A Espanha ganhou, anulou Messi

A Espanha ganhou, anulou Messi

 

 

A Espanha ganhou. Anulou a arte de Messi com um futebol competente, pragmático e sem grandes arroubos de beleza.Até Yamal foi discreto. Prevaleceu a memória do tic-tac, com 70 e tantos por cento de posse de bola dos espanhóis.Foi assim também contra a França.A Espanha transformou a Argentina num touro ferido e cansado. E venceu, sem discussão.Ainda assim tem gente que escolhe o país que vai torcer com base em qual seria mais ou menos racista.Não faz sentido, segundo um artigo da professora L98ia Vainer, que reproduzo abaixo.

"A Espanha criou os estatutos de pureza de sangue, perseguiu judeus e árabes, participou do extermínio indígena nas Américas e ainda convive com uma xenofobia brutal contra imigrantes.

A Inglaterra colonizou e saqueou territórios em diferentes continentes, expropriou ouro e minérios e teve papel central no tráfego transatlântico de pessoas escravizadas.

A França colonizou boa parte da África e mantém até hoje territórios ultramarinos profundamente desiguais, na Argélia, sustentou uma ocupação colonial marcada por massacres e uma guerra sangrenta contra a independência. Durante a 2°Guerra, o Governo de Vichy colaborou com a deportação de judeus para os campos nazistas. E o país segue com islamofobia, racismo antinegro, antissemitismo e xenofobia.

A Argentina construiu sua identidade nacional apagando e exterminando populações indígenas e negras. Suas torcidas protagonizam manifestações explicitamente racistas contra jogadores negros e outros povos latino-americanos. E, atualmente, vive sob o governo de extrema direita de Javier Milei, marcado por ataques aos movimentos feministas, à população LGBTQIA+, aos imigrantes, aos direitos sociais e às instituições democráticas: uma política com claros traços autoritários e fascistizantes. E, evidentemente, há muito mais a dizer sobre cada um desses países.

Esses são apenas os exemplos mais rápidos que me vem à cabeça. Portanto, ninguém aí tem a autoridade moral pra posar de exemplo antirracista. Todos carregam histórias de colonialismo, racismo e violência que continuam produzindo efeitos no presente. Torça pra quem vc gostar e esqueça essa tentativa de encontrar uma Nação moralmente pura. No futebol e na história, ninguém aí tem o telhado inteiro."

Lia Vainer

Doutora em Psicologia Social e professora do Departamento de Psicologia da UFSC

FONTE:

https://www.facebook.com/eduardo.machado.9026040?locale=pt_BR 

 

 

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DISCRIMINAÇÃO NO LIMITE DO EXTERMÍNIO...

Você Sabia? A Argentina tem uma das menores proporções de população negra da América do Sul. Segundo o censo mais recente do INDEC, pessoas que se identificam como afrodescendentes representam cerca de 0,7% da população, o equivalente a aproximadamente 300 mil pessoas.

Esse número é resultado de um longo processo histórico que incluiu guerras, epidemias, miscigenação e, principalmente, uma política estatal de incentivo à imigração europeia entre o fim do século XIX e o início do século XX.

Conhecida por muitos historiadores como política de "embranquecimento", essa estratégia buscava aumentar a população de origem europeia e reforçar a ideia de uma Argentina predominantemente branca.

Embora a população afro-argentina nunca tenha desaparecido, sua presença foi historicamente invisibilizada e hoje faz parte da diversidade étnica e cultural do país."Charles Brown 

 

 

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