Avaliações externas

AVALIAÇÕES EXTERNAS NÃO SÃO UM 'MAL MENOR'
As avaliações externas não são "melhores que nada", como dizem. Porque não são apenas ruins, elas já são uma não-avaliação que mascara a realidade, ao ignorar os meios válidos de fazer avaliação.
Como que um sistema que não oferece nada de bom pode ser melhor que nada?
O pior é que estabelece um padrão perverso a ser seguido pelas escolas.
Numa pesquisa recente, a escola tinha realizado 40 simulados em apenas um semestre. Adestramento animal às crianças, para livrar a escola e os professores de serem execrados pelo Estado e pela opinião pública, e para fazer jus a umas verbas minguadas que lhes são oferecidas em retribuição a sua grande obra humanitária de assassinar personalidades, e transformar seres humanos em máquinas burras.
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APROVAÇÃO EM MASSA: CALHORDICE ESTATAL
Quando critico a reprovação escolar porque ela é estúpida pedagogicamente, não é para propor que o aluno passe sem saber, mas para exigir que o aluno aprenda para passar sabendo. Ou seja, que se deixe de utilizar a muleta da reprovação para não questionar o ensino.
Por isso a chamada aprovação em massa é tão cínica e perversa quanto a simples reprovação. Aprovação automática não é aprovação em massa.
Na promoção automática o aluno é aprovado porque aprendeu, não porque políticos sem-vergonha, em vez de melhorar as condições de ensino, obrigam as escolas a aprovarem em massa para ganhar pontos no maldito e estúpido Ideb.

‘O IDEB PASSA TODO MUNDO’
Acho um pouco estranho o comportamento de muitas pessoas a respeito do Ideb. Umas reclamam porque dizem que, por causa do Ideb, as autoridades do ensino pressionam para passar todo mundo, mesmo quem não aprendeu nada e vai atrapalhar o professor no ano seguinte. Outras, que às vezes são até as mesmas, reclamam porque os problemas de sua escola não são levados em conta, e elas têm de se meter a treinar crianças a responderem testes imbecis para que não sejam reprovadas e comprometam os índices do Ideb de sua escola.
Mas, afinal, a escola existe para ensinar ou para ficar apenas aprovando e reprovando? Gente, o mal das chamadas avaliações externas não está apenas em aprovar todo mundo ou simplesmente reprovar. Com essas argumentações, nós acabamos fazendo o jogo do próprio Ideb, que é concentrar-se em sua perversa fiscalização da competência do professor por meio da reprovação, e ignorar o que realmente importa, que é o ensino.
Cadê os recursos para melhorar a educação? Cadê a redução de alunos por turma, ou a transformação do próprio modelo tradicional de ensino, que é pré-rousseauniano? Cadê o pagamento de um salário digno para o professor e o oferecimento de condições de formação e melhoramento profissional constantes. Cadê os programas junto às comunidades para esclarecer pais e mães sobre o trabalho da escola, para que elas contribuam na formação dos filhos?
Vamos continuar nessa lenga-lenga de reclamar apenas da não reprovação? Vamos atacar o Ideb, porque ele bem merece, mas não ao preço de defender um falso recurso pedagógico tão estúpido como a reprovação escolar!
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