A Marcha para Jesus

A Marcha para Jesus

Andre Luiz Thiago

Ontem eu estava analisando a Marcha para Jesus e uma coisa me chamou atenção: a quantidade de políticos que aparecem nesses eventos religiosos apenas quando enxergam alguma vantagem eleitoral. São os famosos "papagaios de pirata", sempre procurando um espaço ao lado de pastores, líderes religiosos e multidões para aparecer em fotografias e vídeos. Fora dos períodos eleitorais, muitos deles sequer demonstram interesse pelas igrejas, pelos fiéis ou pelas dificuldades enfrentadas pelas comunidades religiosas. Mas basta a aproximação de uma campanha política para surgirem repentinamente como defensores da fé, da moral e dos valores cristãos.

O problema não está em um político frequentar uma igreja. Todo cidadão tem esse direito. O problema está na hipocrisia de quem transforma a fé em estratégia de marketing e o templo em palco eleitoral. Mais grave ainda é perceber que muitas pessoas não analisam essa situação com profundidade. Aceitam discursos prontos, frases de efeito e aparições calculadas sem questionar se existe sinceridade por trás daquele comportamento.

A Bíblia ensina que o cristão deve buscar sabedoria, discernimento e entendimento. Ler as Escrituras não significa apenas decorar versículos; significa compreender suas mensagens e aplicá-las à realidade. Uma fé sem reflexão se torna vulnerável à manipulação. Quando alguém utiliza o nome de Deus para alcançar objetivos pessoais, cabe ao cristão analisar, questionar e discernir.

Um dos episódios mais conhecidos do Evangelho mostra exatamente isso. Quando Jesus entrou no templo e encontrou pessoas transformando a casa de Deus em um local de interesses particulares e comercialização da fé, Ele não as recebeu com aplausos. Não as acolheu como exemplo. Não fingiu que nada estava acontecendo.

Pelo contrário: expulsou os mercadores do templo porque compreendia que aquilo era uma profanação daquilo que deveria ser sagrado.

A reflexão que fica é simples e direta. Se Jesus não aceitou que interesses humanos utilizassem a fé como instrumento de lucro e benefício próprio, por que tantos aceitam que a fé seja utilizada como instrumento de conquista política? Se o templo é um lugar de adoração, ele não deveria se transformar em palco para oportunistas que aparecem apenas quando precisam de votos.

Talvez esteja faltando aos cristãos modernos aquilo que a própria Bíblia ensina: discernimento. Nem todo aquele que fala de Deus está comprometido com Deus. Nem todo aquele que sobe em um púlpito está defendendo a fé. E nem todo aquele que aparece em eventos religiosos está preocupado com os valores que diz representar.

A verdadeira fé exige consciência, análise e coragem para separar convicção de conveniência. Porque a religião não deve servir aos interesses da política. A política é que deveria servir aos interesses legítimos da sociedade. Quando essa ordem é invertida, a fé corre o risco de ser transformada em ferramenta de manipulação, e os fiéis em simples eleitores a serem conquistados.

Quem acredita de verdade não deveria entregar sua confiança apenas a palavras bonitas. Deveria observar atitudes, coerência, histórico e caráter. Afinal, a fé é algo sagrado demais para ser usada como propaganda, e
Deus não precisa de cabos eleitorais disfarçados de defensores da religião.

Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.

FONTE:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100002807573028&locale=pt_BR 

 

 

Já se sentiu alienado hoje?

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