Candidaturas Bolsonaro

Como eu sempre digo, não subestimem esta mulher.
Ontem, (24/06) num vídeo de 27 minutos, Michelle Bolsonaro expõe uma questão que vai muito além de uma simples briga familiar...
No depoimento dela podemos ver claramente um conflito de poder dentro do núcleo bolsonarista, justamente no momento em que o grupo tenta reorganizar sua sucessão política após a definitiva saída de cena de Jair Bolsonaro e o escândalo BolsoMaster manchando de forma importante a candidatura de seu filho Flávio Bolsonaro.
No vídeo, ao tornar pública uma conversa privada com o Flávio, Michelle não está apenas relatando um desentendimento pessoal - ela está disputando espaço, legitimidade e influência dentro do movimento.
Influência essa que ELA SABE QUE TEM, e que isso pode ser a salvação do Bolsonarismo diante desta crise.
E influência forte viu, poder espiritual e político consolidado entre a parcela do eleitorado que mais rejeita Bolsonaro: as mulheres, por conta do histórico de falas machistas - e nesse caso, em especial as mulheres que se identificam com o discurso de direita, evangélicas, mas que não votam nele e provavelmente também não votariam no filho. Mas...
Sendo Michelle, uma mulher evangélica, com um discurso bem mais palatável, recheado de jargões teológicos que geram identificação, acaba que quebra essa rejeição.
E essa parcela sem dúvidas pode decidir essa eleição.
Aí é que mora o perigo!
Segundo seu relato, a crise começou quando ela criticou a tentativa do PL de se aproximar de Ciro Gomes no Ceará. Pra Michelle, a aliança seria incoerente, já que Ciro passou anos atacando Jair Bolsonaro e sua família. Na visão dela, apoiar alguém que chamou Bolsonaro e seus filhos de corruptos representaria uma traição aos valores e à narrativa construída pela direita bolsonarista. A crítica atingia diretamente André Fernandes, uma das principais lideranças do PL no estado, mas acabou desencadeando um conflito maior com Flávio Bolsonaro, que apoiava a articulação política.
Michelle afirma que, ao telefonar pro Flávio pra discutir o assunto, foi tratada com arrogância e desrespeito. Segundo ela, o senador disse que seria melhor que ela permanecesse fora das decisões partidárias porque teria chegado "ontem" à política e não entenderia do assunto. A fala foi interpretada por Michelle como uma tentativa de desqualificá-la politicamente e reduzir sua importância dentro do grupo. A partir desse momento, ela afirma ter entendido que seu apoio não era valorizado e decidiu se afastar das articulações.
O depoimento também revela algo mais profundo: a existência de uma disputa interna sobre quem possui autoridade pra representar o legado político de Jair Bolsonaro. Michelle deixa claro que não aceita ser tratada como uma figura decorativa ou apenas como esposa do ex-presidente. Ao dizer que "sabe mais do que eles pensam", ela reivindica experiência, influência e capacidade de decisão. Em outras palavras, ela contesta a ideia de que o comando do bolsonarismo deva permanecer exclusivamente nas mãos dos filhos de Bolsonaro.
Afinal, como presidente do PL Mulher, ela realmente tem contribuído inegavelmente pra inclusão de mulheres conservadoras, de extrema direita, na política. E mesmo todo mundo sabendo que o bolsonarismo é uma ideologia absolutamente misógina, quando convém, mulheres terão determinado protagonismo.
Quando convém.
Desde que cumpram fielmente a agenda patriarcal dominante.
Michelle está se colocando como única possível herdeira fiel do legado de seu marido e isso, a essa altura do campeonato, tem um peso indiscutível. A forma como Michelle constrói sua narrativa mostra isso. Em vários momentos ela evita chamar Flávio de "Bolsonaro", referindo-se a ele apenas como "meu enteado" ou "pré-candidato". Ao mesmo tempo, apresenta-se como alguém leal a Jair Bolsonaro e vítima de ataques promovidos por pessoas (influencers brasileiros nos EUA) ligadas ao senador. A mensagem implícita é que ela estaria sendo excluída justamente por aqueles que deveriam defender a unidade do grupo...
Ser vítima de perseguição e humilhação funciona muito quando se quer passar a imagem de heroí/heroína...
Ela sabe.
Realmente ela sabe muito mais do que muita gente pensa.
O conflito também envolve disputas eleitorais concretas. Além da aproximação com Ciro Gomes, há divergências sobre quem deve ocupar espaços estratégicos no Ceará, especialmente na disputa pelo Senado. Michelle apoia o nome da vice do PL Mulher, a pastora e vereadora Priscila Costa, enquanto aliados de André Fernandes articulam outro, no caso Alcides Fernandes, pastor, pai de André. Isso mostra que a discussão não é apenas ideológica; trata-se também de controle partidário, distribuição de candidaturas e construção de alianças regionais.
Ao expor tudo isso publicamente, Michelle transforma um conflito interno em crise política. O vídeo passa a mensagem de que o bolsonarismo está dividido entre diferentes grupos, interesses e estratégias. De um lado, há o núcleo representado por Flávio, metido até a raiz dos cabelos no super escândalo da vez, e por dirigentes partidários que defendem alianças mais pragmáticas para ampliar a base eleitoral. De outro, Michelle procura se apresentar como guardiã da coerência ideológica e da fidelidade ao legado de Jair Bolsonaro...
Sempre salientando de todas as formas, inclusive as mais simbólicas, o seu compromisso com uma imagem de esposa devotada e amorosa, mulher de Deus, sábia, honrada, virtuosa...
Até o cenário no qual ela está no vídeo é uma aula de semiótica. Tudo muito bem pensado...
A mão fazendo o símbolo em libras pra "eu te amo", a Estrela de Davi confirmando a aliança com o sionismo-cristão que marca a espiritualidade evangélica, a camisa bordada com elementos de uma personalidade moldada pelos dons do Espírito Santo...
A mulher não está pra brincadeira não!
A rápida reação de Flávio, pedindo desculpas e tentando minimizar o episódio, demonstra que a repercussão foi considerada grave. Afinal, a força política de Michelle junto ao eleitorado evangélico e à base mais fiel do bolsonarismo é significativa. Um rompimento desse, aberto, poderia enfraquecer a candidatura ainda mais...
Quem herdará o capital político de Jair Bolsonaro e terá autoridade pra conduzir o movimento nos próximos anos?
Já vimos que Flávio ~talvez~ já esteja sendo descartado...
Malafaia já soltou a mão.
Parte das lideranças assembleianas também.
Otoni de Paula, Robson Rodovalho, idem...
O que aparece aí como uma discussão sobre alianças no Ceará pode ser, na realidade, um sinal de uma disputa muito maior pelo controle do futuro do bolsonarismo.
Vamos ver o desenrolar deste filme de terror.
Já sabemos que de um jeito ou de outro, com o Bolsonarismo, nós, o povo, já perdemos.
Veremos se a misoginia basal do bolsonarismo abriu ou abrirá tamanha concessão pra uma chapa presidencial tendo uma mulher como "cabeça".
Ou melhor, como rosto.
Rosto esse que, caso chegue a concorrer nesta eleição ou noutras pra frente, aprofunda as raízes do plano de dominação evangélico ainda mais nesse país.
No momento ela diz que não está se colocando contra a candidatura do Flávio Bolsonaro, que apenas quis esclarecer questões que estavam sendo distorcidas por terceiros.
Seja o que for que venha por aí, desde já, não subestimem essa mulher e muito menos tudo o que ela representa.
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Gi Stadnicki
FONTE:
https://www.facebook.com/giovanna.stadnicki?locale=pt_BR

MICHELE BOLSONARO E O FIM DA CANDIDATURA DOS BOLSONAROS
Sei não... Sei não...
Pra mim, esse vídeo de Michele é apito de cachorro!
Michelle é a principal, a maior e a mais importante pessoa responsável pela chegada do terrivelmente Evangélico ministro André Mendonça ao STF!
Tem a eterna gratidão, da parte do distinto e acesso privilegiado ao mesmo.
Ela tem informações e sabe que algo grandioso está por ocorrer! Uma batida na mansão de Flávio das Taxas será devastadora para a moribunda candidatura da ala masculina da Extrema Direita.
Michele está na beira do campo e no aquecimento! Da tempo de ser aclamada candidata ainda na convenção do PL.
Os estrategistas de sua campanha vendem a esperança de que ela unifica o setor evangélico e grande parte do catolicismo!
É Mulher, é inteligente e como deu pra ver no vídeo de hoje, é muito melhor que qualquer filho de Bolsonaro diante de um microfone e uma câmera!
Não fez esse vídeo sem consentimento de Waldemar da Costa Neto e da cúpula do PL. Sabe aquela frase "que tiro foi esse?" Então, foi um tiro dentro de casa! Não é atoa que Bolsonaro estava armado!!
Michele é um perigo para Flávio? Sim! Destruídora!! Hoje ela fez seu anúncio de candidaura. Foi no coração de Flávio que é fraco, sem carisma e claramente, havendo qualquer tipo de investigação minimamente séria, também ser visto como corrupto!
É bom estar atento!! Mas que vem bomba contra Flávio por aí, não tenham dúvidas! E isso muda o tabuleiro!
Michele não tem estofo para uma candidatura a presidente, mas é jovem e se , se livrar do Bolsonaros, se tornará uma líder com brilho próprio!
E ela sabe disso
FONTE:
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SÉRIO QUE VOCÊS CAÍRAM NA ISCA?...
(Por Clara Averbuck)
Para, gente. Respira.
A mulher do réi pôdi gravou e publicou no Instagram VINTE E SETE MINUTOS ora de lábio trêmulo, ora de olhar esperançoso, falou em punhalada, em humilhação, em desrespeito, e metade do Brasil correu pra abraçar a coitadinha. A esquerda comemorando a rachadura, a direita em pânico, todo mundo discutindo se o Flávio foi ríspido demais no telefone. E ninguém parou pra perguntar a única coisa que importa: por que agora?
Porque há uma cronologia bem clara.
Michelle Bolsonaro passou anos jurando de joelhos que só queria ser primeira-dama. Que protagonismo era coisa de homem da casa. Que o Jair era a cabeça e ela o corpo obediente, a auxiliadora, a que cuida. Aceitou o papel de moldura: estava ali pra apenas para adornar o quadro, nunca pra ser o quadro. Ficou caladinha anos a fio, segurando o teto de vidro por baixo pra não cair na cabeça de ninguém, engolindo as labaxúrias enquanto performava transe em culto sempre que dava voto. Foi organizar as mulheres, que, ela mesma diz, não tinham atenção do PL. Ela sabia onde tinha se metido e que jamais teria o lugar de cima. Isso tinha ficado escandalosamente claro, e ela tinha aceitado.
Até o Flávio abatumar.
Porque o filho 01 solou que nem bolo que deu errado. Foi flagrado pedindo cento e trinta e quatro milhões ao dono de um banco que a Polícia Federal liquidou por lavagem de dinheiro e que o senador chamava carinhosamente de “irmão” nos áudios. Negou conhecer o homem. Chamou repórter de militante. Botou camiseta dizendo que o problema era do Lula. E desmoronou em questão de horas quando os áudios vazaram, porque os áudios sempre vazam. A cada aparição pública uma contradição nova, a cada contradição uma trinca a mais no copo de cristal. Até bispo/pastor aliado já anda dizendo que evangélico não engole mentira e que tem debandada no rebanho.
E olha que coincidência: a espinha dorsal da boa moça com uma “missão” brotou exatamente aí.
Por que não um mês antes, quando ela ainda era a vice cogitada, a peça obediente do tabuleiro? A dignidade dela despertou no segundo exato em que a dignidade ficou eleitoralmente lucrativa, no instante preciso em que o nome que a atravancava começou a apodrecer no nicho que é dela, o evangélico, o feminino, o conservador devoto. Que timing divino, hein. Quase um milagre, uma daquelas missões que Deus, segundo ela, eventualmente lhe confia depois de muita oração e de uma conversa com o marido. Atenção à escolha de palavras: MISSÃO.
Aqui mora a parte que me diverte (e me dá ódio): a confissão escondida no meio da choradeira. Reparem em como ela se defende. Não diz “eu lidero as pesquisas, eu tenho mais de trinta por cento, eu mereço”. Diz que foi apunhalada, humilhada, que o enteado mandou ela ficar de fora das decisões do partido porque ela “chegou ontem e não entende nada de política”. A mulher mais bem posicionada da direita nas urnas se apresentando ao país como madrasta magoada. E mesmo a revolta ela ancora no macho: rompe com o filho jurando fidelidade ao pai, invoca a “ordem do líder”, denuncia “traição contra o Jair, venha de quem vier”. Até pra se rebelar precisa do aval do marido preso. A insubordinação dela é, ela mesma, um ato de obediência.
É aí que a palhaçadinha toda denuncia mais do que pretendia. Sem querer, Michelle legitimou uma narrativa que a esquerda repete há décadas e que o bolsonarismo nega de boca cheia: o conservadorismo não tem lugar pra mulher no poder. Não diretamente, não por mérito próprio, não sem um homem por trás assinando a procuração. E o detalhe trágico, quase bonito de tão cruel, é que a prova viva disso é ela. A mulher que fez carreira pregando a submissão feminina descobriu, ao vivo, em rede social, que a submissão também valia pra ela.
Oh! Que surpresa!
E aqui a armadilha se fecha de vez, porque o cálculo não está tão a favor dela. O voto das mulheres vai decidir essa eleição, isso é fato. Mas só o voto das conservadoras não será suficiente, e os homens conservadores jamais votariam numa mulher por livre e espontânea vontade, nem que ela seja a procuradora oficial do poder do marido. O que sobra pra ela é o antipetismo, esse ódio tão grande que faria esses mesmos homens votarem ATÉ numa mulher, com o “até” bem cuspido, porque pra eles qualquer coisa é melhor do que o Lula. Sacaram a delicadeza da posição? Ela não é a candidata desejada. Ela é o mal menor tolerado com nojo. Insuficiente de um lado, engolida a contragosto do outro. A ver.
Então não, não vamos abraçar a coitadinha. A “corajosa”. Esses aí eu quero todos que vão pra casa do caralho. Michelle sabia o tamanho da jaula quando entrou nela, sorrindo pra foto, e só fez barulho quando descobriu que a porta tinha afrouxado por acidente, porque o carcereiro favorito tropeçou no próprio escândalo.
Nunca quis tanto estar errada. Mas até agora ela não me deu esse gosto.
E mais uma coisa: não adianta ficar invocando um suposto passado de trabalho sexual da Michelle, de destruidora de lares, de puta vinda de família criminosa. Para os evangélicos, não há NADA mais potente do que a conversão e o arrependimento em cristo. Isso só dá mais força a ela. Sejamos mais espertos do que isso.
(Via Marlete Leal)
FONTE:
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Em O Conto da Aia, uma das formas mais perversas de controle é quando o próprio sistema coloca mulheres para vigiar, limitar e controlar outras mulheres. A hierarquia faz algumas acreditarem que possuem poder, quando na verdade também estão presas dentro da mesma estrutura.
Na política, muitas vezes mulheres são usadas como símbolos para aproximar discursos de determinados grupos de outras mulheres: para transmitir uma imagem de cuidado, família e representatividade. Mas quando esse papel deixa de ser conveniente, a voz delas pode ser ignorada e as decisões continuam concentradas nas mãos dos mesmos homens.
É nesse ponto que o feminismo se torna essencial: não para falar por todas as mulheres, mas para garantir que todas tenham o direito de falar, escolher e serem ouvidas com legitimidade. A luta pela igualdade de gênero busca romper com uma sociedade onde a voz das mulheres muitas vezes é aceita apenas quando está de acordo com aquilo que estruturas de poder já determinaram.
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