Bebida alcoólica nas escolas
Bebida alcoólica nas escolas e salas de aula: está cada vez mais perigoso ser docente no Brasil
18/08/2026
Uso de bebidas alcoólicas por alunos nas escolas e salas de aula é só mais um dilema enfrentado no dia a dia dos profissionais da educação
Por *Glória A Correia

Educação / Vendo o caso recente de uma menina de Campo Grande (MS) que passou mal na sala de aula após ingerir bebida alcoólica, lembrei que ao longo dos meus anos na regência de classe, poucas situações me deixaram tão vulnerável quanto perceber que o odor que tomava conta das fileiras dos fundos não era de perfume, mas de pinga. Ver estudantes consumindo álcool dentro do espaço escolar — ou já adentrando a sala de aula sob o efeito dele — tornou-se uma realidade amarga que invadiu o ambiente de aprendizagem. A presença de bebidas no contexto escolar transforma a rotina pedagógica em um terreno cada vez mais instável, onde o exercício da docência precisa ser interrompido para dar lugar ao gerenciamento de crises e ao estado constante de alerta.
Esse desafio, contudo, longe de ser uma novidade, é a continuidade de uma crise crônica que há décadas assombra a comunidade escolar. Trata-se de mais um dilema doloroso que escancara o quanto o exercício da docência no Brasil se tornou uma atividade cada vez mais perigosa e desvalorizada. O álcool nas salas de aula não é um fato isolado, mas sim o sintoma de um desamparo social mais amplo que adentra os portões das instituições e sobrecarrega um corpo docente que já lida diariamente com todo tipo de violência, falta de estrutura e esgotamento psicológico e desvalorização profissional.
Para nós, professores, inspetores e gestores, os perigos decorrentes dessa situação são diretos e alarmantes. Um estudante sob a influência de álcool perde a capacidade de discernimento e o autocontrole, tornando absolutamente imprevisíveis as suas reações diante de uma orientação, cobrança ou limite estabelecido. O confronto com alunos embriagados frequentemente descamba para desacato, intimidação, agressões verbais e, em casos extremos, violência física, colocando em risco iminente a integridade de todos os profissionais que atuam na escola.
A convivência diária com essa ameaça mina o clima organizacional e pedagógico, corroendo a autoridade dos educadores e criando uma atmosfera de medo entre os próprios estudantes que desejam aprender. Quando o consumo de substâncias passa a ser tolerado por falta de mecanismos adequados de intervenção, o sentimento de impotência paralisa a gestão escolar. O espaço que deveria ser de acolhimento e formação cidadã acaba se transformando em um ambiente hostil, responsável pelo adoecimento e pelo afastamento de inúmeros docentes.
Para enfrentar de forma decisiva esse problema e resguardar a segurança na rotina escolar, quatro medidas urgentes precisam ser adotadas, em minha opinião:
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Protocolos claros de prevenção e controle de acesso: implantação de diretrizes rígidas de acompanhamento nas entradas e dependências da escola, aliadas à fiscalização do entorno para coibir a venda de bebidas a menores.
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Equipes multidisciplinares permanentes: presença contínua de psicólogos e assistentes sociais nas unidades de ensino para atuar na prevenção, identificação precoce e encaminhamento de jovens com quadros de abuso de substâncias.
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Articulação com a rede de proteção e segurança pública: fortalecimento da parceria direta da escola com o Conselho Tutelar, o Ministério Público e a Patrulha Escolar para respostas rápidas e eficazes em situações de risco.
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Capacitação e suporte aos profissionais da educação: oferta de treinamento continuado para que professores e funcionários saibam como abordar e desmobilizar comportamentos agressivos com segurança, assegurando também apoio jurídico e psicológico aos educadores vitimados.
*Glória Correia é professora e seguidora do Dever de Classe
FONTE:
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"Escolas estão enfrentando uma situação grave: estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio levando bebidas alcoólicas para a sala de aula em garrafas térmicas não transparentes.
Professores e coordenadores não conseguem visualizar o conteúdo e, muitas vezes, só percebem o consumo quando a situação já saiu do controle: alterações de comportamento, cheiro de álcool no hálito e na transpiração ou, em casos mais graves, estudantes vomitando e passando mal dentro da sala de aula.
Segundo relatos de educadores, em redes sociais, alguns alunos revelam que retiraram as bebidas da própria residência. Outros afirmam tê-las comprado em distribuidoras próximas à escola, onde teriam comprado o famoso “copão” mesmo sendo menores de idade.
A escola precisa adotar medidas preventivas, como exigir garrafas transparentes. Diante de suspeita ou confirmação da embriaguez, deve avaliar a condição de saúde do aluno, acionar atendimento médico quando necessário, comunicar a gestão e a família e registrar detalhadamente o fato no livro de ocorrências. O Conselho Tutelar deve ser acionado quando a situação indicar reincidência ou negligência familiar.
Mas há uma advertência igualmente necessária: o professor não pode ser responsabilizado ou penalizado por uma conduta deliberadamente ocultada e que estava além de sua capacidade razoável de identificação e intervenção. Esperar que ele descubra o conteúdo de uma garrafa opaca, sem qualquer indício concreto, é exigir uma vigilância impossível. Quando a escola transfere essa responsabilidade para o docente, deixa de enfrentar tanto a omissão familiar quanto a conduta criminosa do estabelecimento que vende bebidas alcoólicas a menores e adota um punitivismo que apenas sobrecarrega e desmoraliza a categoria.
A docência já está sobrecarregada de responsabilidades. Proteger estudantes exige ação conjunta, não a fabricação de mais um culpado dentro da sala de aula.
FABIO FLORES
FONTE:




