Censo: desmonte da educação estadual

Censo: desmonte da educação estadual

 

Censo Escolar 2025 escancara o desmonte da educação estadual no RS sob o governo Leite


Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com base nos dados mais recentes do Censo Escolar*, divulgados em março de 2026, revela um cenário alarmante na educação pública do Rio Grande do Sul. Longe de ser resultado do acaso, os números refletem escolhas políticas do governo Eduardo Leite (PSD) e Gabriel Souza (MDB), conduzido na Secretaria da Educação por Raquel Teixeira e sustentado na Assembleia Legislativa por sua base aliada. O que se observa é um processo contínuo de encolhimento da rede estadual, precarização do trabalho docente e enfraquecimento do papel do Estado na garantia do direito à educação.

>> Clique para conferir o estudo completo

A análise evidencia a diminuição de matrículas, o fechamento de escolas e turmas e o crescimento acelerado de vínculos precários entre docentes. Para o CPERS, os dados não apenas confirmam denúncias históricas da categoria, como expõem a responsabilidade direta do atual governo do Estado no agravamento da crise educacional.

*O Censo Escolar da Educação Básica é uma pesquisa estatística realizada anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em todo o território nacional. Trata-se de uma coleta declaratória feita diretamente pelas escolas. Esta é uma análise preliminar dos dados disponíveis e não contempla todos os indicadores; novos estudos, mais aprofundados, serão divulgados em breve. Acompanhe as redes sociais do CPERS para ficar por dentro das atualizações.

>> Confira, abaixo, os principais pontos da análise do DIEESE

> Queda de matrículas e avanço da rede privada

Entre 2019 e 2025, o número total de matrículas na educação básica no estado caiu 4,6%, com perda de mais de 105 mil estudantes. A redução foi muito mais intensa na rede pública (- 8,2%), enquanto a rede privada cresceu 10,8%.

Esse movimento não é neutro: ele revela a ausência de políticas públicas eficazes por parte do governo estadual para fortalecer a escola pública. Ao não garantir investimento, estrutura e valorização profissional, o governo Leite (PSD) empurra, na prática, estudantes para o setor privado, aprofundando desigualdades e fragilizando o caráter público da educação.

> Encolhimento acelerado da rede estadual

A rede estadual foi a mais atingida pelas políticas adotadas nos últimos anos. Entre 2019 e 2025, houve uma queda de 20,2% nas matrículas — menos 169 mil estudantes. Com reduções no: 

  • Ensino Fundamental: -18,5%;

  • Ensino Médio: -10,6%; e 

  • Educação de Jovens e Adultos (EJA): – 64,1%.

 

 

No mesmo período, 169 escolas estaduais foram fechadas (- 6,8%) e o número de turmas caiu cerca de 8,2% (-3.152). Esses dados demonstram uma política de retração da rede pública estadual. O fechamento de escolas e turmas, sem diálogo com as comunidades escolares, é uma escolha que penaliza principalmente as regiões mais vulneráveis, ampliando desigualdades e restringindo o acesso à educação.

> Precarização docente como política de governo

O estudo também revela a redução de 5,4% no número de docentes em sala de aula na rede estadual, com a perda de mais de dois mil profissionais. No entanto, o dado mais grave está na transformação dos vínculos de trabalho:

  • Queda de 43% no número de professoras(es) efetivas(os);

  • Aumento de 50% nos contratos temporários;

  • Em 2025, 64,7% das(os) docentes estão em vínculos precários.

 

 

 

Hoje, apenas 35,3% do magistério estadual é composto por profissionais concursadas(os) — índice inferior à média nacional e incompatível com qualquer discurso de valorização da educação.

Essa realidade não é acidental. A ausência de concursos públicos e a ampliação de contratos temporários são decisões do governo Leite (PSD) e de sua equipe, que optam por um modelo de gestão baseado na precarização do trabalho, na alta rotatividade e na fragilização da carreira docente. O impacto direto é a perda de qualidade no processo pedagógico e o enfraquecimento da escola pública.

> Ensino Médio: exclusão e falta de políticas estruturais

Apesar de concentrar cerca de 79% das matrículas do Ensino Médio no estado, a rede estadual não consegue garantir o acesso pleno à juventude:

  • Apenas 47,8% das(os) jovens de 14 a 18 anos estão no Ensino Médio;

  • 38,3% ainda estão no Ensino Fundamental;

  • 6,3% estão fora da escola sem concluir o Ensino Médio (cerca de 42 mil jovens).

Os dados evidenciam falhas estruturais profundas e a ausência de políticas consistentes de permanência e combate à evasão escolar — problemas que se agravam diante da falta de investimento e planejamento por parte do governo estadual.

> Tempo Integral sem estrutura adequada

Embora o Brasil tenha avançado na ampliação do Ensino em Tempo Integral, alcançando um marco em 2025 de 25,8% das matrículas da Educação Básica nesta modalidade, cumprindo a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), a rede estadual do Rio Grande do Sul, segue abaixo da média nacional:

  • 20,8% no Ensino Médio;

  • E apenas 12,1% na Educação Básica estadual.

A implementação do Tempo Integral, sem investimento em infraestrutura, pessoal e condições de trabalho, tem sido tratada mais como peça de propaganda do que como política educacional efetiva pelo governo Leite (PSD).

> Colapso da EJA expõe abandono social

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) sofreu um verdadeiro desmonte: queda de 64,1% nas matrículas e perda de quase 46 mil estudantes desde 2019.

 

 

 

O esvaziamento da modalidade ocorre justamente em um cenário em que milhares de jovens e adultos seguem fora da escola ou em atraso escolar. Trata-se de uma política de exclusão educacional, que ignora o direito à educação ao longo da vida e aprofunda desigualdades sociais históricas.

> Um projeto de desmonte da educação pública

Para o CPERS, os dados do Censo Escolar 2025, analisados até o momento, confirmam que o Rio Grande do Sul vive um projeto de desmonte da educação pública. A redução da rede estadual, a precarização do trabalho docente e a ausência de políticas estruturantes não são falhas pontuais, mas resultado direto das escolhas do governo Eduardo Leite (PSD), de sua equipe e de sua base política.

Enquanto o discurso oficial aposta em narrativas superficiais nas redes sociais, a realidade das escolas públicas revela abandono, falta de investimento e desvalorização das(os) educadoras(es).

> O CPERS reafirma a necessidade urgente de:

  • Investimento público adequado e transparente;

  • Realização de concursos públicos;

  • Valorização da carreira;

  • Fortalecimento da rede estadual;

  • Políticas de acesso, permanência e inclusão.

> 2026: ano decisivo para mudar os rumos da educação no RS

Diante desse cenário, 2026 se coloca como um ano decisivo. Com a proximidade das eleições, a educação pública precisa estar no centro do debate. É o momento de questionar: qual projeto de educação queremos para o Rio Grande do Sul?

Mais do que promessas e discursos vazios, é fundamental exigir compromissos concretos com a reconstrução da escola pública, com a valorização profissional e com políticas que garantam acesso, permanência e qualidade. A mudança dessa realidade passa pela participação consciente da sociedade e pela escolha de projetos que, de fato, rompam com o ciclo de precarização e descaso que hoje marca a educação estadual.

 

FONTE:

https://cpers.com.br/censo-escolar-2025-escancara-o-desmonte-da-educacao-estadual-no-rs-sob-o-governo-leite/?fbclid=IwY2xjawQxXxNleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeIPMUDC72tfhuZSVoN1n-9LX_prYoy2sLhUR1DppG8ViULtlBmBTBtfi3i0U_aem_bUCyVc9XWdeISChBCJvkMQ 




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