As malas do Geddel

As malas do Geddel

As malas do Geddel, o amigo de Temer

 E foi assim, sem um resto de sol num oceano de trevas, que o Brasil afundou de vez na corrupção e conheceu a palavra Orcrim: organização criminosa. Tem a Orcrim da esquerda, com Lula, Dilma e seus ministros denunciados pelo procurador-geral da República, tem a Orcrim do centro e tem a Orcrim da direita, com PSDB e PMDB atolados em malas de dinheiro, a malinha de Rocha Loures, assessor de Michel Temer, as malas carregadas pelo primo de Aécio Neves e agora as oito malas e cinco caixas com mais de R$ 51 milhões de Geddel Vieira Lima, que foi ministro dos petistas e era homem de confiança de Temer. Se Antonio Palocci jogou a pá de cal no petismo, Geddel explicitou a moralidade do seu campo.

A imagens das malas do Geddel certamente estarão para sempre entre as mais emblemáticas de nossa época quando historiadores se debruçaram sobre o período em que soçobramos na podridão tão bem caracterizada por outra imagem, a do ex-governador do Rio de Janeiro, o peemedebista Sérgio Cabral, em uniforme de presidiário. Geddel e Romero Jucá participaram das manifestações contra a corrupção. Não faz muito, Geddel chorava declarando sua inocência. As malas do Geddel foram ofuscadas pelas novas gravações de Joesley Batista declarando seu interesse em corromper o Supremo Tribunal Federal e o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que tratou de botar a boca do mundo para não ser denunciado assim que deixar o cargo em 17 deste mês. Esperava-se a segunda denúncia de Janot contra Temer. Vieram as novas denúncias do PGR contra Lula e Dilma. É um alvo sempre mais promissor.

Michel Temer gostou de saber que seu algoz era alvo de Joesley, o empresário que afirma ter comprado meio mundo, sobrando inclusive para o próprio presidente alçado ao poder pelos bravos combatentes da roubalheira. Temer acredita que a suspeita que atinge o PGR o absolve das denúncias com provas que o afundaram numa planície de lama vista do Planalto como um simples obstáculo a ser contornado com cargos e dinheiro de emendas para deputados pragmáticos, aqueles mesmos que derrubaram Dilma em nome da moral e dos bons costumes. As malas de Geddel marcam um tempo histórico inesquecível. Há dois escândalos insuperáveis neste momento de tantas malas e males: Joesley Batista continuar livre e Michel Temer se manter na presidência do país.

O otimista pensa: 2018 está próximo. Teremos eleições e poderemos começar de novo. O pessimista reage: começar de novo? Com quem na presidência? Bolsonaro? Dória? Lula? Alckmin? O cenário é desalentador. Quem escapa da Lava Jato cai na demagogia, na tentação fascista, no trumpismo ou na vala comum do “todos corruptos”. As malas de Geddel assinalam o fim de tempo, não o fim dos tempos, sem que se saiba que novo tempo começará. Políticos de todas as Orcrins se organizam para sepultar a Lava Jato, que só tem um pecado: ser seletiva e um tanto deslumbrada por holofotes midiáticos.

Os procuradores e juízes adoram aparecer. Querem ser famosos. Mal menor.

As malas de Geddel gritam algo mais grave: depois de 40 operações da Lava Jato a roubalheira continua grande e sem constrangimentos. Eles não desistem. Cada qual como seu corrupto de estimação. Descoberto um golpe, os larápios inventam outro. Se precisar, choram em público enquanto roubam do público. O homem comum só pode dizer isto: “Que cambada de safados!”

Eu fui profético. A posteridade me reconhecerá.

 

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2017/09/10207/as-malas-do-geddel-o-amigo-de-temer/ 




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