Combate a corrupção

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O Brasil está diante de dois grandes escândalos que atingem justamente quem mais precisa de proteção: aposentados, pensionistas e servidores públicos.

De um lado, a Operação Sem Desconto revelou um esquema de descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS. Milhões de brasileiros foram atingidos por cobranças que, em muitos casos, sequer reconheceram ou autorizaram.

As investigações da Polícia Federal e da CGU apontaram uma estrutura envolvendo entidades, empresas, intermediários e grandes movimentações financeiras. No centro das apurações aparece Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além de outros investigados, incluindo o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.

Do outro lado, o caso Banco Master colocou sob investigação bilhões de reais relacionados a fundos previdenciários de servidores estaduais e municipais.

Levantamentos apontaram a exposição de diversos regimes próprios de previdência a títulos do Banco Master, incluindo valores expressivos do Rioprevidência e de outros institutos. A Operação Compliance Zero e outras investigações passaram a apurar possíveis irregularidades, responsabilidades e a forma como esses investimentos foram autorizados.

São dois casos diferentes, mas existe uma questão em comum: dinheiro que deveria servir para garantir o futuro de trabalhadores e aposentados acabou envolvido em estruturas que hoje estão sob investigação.

No caso do INSS, dinheiro foi retirado diretamente de benefícios de aposentados e pensionistas.

No caso dos fundos previdenciários, recursos destinados às aposentadorias futuras de servidores foram colocados em investimentos que posteriormente se tornaram alvo de investigações e, no caso do Master, culminaram na liquidação do banco pelo Banco Central.

Isso exige uma pergunta simples: quem autorizou, quem recebeu, quem facilitou, quem fiscalizou e, principalmente, para onde foi o dinheiro?

Também é preciso ter responsabilidade: investigado não é condenado, indiciado não significa culpado e uma relação empresarial, endereço ou contador em comum, por si só, não prova participação em crime.

Mas conexões que surgem durante uma investigação não podem simplesmente ser ignoradas. Precisam ser esclarecidas pelas autoridades competentes, com documentos, movimentações financeiras e provas.

E não pode existir uma régua para aliados e outra para adversários.

Se houver envolvimento de políticos, empresários, servidores públicos ou intermediários, independentemente do partido, todos devem responder na medida de sua responsabilidade.

O dinheiro da Previdência não pertence à esquerda nem à direita. Não pertence a Lula, Bolsonaro, partidos ou grupos políticos.

PERTENCE AOS TRABALHADORES, APOSENTADOS, PENSIONISTAS E SERVIDORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA TER SEGURANÇA NO FUTURO.

O Brasil precisa parar de discutir esses escândalos apenas como disputa política e começar a discutir como patrimônio público e previdenciário foi administrado.

É preciso seguir o dinheiro até o último beneficiário, recuperar cada centavo possível e responsabilizar quem tiver cometido irregularidades.

Quem roubou deve pagar.

Quem fraudou deve responder.

Quem facilitou deve ser investigado.

Quem fiscalizou mal precisa explicar.

E quem é inocente deve ter seu nome preservado.

A Previdência não pode ser instrumento de enriquecimento, negócio político ou oportunidade para poucos.

APOSENTADORIA É DIREITO.

DINHEIRO PREVIDENCIÁRIO É PATRIMÔNIO DO TRABALHADOR.

E CADA CENTAVO PRECISA SER PROTEGIDO.

Edivaldo Cesco




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