Ato contra venda de 98 escolas
‘Dias de glória’: ato contra venda de 98 escolas estaduais celebra suspensão de leilão
Ato faz parte do primeiro de dois dias de greve do Cpers Sindicato
16 de julho de 2026

Nesta quinta-feira (16), a greve do Cpers Sindicato contra o leilão de 98 escolas estaduais promovido pela governo Eduardo Leite (PSD) foi tomada pelo clima de comemoração com a suspensão do certame. Hoje ocorreria a entrega das propostas dos interessados, mas, nesta quarta-feira (15), uma medida cautelar do TCE-RS provocou a suspensão do processo. Ainda assim, os educadores foram às ruas pela campanha “Não Venda a Minha Escola”.
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Se fosse realizado, o leilão iria permitir a concessão em contratos de até 25 anos, com repasses de R$ 4,5 bilhões às empresas privadas até o fim da parceria. As empresas ficariam responsáveis por serviços de limpeza, merenda e vigilância nos Ensinos Fundamental e Médio. A única restrição seria aos serviços pedagógicos, as atividades dos professores, que seriam mantidas sob administração do Executivo estadual nas 98 escolas.
O ato público desta quinta é o primeiro de dois dias de paralisação contra a proposta do Governo do Estado. Em Porto Alegre, a greve mobilizou os educadores dos 38º e 39º núcleos do sindicato, que realizaram um ato em frente à 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e seguiram em caminhada até a sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
Neiva Lazzarotto, diretora do 39º Núcleo, define o momento como “dias de luta, dias de glória”. “Hoje e ontem, para nós, foram dias de glória”, avalia Neiva, que celebra a ação do TCE-RS.
“Hoje também é um dia de glória porque a manifestação que nós tivemos foi grandiosa. Nós tivemos mais de 500 pessoas em frente à Coordenadoria, depois fomos em caminhada e tomamos toda a [avenida] Ipiranga”, diz a diretora do 39º Núcleo.
“Foi um grande dia aqui em Porto Alegre. Nós estamos muito orgulhosos das escolas, que aderiram à greve e vieram para a manifestação com uma grande responsabilidade que têm com a defesa da escola pública como um direito”, complementa.
“Nós vamos seguir a luta. Seremos incansáveis”, salienta Neiva. “Estamos muito confiantes”.
A medida cautelar do TCE-RS é assinada pelo conselheiro Estilac Xavier, que aponta possíveis prejuízos à administração estadual e à comunidade escolar em função da forma como os contratos e a avaliação dos serviços são planejados no processo pela Seduc. Um dos apontamentos questiona “inconsistências na modelagem econômico-financeira decorrentes dos impactos das enchentes ocorridas em maio de 2024”.
Em nota ao Sul21, a Secretaria da Reconstrução Gaúcha respondeu que “avalia as medidas cabíveis”. “A modelagem está alinhada às melhores práticas de mercado e ao entendimento do próprio Tribunal de Contas. Em sua manifestação técnica (Informação SAEDE nº 34/2026, referida na cautelar como nº 35/2026), a Auditoria concluiu que não há elementos suficientes para que se configurem os requisitos exigidos para a suspensão”, rebateu o governo estadual.
Ao longo do processo de contestação por parte do Cpers Sindicato, o Governo do Estado, representado pelas suas secretarias, manteve o discurso de que não há nenhuma escola à venda no Rio Grande do Sul, reforçando que a responsabilidade da gestão do ensino público seguirá sendo do Estado. Agora, a Seduc tem 30 dias para se manifestar sobre os apontamentos de Estilac Xavier, que seguem em tramitação no TCE.
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