Artimanha canalha

Artimanha canalha

 

 

MUITA HORA NESSA CALMA!

(A ARTIMANHA CANALHA DO BOLSONARISMO)...

A provocação como arma eleitoral**

A extrema direita brasileira aprendeu há muito tempo que, na política das redes sociais, não basta defender ideias. É preciso provocar uma reação, filmá-la, recortar o vídeo e transformar o provocador em vítima.

A fórmula é simples, eficiente e desonesta.

Um dos cenários preferidos são as universidades. Jovens ligados a essa corrente ideológica entram nesses espaços cercados por seguranças, câmeras e celulares. Não vão para dialogar, ouvir ou confrontar ideias honestamente. Vão para “lacrar”.

Fazem declarações preconceituosas, lançam acusações, insultam estudantes e elevam deliberadamente o tom.

A provocação é calculada para produzir aquilo que realmente desejam: uma reação.

E, lamentavelmente, muitas vezes conseguem.

Um estudante perde a paciência, alguém tenta expulsá-los, surge uma discussão mais agressiva ou acontece algum empurrão. Pronto. A armadilha está completa.

O que aconteceu antes desaparece da edição. Os insultos são cortados, as provocações ficam fora do vídeo e sobra apenas a imagem conveniente: “A esquerda intolerante atacou um jovem conservador dentro da universidade”.

O provocador transforma-se em vítima. A vítima real passa a ser apresentada como agressora. O vídeo circula, os seguidores se indignam e o algoritmo entrega o engajamento desejado.

A mesma estratégia aparece em manifestações de trabalhadores, atos sindicais e movimentos sociais. O militante da extrema direita entra num ambiente político adversário, provoca, insulta, aponta a câmera para os rostos e espera. Ele não está ali procurando respostas. Está caçando uma reação.

Mais cedo ou mais tarde, alguém cai na armadilha.

É importante entender que não se trata apenas de uma atitude individual ou de falta de educação. É um método de comunicação política. A provocação produz conflito; o conflito produz imagens; as imagens geram engajamento; e o engajamento alimenta a narrativa eleitoral.

Não precisam convencer ninguém por meio de argumentos. Precisam apenas criar uma cena forte o suficiente para circular nas redes.

O roteiro quase sempre é o mesmo: chegam protegidos, provocam quem está exposto e, quando finalmente recebem a reação que procuravam, gritam que foram perseguidos. Levam a faca, o queijo, os seguranças e as câmeras. Aos adversários deixam apenas a indignação — justamente a matéria-prima de que necessitam.

Com a proximidade das eleições, essa estratégia tende a se intensificar. Universidades, manifestações, sindicatos e eventos públicos serão tratados como palcos para a fabricação de conflitos. Cada reação impensada poderá virar um vídeo fora de contexto, uma campanha de vitimização e milhares de compartilhamentos.

O campo democrático precisará demonstrar maturidade para não cair nessas artimanhas. Isso não significa aceitar calado o preconceito, a mentira ou o insulto. Significa responder politicamente, documentar toda a provocação, desmontar a encenação e evitar que uma reação física entregue ao provocador exatamente a imagem que ele foi buscar.

Confesso: não é uma tarefa fácil. Manter a serenidade diante de quem deliberadamente tenta ferir, humilhar e insultar exige um autocontrole quase sobre-humano.

Mas será necessário compreender que, diante de uma câmera provocadora, a raiva pode ser legítima e, ainda assim, politicamente desastrosa.

A extrema direita conhece muito bem essa fraqueza. Sua provocação não busca debate: busca espetáculo.

Não procura a verdade: procura um corte de vídeo. Não quer enfrentar adversários: quer fabricar agressores.

E quem reage exatamente como ela espera não derrota a provocação.

Apenas completa o roteiro.

**O Cronista do Malbec

FONTE:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100000752233556&locale=pt_BR 




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