A esperança escondida

A esperança escondida

A esperança não mora escondida

Roberto Antonio Deitos           06/01/2018

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“Um pouco mais

E dor­mirão apa­zi­guadas
As mul­ti­dões
Que hoje trans­bordam
Seu ala­rido de ale­gria,
Seu imenso clamor, sua agonia,
Sua sô­frega ur­gência de viver.”
(HE­LENA KO­LODY, Mul­ti­dões, 1980)


1. GRITOS

A vida
Numa
Con­jura
Na dura
Tra­vessia
Da rua
So­bressai 
O grito
Das agruras.

Vem vida
Me en­contra
Ali na 
Es­quina...
Vamos con­versar
Um pouco
Sobre coisas
Pas­sa­geiras
Para es­quecer
O peso da dura
Luta
Que a 
Es­pe­rança
La­te­jando 
Na minha
Alma
Pro­mete
Para o amanhã...

2. NÁU­SEAS

Re­tor­cido no meu
Tronco se­guro
Os nós na gar­ganta
Re­pulsa que se move.

Re­tor­cido no meu
Tronco ca­minho
Entre des­tem­pe­rados
Su­jeitos ofen­sivos
En­tra­nhados em suas 
Ca­na­lhices tem­po­rais.

Re­tor­cido no meu
Tronco re­vejo
Mi­nhas po­si­ções
Fir­mando mi­nhas
Con­tra­di­ções me 
Com­primo entre
Os polos que 
Querem me oprimir,
E pro­cu­rando um
Vão para sair
Vis­lumbro o ca­minho
Dis­tan­ciado deles.

Re­tor­cido no meu
Tronco con­torno
As náu­seas
Di­ge­rindo nas en­tra­nhas
O so­luço que guarda
A raiva,
A amar­gura que
Per­turba a alma
E o gosto amargo
Da tris­teza...
Ao ver que a
Vida não é o asco
Dos que só sabem
Pro­mover náu­seas
Como fonte
Que nasce de suas
En­tra­nhas mo­ri­bundas.

Re­tor­cido no meu
Tronco me
Li­berto de mi­nhas
Náu­seas porque
Elas não são mi­nhas,
Elas são as mi­sé­rias
Hu­manas que 
Eu não as aceito,
Porque não foram
Cri­adas em mi­nhas
En­tra­nhas! 

3. HU­MA­NI­DADE

É pre­ciso cuidar da vida
É pre­ciso cuidar da na­tu­reza
É pre­ciso ser contra a guerra
É pre­ciso lutar contra a mi­séria
É pre­ciso res­pirar a li­ber­dade
É pre­ciso en­frentar a in­jus­tiça
É pre­ciso in­dig­nação contra a ex­plo­ração
É pre­ciso lutar hoje
Para o amanhã nascer.

É pre­ciso porque se a es­pera de­morar
Pode ser que não seja mais pre­ciso
A noite chegar...
Do amanhã que não virá...
Se­ríamos aban­do­nados pelas es­trelas
E a vida seria lan­çada numa
Es­cu­ridão sem fim...
É pre­ciso hu­ma­nizar
A hu­ma­ni­dade.

4. CA­MI­NHADA
 
Não vejo
Que es­tamos
Pa­rados
Na ca­mi­nhada
Que ainda
Não fi­zemos;
Mesmo que haja
Tre­chos in­ter­di­tados
O ca­minho es­pera
Por todos nós,
Porque a es­pe­rança
Não mora es­con­dida;
Mora no mais ín­timo
Da nossa alma
E nin­guém pode
Roubá-la,
A não ser
Nós mesmos!

Ro­berto An­tonio Deitos é poeta e pro­fessor da Uni­ver­si­dade Es­ta­dual do Oeste do Pa­raná – UNI­O­ESTE.

http://www.correiocidadania.com.br/2-uncategorised/13029-a-esperanca-nao-mora-escondida

 




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