Sonhar é preciso

Sonhar é preciso

Bernardo Caprara        Sociólogo e Professor


Perto de completar mais uma volta na Terra, fico sonhando acordado. Desperto para ler Fernando Pessoa, na figura de Álvaro de Campos: “Não sou nada. Não serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

Venho sendo mais modesto. Há alguns anos, no meio da graduação, comentei com um colega, que já era professor: “meu sonho é dar aula num colégio estadual”. O rapaz sorriu amarelo, como se perguntando: “sério isso?!”.

Anos antes, meu sonho era ver o Internacional campeão. E, quem sabe, campeão dos campeões. Sonho sonhado por uma multidão, mas também pela futilidade de um jovem estudante. Sonho vivido de dentro, nas entranhas da catarse colorada.

Ainda muito antes, sonhei com várias pequenas coisas. Cultivar boas amizades, amar, viajar, ler discos e escutar livros, comer e beber bem. Também arrisquei ousar um pouco: sonhei em escrever diversas coisas, contar muitas histórias para diferentes públicos.

Sigo alimentando sonhos miúdos, utópicos, desacreditados pelas sociedades dominadas por valores de mercado. “Sonhinhos” que me fazem arregaçar as mangas e lutar para que eles, ao se realizarem (ou não), acabem dando lugar para novos rebentos "sonháticos".

O importante é não parar de sonhar. Seja com a igualdade e a liberdade para todos, com uma barraca e um café da manhã à beira da praia ou com uma sociedade feita de pessoas que gostem de ler, entendam o que leem e fomentem a leitura e a escrita.

 

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