O Futuro não se Negocia
O Futuro não se Negocia
A defesa da escola pública é apresentada como compromisso essencial com o futuro das novas gerações e da sociedade gaúcha.
Em Defesa da Escola Pública Gaúcha | Por Jairo Bolter
A defesa da escola pública é apresentada como compromisso essencial com o futuro das novas gerações e da sociedade gaúcha.
Última edição em julho 17, 2026
A educação é o alicerce fundamental de qualquer sociedade que almeja o verdadeiro desenvolvimento e, por isso, sua gestão deve ser tratada como um compromisso inegociável do Estado, não como oportunidade de lucro para o mercado. Ao observarmos a realidade do Rio Grande do Sul, percebemos com preocupação uma tendência neoliberal que, ao tentar reduzir o papel estatal, precariza os serviços públicos e submete o ensino a uma lógica perversa de mercadoria. O caso mais emblemático desse processo é a tentativa de privatização de 98 escolas estaduais via Bolsa de Valores de São Paulo, decisão que confessa a incapacidade de gestão do próprio Estado ao transferir ao mercado a responsabilidade sobre problemas que são, por essência, públicos.
O mercado, por definição, jamais terá compromisso com o bem-estar social ou com o desenvolvimento de uma comunidade se o lucro não estiver no centro da equação. A história recente nos alerta sobre os perigos desse modelo; observamos serviços de saúde entregues à gestão privada que, operando sob uma lógica contábil, ignoraram o atendimento humanizado e transformaram instituições que eram motivo de orgulho em estruturas precárias. O equívoco fundamental dos neoliberais é acreditar que o Estado deve operar como uma empresa, buscando eficiência sem grandes investimentos, esquecendo que o desenvolvimento de uma nação exige investimento contínuo e massivo em seu capital humano.
Sem o aporte estatal, não há educação de qualidade e o desenvolvimento torna-se uma meta inalcançável. É fundamental ressaltar que os pilares dessa agenda neoliberal já foram superados pela história, visto que não existem exemplos de países bem-sucedidos que tenham prosperado entregando a administração de suas escolas à iniciativa privada. Pelo contrário, nações como Coreia do Sul, Singapura, Finlândia, Estônia, Suécia e China alçaram voos de desenvolvimento justamente pela coragem de investir pesado no Estado, na ciência e na educação, mantendo o controle público sobre o ensino.
Diante desse cenário, a sociedade gaúcha precisa se somar, com urgência, à luta dos educadores públicos em defesa da valorização da educação. Não podemos permitir que o futuro das nossas crianças seja negociado em pregões na bolsa de valores, ignorando que o ambiente escolar deve ser um espaço de integração, cuidado e proteção, e não uma mercadoria submetida à volatilidade financeira.
Sem valorizarmos a qualificação dos profissionais da educação e investirmos na construção de educandários fortes, autônomos e públicos, jamais alcançaremos o patamar de nação que almejamos. A valorização docente é o pilar que sustenta o progresso social e econômico de qualquer região que deseja deixar de ser refém do subdesenvolvimento.
Defender a escola pública é, portanto, defender a nossa própria sobrevivência enquanto sociedade consciente, cuidada e protegida. A educação não é mercadoria; ela é a nossa maior façanha e o único caminho possível para um Rio Grande do Sul soberano, desenvolvido e capaz de oferecer dignidade às futuras gerações.
FONTE:




