A Carreta da Tomografia

*A CARRETA CHEGOU. MAS CAXIAS ESTAVA PREPARADA PARA RECEBÊ-LA?*
Por Professor Dal Zotto
A notícia merece uma explicação pública.
A Carreta da Tomografia do Ministério da Saúde chegou a Caxias do Sul para ajudar a reduzir a espera por exames.
Uma excelente iniciativa.
Estava prevista para permanecer aproximadamente 30 dias em nossa cidade.
- Chegou no final de agosto.
- Passou por ajustes.
- Passou por vistorias.
Mudou do local inicialmente previsto na CIC para os Pavilhões da Festa da Uva.
- Começou a atender.
- E praticamente parou.
- O motivo?
Problemas na infraestrutura necessária para garantir energia adequada e estável ao equipamento.
Agora a carreta deverá seguir para Farroupilha, onde permanecerá por dois meses, e os pacientes caxienses deverão realizar seus exames lá.
Não queremos procurar culpados.
Queremos respostas.
Por isso perguntamos respeitosamente ao prefeito Adiló Didomenico, ao vice-prefeito e ao secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno:
*A chegada da carreta foi uma surpresa?*
Porque certamente uma estrutura desse porte não aparece numa cidade de quase meio milhão de habitantes tocando a campainha e perguntando:
*”Tem uma tomada aí?”*
- Se sua chegada estava programada, quem ficou responsável por verificar previamente todas as exigências técnicas para seu funcionamento?
- Se houve vistoria antes da liberação dos atendimentos, como a capacidade e a estabilidade da alimentação elétrica não foram solucionadas definitivamente antes do primeiro paciente ser chamado?
- Por que escolher os Pavilhões da Festa da Uva sabendo que havia eventos programados para setembro e que o gerador disponível poderia ser necessário para outras atividades?
- Foi elaborado algum checklist técnico formal entre Prefeitura, Ministério da Saúde, operador da carreta e Festa da Uva S/A?
- Quem assinou a liberação da estrutura?
- Qual seria o custo para alugar um gerador adequado durante os 30 dias?
E, principalmente:
esse custo seria maior do que deslocar pacientes de Caxias do Sul até Farroupilha?
Porque existe uma conta que raramente aparece na administração pública.
- É a conta do cidadão.
- É combustível.
- É transporte.
- É acompanhante.
- É ausência no trabalho.
- É tempo.
- É desconforto.
E, neste caso, estamos falando de pessoas que precisam realizar exames médicos.
A questão não é se Farroupilha possui condições de receber a carreta. Esperamos que possua e desejamos que os exames sejam realizados normalmente.
A questão é outra:
por que Caxias do Sul aparentemente não conseguiu oferecer previamente todas as condições necessárias para manter aqui uma estrutura que já estava programada para permanecer 30 dias?
Não estamos acusando ninguém.
Estamos perguntando.
E existe uma última pergunta que talvez seja a mais simples de todas:
Senhor prefeito, senhor vice-prefeito e senhor secretário da Saúde: o que exatamente falhou no planejamento?
Porque quando uma carreta de tomografia chega a uma cidade como Caxias do Sul e precisa ir embora praticamente depois de começar a trabalhar, a população merece algo melhor do que explicações genéricas.
Merece saber quem planejou, o que foi planejado e por que o planejamento não funcionou.




