A estratégia conduzida

A estratégia conduzida

 

 

E por quê? Qual a intenção disso?

A estratégia conduzida por Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher aposta na ampliação da presença de mulheres conservadoras e evangélicas em cargos legislativos, especialmente aquelas capazes de dialogar com eleitoras também religiosas. O fortalecimento dessas candidaturas tem sido apresentado pelo próprio partido como uma prioridade eleitoral, e Michelle se consolidou como uma a principal articuladora desse segmento.

Eu sempre falei aqui que não subestimassem essa mulher, porque o papel dela dentro de uma gigantesca estrutura de tomada de poder pelo plano de dominação evangélico é fundamental.

Mulheres evangélicas, em maioria negras e periféricas estão sendo instrumentalizadas como recurso essencial pra isso e a artimanha é o apelo à representatividade...

Lembrando que representatividade, por si só, não é sinônimo de emancipação. Uma mulher ocupar um espaço de poder não significa automaticamente que esse espaço passará a defender os interesses das mulheres coletivamente. Essa é uma crítica desenvolvida por pensadoras como Simone de Beauvoir, bell hooks, Angela Davis, Silvia Federici e Nancy Fraser. Entendamos que gênero, isoladamente, não garante um projeto político comprometido com igualdade, autonomia ou justiça social.

Ou seja, os senhores do poder evangélico deste país, através de Michelle Bolsonaro e suas colaboradoras, estão armando uma perversa armadilha...

E não pensem que é só pras mulheres!

O patriarcado aprendeu há muito tempo que não precisa ser defendido apenas por homens. Ele funciona melhor ainda sendo reproduzido por mulheres que legitimam estruturas patriarcais em nome da tradição, da família, da religião ou da "ordem moral"...

A existência dessas lideranças não enfraquece o patriarcado e sim fortalece sua manutenção.

É justamente aí que reside a principal preocupação que deve sim fazer parte das nossas reflexões...

Uma liderança feminina religiosa, carismática, está mobilizando milhares de mulheres a fim de ocupar Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado defendendo uma agenda explicitamente confessional ~fundamentalista cristã~ e diante disso meus amigos e amigas, o foco deixou de ser apenas a Presidência da República...

O fato de Flávio estar todo cagado, não significa a derrota do bolsonarismo...

O plano B parece ser o protagonista então!

O objetivo principal parece ser construir maioria institucional capaz de influenciar leis, comissões, educação, direitos reprodutivos, políticas de gênero e a própria interpretação do princípio constitucional do Estado laico!

É terrível.

Terrivelmente evangélico, significa isso aí e muito mais.

Lembram quando eu batia insistentemente na tecla da Teologia do Domínio? O projeto evangélico made in USA que objetiva ampliar a influência cristã sobre as principais esferas da vida pública, incluindo política, Judiciário, educação e cultura? Pois é.

Vai de vento em pôpa!

E mesmo que nem toda liderança evangélica compartilhe dessa perspectiva, os que compartilham SÃO MAIORIA INDISCUTÍVEL.

Sob essa leitura, Michelle Bolsonaro se revelou a organizadora de uma nova geração de parlamentares cuja identidade religiosa funciona como o instrumento de coesão política dos sonhos de qualquer projeto político mal intencionado...

Nesse cenário, Valdemar Costa Neto com o PL oferece a estrutura partidária necessária.

E estrutura forte, com recursos pra tanto.

Hoje, qualquer mulher com um pingo de sensatez deve se perguntar: quem se beneficia quando mulheres são incentivadas a ocupar espaços de poder para defender agendas que restringem direitos de outras mulheres?

Essa pergunta não desqualifica mulheres cristãs nem mulheres conservadoras, nada disso. Ela apenas convida a analisar projetos políticos concretos e seus efeitos. A presença de mulheres na política pode fortalecer a democracia quando amplia direitos e pluralidade, mas, também pode servir a estratégias partidárias voltadas a consolidar determinadas agendas religiosas e conservadoras que claramente pretendem manter mulheres cada dia mais fragilizadas e dependentes porque é assim que os projetos de extrema-direita historicamente agem. Avaliar esse processo exige olhar pras propostas, práticas e impactos institucionais, pro histórico de atuação política das candidatas, observando se realmente há ali trabalho efetivo em prol da autonomia feminina e não apenas pra identidade religiosa de quem ocupa ou ocupará algum cargo político.

É comum que as direitas se apossem de pautas de esquerda na intenção de desmontá-las, inicialmente desqualificando seu propósito. É exatamente o que representa Michelle Bolsonaro, um escárnio às lutas feministas.

ABRAM O OLHO!!!

Se concordarem com o que está dito nesse post, espalhem!

O plano de poder evangélico é letal pra saúde de qualquer democracia e a nossa já é bem fragilizada.

Espero que compreendam o tamanho do problema.

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Gi Stadnicki

FONTE:

https://www.facebook.com/giovanna.stadnicki?locale=pt_BR 




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