Aumento nos casos de bullying

Aumento nos casos de bullying

Aumento nos casos de bullying gera alerta e exige providências

Recentes dados do IBGE, na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, indicam a importância de contar com atuação escolar e dos pais

Maria José Vasconcelos

Alunos apontam que aparência do rosto, cabelo e corpo são alvos, além de violência por causa de cor ou raça.  Foto : Maria José Vasconcelos / Especial / CP


O bullying – caracterizado como o conjunto de agressões físicas, verbais ou psicológicas, intencionais e repetitivas, que causam dor e angústia à vítima, geralmente sem motivação evidente – tem aumentado no país. A intimidação, que pode causar danos graves à saúde física e mental, é uma forma de violência que tem gerado alertas. A escola, um dos ambientes de preocupação, está cada vez mais atenta e busca enfrentamentos pedagógicos para este desafio.

Dados divulgados na última semana (em 25/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), comparam indicadores e se referem a depoimentos coletados em 2024 em escolas de todo o Brasil.

Entre os destaques, verifica-se que quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos de idade afirmam já terem sido alvos de bullying; e 27,2% já sofreram alguma forma de humilhação duas ou mais vezes.

Em comparação à pesquisa anterior, em 2019, houve aumento de 0,7% no total de escolares que declararam ter sofrido bullying. Mas a proporção de alunos que passaram pelo problema, pelo menos duas vezes, subiu mais de 4%, segundo Marco Andreazzi, gerente do estudo. “Observamos tendência de aumento, indicando que mais estudantes passaram a vivenciar situações repetidas de violência.” Ele acrescenta que “o número dos que enfrentam bullying permanece praticamente igual. No entanto, a persistência dos episódios e a intensidade deles aumentaram”, complementa.

Raça e gênero

Os estudantes agredidos disseram à pesquisa que a aparência do rosto ou do cabelo foi o principal alvo do bullying, representando 30,2% dos casos. Em seguida surge a aparência do corpo (24,7%) e a violência por causa da cor ou raça (10,6%).

“Há também um percentual alto (26,3%) de alunos que declaram que o bullying não teve motivo. Ou seja, uma grande parte daqueles que sofrem não sabe o porquê e isso é natural, já que o bullying ocorre coletivamente e aquele que está sofrendo não necessariamente vê uma razão para isso. Pelo contrário, sente-se completamente injustiçado”, destaca o gerente da pesquisa.

Outro registro sobre o problema é que meninas são as mais atacadas (43,3%), contra 37,3% dos meninos. Além disso, 30,1% delas se sentiram humilhadas por provocações de colegas, duas vezes ou mais. A proporção é quase 6% maior que a dos alunos do sexo masculino.

Perfil dos agressores

Os indicadores de quem comete bullying mostram uma relação inversa: 13,7% dos estudantes declararam ter praticado alguma violência desse tipo, sendo 16,5% dos meninos; e 10,9%, meninas. E, sobre a razão da agressão praticada, o trabalho do IBGE mostra, novamente, como motivos mais citados a aparência do rosto, cabelo ou corpo e a cor ou raça. Porém, algumas diferenças no relato das vítimas revelam, por exemplo, que 12,1% dos autores declararam ter cometido bullying por causa do gênero ou orientação sexual dos colegas e 6,4% dos alunos que sofreram bullying reconheceram que essa característica motivou a violência sofrida. O mesmo aconteceu em relação à deficiência: 7,6% dos autores reconheceram bullying por esse motivo e 2,6% das vítimas associaram o ataque a característica. Para os pesquisadores, o fato pode indicar que muitas vítimas preferem silenciar sobre as circunstâncias do ocorrido, por medo de serem estigmatizadas.

Agressões

Em alguns casos, os conflitos entre alunos são agravados: 16,6% deles já foram fisicamente agredidos por colegas, havendo alta, para 18,6%, entre meninos. Nesse caso, também se verifica aumento em relação a 2019, quando 14% dos alunos haviam relatado alguma agressão física sofrida, sendo 16,5% meninos. E se constata que mais alunos são agredidos duas vezes ou mais – elevação de 6,5% para 9,6%.

Os casos de bullying virtual, via redes sociais ou aplicativos, recuaram de 13,2% para 12,7%. E as meninas são vítimas mais expressivas: 15,2% delas sentiram-se humilhadas ou ameaçadas por conteúdos nesses espaços, contra 10,3% dos meninos.

Prevenção

Junto a gestores escolares, o trabalho identifica, sobre o suporte oferecido aos alunos, que 53,4% deles estudavam em unidades que aderiram ao Programa de Saúde nas Escolas (PSE), que desenvolve ações para aumentar o bem-estar dos estudantes. E 43,2% dos matriculados estavam em escolas que realizaram ações de prevenção de práticas de bullying, sendo que 37,2% das unidades atuaram conforme o programa para prevenir brigas em suas dependências.

Atuação escolar

A coordenadora da Área Pedagógica do Sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe/RS), Ir. Celassi Dalpiaz, assinala que os recentes dados do IBGE, por meio da pesquisa nacional PeNSE, que apresenta o aumento na persistência dos casos de bullying entre estudantes brasileiros, reforçam um tema que faz parte das principais preocupações das escolas privadas no RS.

A dirigente afirma que, nos últimos anos, as instituições de ensino têm intensificado investimentos em programas de formação continuada de professores e equipes pedagógicas, com foco no desenvolvimento socioemocional dos alunos, em movimento alinhado, inclusive, às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular, que orienta a formação integral dos alunos. Ainda assim, diz que o enfrentamento ao bullying e às questões relacionadas à convivência escolar seguem sendo um desafio complexo, que não se restringe ao ambiente escolar. “Trata-se de um reflexo de dinâmicas sociais mais amplas, que exigem atuação conjunta e articulada.”

Na avaliação da coordenadora, as escolas têm avançado na construção de ambientes mais acolhedores, no desenvolvimento de competências socioemocionais, na mediação de conflitos e, principalmente, na escuta atenta. Da mesma forma, tem trabalhado os aspectos legais em torno do tema, orientando, inclusive, as famílias acerca das suas responsabilidades e compromisso no acompanhamento dos filhos. Mas entende que é fundamental reforçar que esse trabalho não pode ser feito de forma isolada.

“A participação ativa das famílias é essencial para que possamos avançar de forma consistente na promoção de uma cultura de respeito e empatia”, adverte a coordenadora pedagógica.

O Sindicato revela que planeja novas formações voltadas às escolas associadas, com ênfase no fortalecimento de práticas pedagógicas e estratégias de prevenção relacionadas ao tema. E também reafirma o “compromisso em apoiar as instituições de ensino na construção de ambientes escolares seguros, saudáveis e alinhados às demandas contemporâneas da educação”.

Dados

O IBGE alerta para o quadro preocupante na saúde mental de jovens:

  • 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos sofreram bullying na escola.

  • No caso das meninas, o percentual registrado no estudo sobe para 43,3%.

  • Aparência do rosto ou cabelo foi alvo em 30,2% dos casos verificados.

  • 13,7% assumiram terem praticado bullying.

  • 16,6% dos estudantes já foram fisicamente agredidos por colegas.

  • Mais informações neste link.

 

FONTE:

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/aumento-nos-casos-de-bullying-gera-alerta-e-exige-providencias-1.1701655 




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