Controvérsias no debate

Controvérsias no debate

 

 

 

Kelly Maria Ferreira     

11/03/2026

 

Duas mortes em 2020 acabaram entrando no debate político brasileiro: a do miliciano Adriano da Nóbrega e a do ex-ministro Gustavo Bebianno. Os dois tiveram ligação com o ambiente político de Jair Bolsonaro em algum momento, mas os casos são diferentes.

Adriano Magalhães da Nóbrega foi capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro e integrante do BOPE. Depois de sair da corporação, passou a ser apontado por promotores e investigadores como um dos líderes de milícia na zona oeste do Rio.

Ele era ligado ao grupo conhecido como “Escritório do Crime”, formado por policiais e ex-policiais que atuariam como executores de assassinatos por encomenda e também estariam envolvidos em atividades típicas de milícia.

As investigações do Ministério Público do Rio apontavam que grupos desse tipo lucravam com:

- extorsão de moradores e comerciantes

- cobrança de taxas de “segurança”

- monopólio de serviços como transporte alternativo e venda de gás

- agiotagem

- ocupação irregular de terras e construções ilegais

Em janeiro de 2019, na chamada Operação Os Intocáveis, a Justiça decretou a prisão de Adriano. Ele passou a ser considerado foragido.

No dia 9 de fevereiro de 2020, Adriano foi localizado em um sítio na zona rural de Esplanada, no interior da Bahia.

A operação foi feita por policiais da Bahia com cooperação de agentes do Rio de Janeiro, já que ele era investigado naquele estado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, os policiais foram ao local para cumprir o mandado de prisão. A versão oficial diz que Adriano reagiu, houve troca de tiros e ele acabou baleado.

Ele foi levado a um hospital da região, mas morreu pouco depois.

A perícia oficial do estado concluiu que a morte ocorreu durante o confronto armado.

Apesar da versão oficial, o caso gerou polêmica.

Fotos do corpo divulgadas na imprensa levantaram dúvidas entre alguns especialistas consultados por jornalistas, que disseram que determinados ferimentos poderiam indicar disparos a curta distância.

Familiares e advogados de Adriano levantaram a hipótese de execução para evitar que ele revelasse informações sobre milícias.

O governo da Bahia e a perícia oficial contestaram essa interpretação e mantiveram a conclusão de que houve confronto com a polícia.

Outro episódio que aumentou a discussão pública foi o pedido de cremação do corpo.

Depois da morte, a família pediu autorização para cremar o corpo no Rio de Janeiro.

Como a morte ocorreu em circunstâncias violentas, a lei exige autorização judicial para cremação. A Justiça decidiu impedir a cremação naquele momento para preservar o corpo caso novas perícias fossem necessárias.

O Ministério Público também defendeu a preservação do corpo para análises complementares sobre os disparos.

O senador Flávio Bolsonaro também se manifestou publicamente contra a cremação. Ele disse que a destruição do corpo poderia impedir a análise completa das circunstâncias da morte.

A Justiça manteve a decisão de impedir a cremação para preservar possíveis provas.

O nome de Adriano apareceu em debates políticos porque familiares dele trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual no Rio.

Adriano também havia recebido uma homenagem na Assembleia Legislativa anos antes.

Além disso, o grupo Escritório do Crime apareceu em linhas de investigação relacionadas ao assassinato da vereadora Marielle Franco, porque era conhecido por atuar com execuções por encomenda.

Mesmo assim, Adriano nunca foi denunciado formalmente como autor ou mandante do assassinato de Marielle.

Gustavo Gustavo Bebianno era advogado e participou da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Depois da eleição ele assumiu o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Ele deixou o governo em fevereiro de 2019 após um conflito público com Carlos Bolsonaro.

Depois disso passou a criticar o governo e se aproximou de outros grupos políticos.

Em 2020 ele se preparava para disputar a prefeitura do Rio de Janeiro.

Na madrugada de 14 de março de 2020, Bebianno estava em seu sítio em Teresópolis, na região serrana do Rio.

Ele passou mal durante a madrugada e foi levado ao hospital, mas chegou já em parada cardiorrespiratória.

O laudo do Instituto Médico Legal concluiu que a causa da morte foi infarto agudo do miocárdio.

Durante o mal-estar ele caiu e bateu a cabeça, mas os exames apontaram que o ferimento foi consequência da queda, não a causa da morte.

A morte gerou comentários porque Bebianno vinha fazendo críticas ao governo e havia participado de entrevistas políticas poucos dias antes.

Alguns amigos pediram que o caso fosse investigado com cuidado por causa do contexto político.

A Polícia Civil analisou as circunstâncias da morte e não encontrou indícios de crime. A conclusão oficial permaneceu sendo morte natural causada por infarto.

No caso de Adriano da Nóbrega, a investigação oficial afirma que ele morreu em confronto com a polícia durante uma operação para cumprir mandado de prisão. A divulgação de fotos do corpo e o contexto das investigações sobre milícias geraram suspeitas e debates públicos, mas a conclusão oficial não mudou.

No caso de Gustavo Bebianno, a investigação concluiu que a morte foi causada por infarto e não foram encontrados indícios de crime.

Por isso os dois episódios costumam aparecer juntos em discussões políticas, mas as conclusões oficiais são diferentes: um envolve uma morte em operação policial cercada de controvérsias, enquanto o outro foi registrado como morte natural.

FONTE:

https://www.facebook.com/raquel.ferreira.824546  




ONLINE
21