Ataques golpistas de 8 de janeiro

Ataques golpistas de 8 de janeiro

Ataques golpistas de 8 de janeiro, três anos depois

Foto: Joédson Alves (Agência Brasil).

 

Os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 à Praça dos Três Poderes completam três anos entre importantes acontecimentos e um cenário em aberto: por um lado, o julgamento do núcleo central da trama golpista foi concluído, resultando na muito esperada prisão de Jair Bolsonaro e inédita condenação de militares de alta patente envolvidos em uma tentativa de golpe de Estado; por outro, investidas parlamentares pela anistia aos golpistas e um cenário pré-eleitoral contaminado pela intervenção imperialista de Donald Trump na Venezuela e ameaças contra a região.

A fim de refletir sobre a data, recuperamos alguns artigos publicados aqui no Blog da Boitempo desde o calor da hora até os desdobramentos das decisões do Supremo Tribunal Federal. Além dos textos, claro, compartilhamos a Retrospectiva 2025 feita por Mauro Iasi no Café Bolchevique — sua coluna mensal disponível na TV Boitempo.

 


 

A Intentona de 8 de janeiro de 2023“, por Lincoln Secco, Rosa Gomes e Fernando Sarti Ferreira
11 de janeiro de 2023

A cada fracasso, muitos se erguem para afirmar a impossibilidade de o golpe ocorrer, apontando a falta de apoios internos ou externos. No entanto, é preciso observar que cada ação dessa serve à consolidação do fascismo. Cada ação dessas desacredita o Estado e a impunidade encoraja mais e mais funcionários da segurança a se solidarizarem com o fascismo. Mesmo que aparentemente aqueles que o apoiam venham a público defender a democracia e condenar os ‘poucos extremistas’.”

 


 

Autocracia como gestão da democracia: o que virá do 8 de janeiro?“, por Maria Orlanda Pinassi e Gisele Sifroni
18 de janeiro de 2023

“A rejeição ao quebra-quebra de domingo acabou por ampliar enormemente a base de apoio ao novo governo em todas as esferas da vida nacional. Na defesa do carcomido Estado Democrático de Direito, os 27 governadores recém empossados da nação apostaram na unificação e centralização do poder em torno de Lula, que ainda recebeu reforço de um alinhado peso pesado de primeira linha, o Poder Judiciário, incumbido de punir os golpistas e enfraquecer a oposição de extrema-direita, a única com base social capaz de algum enfrentamento, pelo menos neste momento. […] Diante de todo esse frenesi, ficamos nos perguntando por que os demais crimes hediondos e irreversíveis cometidos por Bolsonaro, como a destruição ambiental dos cinco biomas do nosso território, a degradação social geradora de uma nova grande fome, o genocídio sanitário que levou, no mínimo 700 mil pessoas e o extermínio de populações indígenas, de negros e pobres das periferias não conseguiram despertar tanto repúdio como o vilipêndio das insígnias de uma democracia capenga?

 


 

A memória remoída“, por Edson Teles
12 de março de 2024

“Um dos resultados mais impactantes do negacionismo estatizado foi a recente tentativa de golpe de Estado de nossa história: o de 8 de janeiro de 2023.

A mobilização da massa de apoiadores da extrema direita somente foi possível com a narrativa de que houve na Ditadura de 64 um momento de crescimento e de ordem, favorável às pessoas “de bem” e à “família”. Com essa fake news histórica somada a estratégias nacionais e globais da direita se criaram condições favoráveis à emergência das forças golpistas.”

 


 

Fim da escala 6×1 e atentados bolsonaristas: mais uma chance para o Brasil“, por Luiz Eduardo Soares
23 de novembro de 2024

O 8 de janeiro caiu como uma bomba e plasmou a nova realidade a enfrentar — do ponto de vista do governo, tratava-se da fortuna: a objetividade alheia à sua vontade e à sua ação. Uma nova realidade a condicionar o campo do possível. A reação de Lula e de seus auxiliares, a despeito de falhas anteriores (como a má condução da transição na Defesa, no GSI e na ABIN), foi extremamente ágil, lúcida e competente, recusando-se a morder a isca de uma GLO, que seria o cavalo de Tróia. No entanto, eu ousaria afirmar que os desdobramentos não foram explorados de modo virtuoso. Explico: o cisma entre autoridade (cuja fonte é a soberania popular mediada pelo voto) e poder (o controle efetivo dos aparelhos de coerção, que garantem, em última instância, o exercício prático da autoridade) ainda existia, ostensivamente; as Forças Armadas ainda abrigavam manifestantes clamando por golpe ao redor dos quartéis e persistiam silentes ante a escalada predatória pós-eleitoral, em Brasília — e não só. O comportamento face aos atos em 8 de janeiro era, no mínimo, dúbio. […] O caos na Praça dos Três Poderes conferiu, paradoxalmente, inesperada força ao governo federal para, depois da timidez revelada no primeiro momento, assumir plenamente o comando da Defesa, não apenas trocando comandos, mas apresentando ao país um plano de reforma institucional das três Armas, visando subordiná-las, definitivamente, à suprema autoridade civil e política — como tem, reiteradamente, pleiteado Manuel Domingos Neto. A iniciativa poderia vir acompanhada da sempre postergada reforma das polícias, ou melhor, da arquitetura institucional da segurança pública. Naquele momento de fraqueza do golpismo, de desestabilização do bolsonarismo, a correlação de forças teria permitido avanços significativos.

 


 

Ainda estamos aqui, apesar de vocês“, por Janaína Teles
2 de dezembro de 2024

“Após os violentos ataques golpistas direcionados contra os três poderes no dia oito de janeiro de 2023 e os recém-descobertos planos para assassinar Lula, Alckmin e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, espera-se que a Suprema Corte e a Presidência da República não utilizem argumentos políticos, em detrimento dos jurídicos, para passar pano para militares golpistas e torturadores. […] No Brasil, o trabalho de luto relacionado a esse período da história não teve o caráter social ou coletivo como foi e ainda é vivenciado em outros países latino-americanos. O esquecimento, entretanto, não é possível, conforme demonstram os relatos dos familiares de mortos e desaparecidos. Este fato é revelado no belo filme Ainda estou aqui, que tanto interesse tem despertado na sociedade brasileira na atualidade. Com efeito, ainda estamos aqui, em busca de ‘Verdade e Justiça’, apesar da prevalência da impunidade.”


 

O julgamento e a radicalização da democracia“, por Edson Teles
2 de setembro de 2025

“Diante do julgamento se torna impossível não estabelecer uma relação histórica com outros momentos de ataque à democracia. Mesmo depois do fracasso, ao reivindicar a anistia ‘ampla, geral e irrestrita’, como faz Eduardo Bolsonaro, é evidente a referência ao lema do movimento brasileiro pela anistia dos anos 1970, em defesa das vítimas da violência do Estado ditatorial.”


 

Um julgamento histórico, mas dramático“, por Valerio Arcary
5 de setembro de 2025

“Não haverá interrupção de hostilidades, nem com a anistia, nem com a prisão de Bolsonaro. O julgamento é um momento na disputa pelo poder, que vai prosseguir ininterrupta até às eleições de 2026, e adiante.”


 

Bolsonaro condenado: direito e política“, por Mauro Iasi
12 de setembro de 2025

“Ainda que tardiamente, nos cabe festejar que o arrogante aspirante a fascista passará os próximos 27 anos e três meses na cadeia. Como dizia Ruy Barbosa, justiça que tarda não é justiça, mas injustiça qualificada. Sobre este julgamento podemos afirmar: ela tardou demais, mas foi muito bem qualificada.”

Aproveite e veja na TV Boitempo: No Café Bolchevique de setembro de 2025, Mauro Iasi comentou a “PEC da Bandidagem”, o julgamento e condenação de Bolsonaro e a percepção aparentemente paradoxal que os bolsonaristas têm do que é violência.

 


 

A dosimetria da correlação de forças (ou Para uma retrospectiva de 2025 e das últimas décadas)“, por Leonardo Silva Andrada
23 de dezembro de 2025

O autor reflete sobre um dos momentos mais marcantes de 2025 (e em certa medida da nossa história recente): “Qualquer pessoa que faça uma retrospectiva do ano irá considerar a terça-feira, 25 de novembro, um dia digno de registro. Nessa data foram conduzidos à carceragem, para o cumprimento de suas penas por tentativa de golpe de Estado, um almirante, três generais e um capitão da reserva do Exército.”

 

FONTE:

https://blogdaboitempo.com.br/2026/01/08/ataques-golpistas-de-8-de-janeiro-tres-anos-depois/ 




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