Campanha dos evangélicos

Tem sido cada vez mais difícil mas, vamos conversar meu povo?
Os petistas mais devotos não aceitam a realidade mas a imagem de Lula está bastante desgastada. Por N motivos, que não vou abordar nesse post especificamente, só quero pontuar isso e afirmar que vai piorar mais ainda por conta da empreitada de demonização pesada de Lula/PT/esquerda capitaneada pelo meio evangélico nesta eleição.
Veja aqui: Evangélicos lançam campanha para zerar base de Lula e levá-lo a 100% de rejeição nas eleições – Conexão Política https://share.google/f7ymBqRYeNJL1qTjc
O que está sendo levantado não é simplesmente uma “rejeição espontânea” de um grupo religioso a um governo. Estou falando de construção política organizada e, mais do que isso, de engenharia de massa operando dentro de um campo que, teoricamente, nem deveria estar sendo usado como plataforma de poder que é a religião, mas, quando isso não aconteceu né?
A realidade é exatamente o oposto.
Quando você vê que há uma “campanha para levar a rejeição de Luiz Inácio Lula da Silva a 100% entre evangélicos”, o ponto mais importante não é o número extremo, que, aliás, é inflado e usado como arma retórica. O ponto é a existência de uma estratégia coordenada de produção de percepção. Isso envolve lideranças religiosas, influenciadores, indústria gospel e operadores políticos atuando juntos para transformar opinião em comportamento eleitoral.
Desde a ascensão de Jair Bolsonaro, o Brasil viu a consolidação de um bloco político-religioso altamente disciplinado, com capacidade de mobilização massiva e, principalmente, com um mecanismo muito eficiente de controle narrativo. Não se trata de “fiéis que pensam igual por coincidência”. Trata-se de um ecossistema onde a informação já chega filtrada, interpretada e carregada de julgamento moral.
Estamos lidando com um plano de poder que nunca esfria, nunca retrocede, nunca para de cavar espaço e adeptos, estratégias, recursos pra alcançar a vitória.
Mas a galera petista simplesmente ignora, despreza, ridiculariza e segue em plena negação.
Entendam que a lógica político-evangélica é simples e altamente funcional: transformar divergência política em conflito moral absoluto. Quando um governo ou um campo político é apresentado como “inimigo dos valores cristãos”, você não está mais debatendo política pública, economia ou direitos sociais. NADA DISSO MAIS IMPORTA. Você está lidando com uma construção emocional que impede qualquer análise racional.
A pessoa não vota mais com base em interesse material ela vota para “combater o mal”.
E o Brasil é um terreno extremamente fértil pro desenvolvimento disso, já aconteceu, os frutos já foram colhidos e pelo visto as próximas colheitas serão ainda mais fartas.
Esse tipo de construção é extremamente funcional para projetos de poder autoritários, coisa que por aqui faz bastante sucesso. E não estou culpando o povo, os governos todos que tivemos colaboraram/colaboram pra isso.
Uma vez que você cria uma base convencida de que está em uma espécie de guerra moral, você elimina qualquer chance de crítica interna e elimina a possibilidade de ruptura. A base se torna coesa não pela realidade, mas pela narrativa. E mais: ela passa a se auto-policiar. Quem questiona, dentro desse ambiente, é visto como traidor, desviado ou “contaminado”...
E pra gente compreender esse fenômeno precisamos enxergar que a espiritualidade-base atualmente é pautada pela crença absoluta em "batalha espiritual", o que cria uma percepção da realidade tomada por uma incessante luta entre "o bem" e "o mal", e esse "mal" é tudo que as lideranças evangélicas dominantes disserem que se enquadra nesse rótulo.
Nesse caso, Lula/PT/esquerda.
Isso explica por que esses movimentos falam em “zerar a base” e “levar a rejeição a 100%”, isso é sobre disciplinar comportamento.
Essa rejeição está sendo matematicamente inflada.
E tem outro ponto que pouca gente fala com a devida seriedade: o papel da estrutura institucional das igrejas nisso tudo.
Diferente de outros grupos sociais, as igrejas têm uma vantagem organizacional gigantesca. Elas operam com agendas rígidas de encontros semanais, liderança centralizada, comunicação direta e autoridade simbólica muito elevada. Isso permite uma coisa que partidos políticos tradicionais sonham em ter: capilaridade com controle...
Sonham, mas não trabalham à altura.
Você não precisa convencer milhões de pessoas individualmente. Você precisa é alinhar as lideranças e o resto se ajusta.
É assim que a coisa tem sido feita e muito bem feita.
Vamos admitir!
Chega de tanta negação.
É por isso que os evangélicos tendem a votar de forma sintonizada, com alvos certos. Não é uma característica natural. É o resultado de um processo contínuo de orientação política direta, promovida inclusive como aconselhamento espiritual.
E o mais grave: isso acontece dentro de um país que, formalmente, é um Estado laico.
No papel é. No discurso dos não-religiosos sim. Mas no dia a dia da grande massa da população deste país imenso, lotado de desigualdades, nuances, complexidades, uma coisa tem dado identidade coletiva pro povo: a visão do mundo e da realidade humana como palco de uma intensa e contínua batalha espiritual.
Até gente que NÃO SE IDENTIFICA COM O MEIO EVANGÉLICO, apoia a própria idéia de espiritualidade nesse padrão. Segue crendo em "forças do bem e do mal", "luz e trevas", "anjos e demônios", "salvadores e anticristos"...
Até mesmo gente de esquerda. Que se diz de esquerda, sei lá.
É muito difícil.
Muito difícil.
Não é à toa que a merda tá feita.
Quando se denuncia esse tipo de mobilização, se toca num ponto muito real, mas há uma contradição importante. Não basta denunciar o uso político da religião quando isso favorece um lado e ignorar quando favorece outro. O problema não é quem está sendo atacado agora. O problema é a normalização de igrejas como máquinas de disputa de poder.
Porque estou dizendo isso?
Porque aquilo que muitos chamam de esquerda, o PT e tals, é capaz DE TUDO pra cooptar votos evangélicos também.
O povo evangélico é UMA MINA DE OURO/CAPITAL ELEITORAL, entendem?
E TUDO TEM PREÇO.
O preço, é definido por quem? Pelas senhorinhas e senhorzinhos crentes, de Bíblia debaixo do braço indo pros seus cultos de oração e louvor? Pelos jovens que buscam acolhimento e identidade numa comunidade religiosa, algo que é perfeitamente compreensível?
Não.
Não mesmo!
São seus líderes MAIORES, OS DONOS DA PORRA TODA que definem o preço.
E esse preço SEMPRE SIGNIFICARÁ MAIS PODER PRA ELES -- CONSEQUENTEMENTE, MAIS FASCISTIZACÃO, MAIS OBSCURANTISMO, MAIS RETROCESSO NAS POLÍTICAS PÚBLICAS, PRINCIPALMENTE VOLTADAS ÀS MINORIAS -- COMO POR EXEMPLO, MULHERES.
Eles não entram em nada pra perder poder.
Só pra multiplicar.
E destacando: eles não querem nem papo com Lula e PT, se humilharam tanto aos pés dos LOBOS DA FÉ, e ainda receberam desprezo de resposta.
E enquanto isso, o debate real sobre economia, desigualdade, precarização da vida, políticas públicas, vai sendo completamente sequestrado por pautas morais fabricadas. O eleitor deixa de ser cidadão e vira soldado de guerra cultural. Porque tipo, enquanto os candidatos poderiam estar debatendo sobre essas questões de fato relevantes, não o farão. Tudo será reduzido às guerras culturais de âmbito moral-religioso.
Ótimo né?
Ótimo pra quem???
Essa dinâmica não fortalece democracia nenhuma. Pelo contrário: ela cria massas mobilizadas, pouco críticas e altamente reativas, o cenário perfeito para manipulação política em larga escala.
No fundo, o que essa “campanha” revela é a absoluta fragilidade de uma sociedade que permitiu que a fé fosse convertida em instrumento de controle político. Estamos em péssimos lençóis.
E enquanto isso não for enfrentado de forma estrutural, com debate sério sobre laicidade, regulação e educação crítica, o ciclo vai se repetir.
E quem vai comprar essa briga? Muito poucos. Mas quem tenha um mínimo de lucidez e consciência nessa hora que esteja nesse front, por favor.
Essas eleições serão um capítulo bem difícil da nossa história e lembro aqui a guerra desigual de desinformação/fake news nas redes às custas de IA que já está rolando e vai escalar. A coisa no nível presencial, no chão concreto das igrejas, no olho a olho já tem sido terrível e essa junção de forças realmente merece ser levada a sério.
Aos que estão conscientes, desejo muita coragem.
Nada será tranquilo.
Muita coragem e muita saúde a todos.
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OBS: EU SOU DE ESQUERDA OK? Só não sou cega.
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