo Metri    10/04/2018

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Muitas pes­soas ficam es­tar­re­cidas, com razão, com o roubo no setor pú­blico. No en­tanto, existem roubos, tão ou mais es­tar­re­ce­dores, nunca de­nun­ci­ados pela mídia e, como con­sequência, não cons­ci­en­ti­zados pelo pú­blico. Tratam-se dos “roubos le­ga­li­zados”, por serem ins­ti­tuídos por lei.

Um pri­meiro exemplo dos “roubos le­ga­li­zados” é o ato de um go­ver­nante não tomar as pro­vi­dên­cias para poder cortar os juros da dí­vida e, em com­pen­sação, fazer cortes na edu­cação e na saúde, sig­ni­fi­cando um roubo no bem-estar so­cial. Mas, este go­ver­nante não está fa­zendo ne­nhuma ile­ga­li­dade. Chega-se, assim, à triste con­clusão de que o nosso ar­ca­bouço legal per­mite a to­mada de de­ci­sões an­tis­so­ciais. A po­pu­lação mais ca­rente é a que mais sofre com estes cortes.

Outro exemplo dos “roubos le­ga­li­zados” é o fato de que a classe rica paga menos tri­butos, per­cen­tu­al­mente, que a classe pobre, ca­rac­te­ri­zando um roubo aos menos afor­tu­nados.

O Con­gresso Na­ci­onal aprovou, re­cen­te­mente, o perdão da dí­vida dos ru­ra­listas. Se estas fossem pagas, mais re­cursos es­ta­riam dis­po­ní­veis para edu­cação e saúde. Enfim, este perdão de dí­vida re­pre­sentou um “roubo le­ga­li­zado” de verbas que be­ne­fi­ci­a­riam os mais ca­rentes.

Ainda na linha de po­deres que re­nun­ciam a re­ceitas ga­ran­tidas da so­ci­e­dade, o pre­si­dente da Re­pú­blica con­cedeu isen­ções tri­bu­tá­rias para as pe­tro­lí­feras es­tran­geiras to­ta­li­zando um tri­lhão de reais em 25 anos. Cer­ta­mente, o pro­duto deste “roubo le­ga­li­zado” fará muita falta para os pro­gramas so­ciais.

Desta forma, a mídia só di­vulga os “roubos fi­chi­nhas”, ba­si­ca­mente de ser­vi­dores do Es­tado de não tão alta hi­e­rar­quia, li­gados a po­lí­ticos. Estes roubos são também re­cri­mi­ná­veis, mas de grau de im­por­tância in­fe­rior. Os “roubos su­pe­ri­ores” são li­gados a fortes grupos econô­micos e po­lí­ticos, con­tro­la­dores da nossa mídia tra­di­ci­onal e, por isso, a so­ci­e­dade nunca é in­for­mada sobre eles.

Roubos como o que ocorreu na Pe­tro­bras sempre exis­tiram e exis­tirão com maior ou menor in­ten­si­dade, quer seja um go­verno de di­reita ou de es­querda. 

Os go­vernos devem tomar me­didas de pre­venção para estes roubos me­nores, que di­mi­nuirão a sua in­ten­si­dade, mas nunca serão ex­tintos por com­pleto. Por outro lado, deve-se buscar com­bater os “roubos su­pe­ri­ores”, com o má­ximo rigor, apesar da grande blin­dagem deles, pois os pre­juízos para a so­ci­e­dade são imensos.

Grupos econô­micos e po­lí­ticos, a mídia e uma ala cor­rom­pida do Es­tado, em cí­nica ironia, apro­veitam o forte apelo emo­ci­onal do com­bate à cor­rupção para eleger seus can­di­datos com dis­cursos an­ti­cor­rupção, sendo, a mai­oria deles, cor­ruptos. 

Em 1954, Ge­túlio era o pre­si­dente. Estas forças, en­ca­be­çadas por Carlos La­cerda, o acu­savam de forma im­pi­e­dosa de inundar a ad­mi­nis­tração pú­blica com um “mar de lama”. Quando, na re­a­li­dade, Ge­túlio com­batia os grandes roubos à nossa so­ci­e­dade, des­critos por ele pró­prio, em sua carta tes­ta­mento, na ci­tação às “aves de ra­pina”.

Em 1960, foi eleito como pre­si­dente Jânio Qua­dros com a pro­messa de “varrer a cor­rupção” da po­lí­tica na­ci­onal. Em 1989, Collor elegeu-se pre­si­dente com o dis­curso da “caça aos ma­rajás”, quando, tempos de­pois, ele veio a perder seu man­dato por cor­rupção. Este tema re­cor­rente serve, agora, para afastar Lula da po­lí­tica na­ci­onal, sem ne­nhuma prova que o vin­cule a algum roubo.

En­quanto isso, estas forças se pre­param para lançar can­di­datos a pre­si­dente que irão per­mitir os grandes roubos acon­te­cerem, como as pri­va­ti­za­ções da Ele­tro­bras, Pe­tro­bras, Banco do Brasil e Caixa Econô­mica, a venda de blocos do Pré-Sal por preços ir­ri­só­rios e vendas de fa­tias do pa­trimônio da Pe­tro­bras na bacia das almas, o que compõe também al­gumas das ações atuais do “roubo le­ga­li­zado”.

Fi­na­li­zando, notar que todos os que, para chegar ao poder, pro­metem limpar o “va­rejo da cor­rupção”, na re­a­li­dade, irão apoiar o “ata­cado da cor­rupção” e, além disso, eles não têm um pro­jeto de nação so­be­rana para o Brasil e não querem a in­clusão so­cial.

Blog do autor: http://​pau​lome​tri.​blo​gspo​t.​com.​br/ 

 

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