CPERS define ações para o próximo período

Conselho Geral: CPERS define ações para o próximo período
Nesta sexta-feira (10), conselheiras e conselheiros do CPERS reuniram-se na sede do Sindicato, em Porto Alegre, para um encontro marcado pelo diálogo e pela construção coletiva. Durante a atividade, educadoras e educadores debateram propostas e estratégias para o próximo período, analisando o cenário atual da educação pública e os desafios enfrentados pela categoria. A reunião também foi um espaço de escuta, troca de experiências e fortalecimento da unidade, reafirmando o compromisso com a luta, a resistência e a defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação.

No início da atividade, foi realizado um importante debate sobre a inclusão escolar e o processo de integração de estudantes atípicos. A presidente do CPERS, Rosane Zan, destacou que, durante a Caravana do Sindicato, encerrada nesta quinta-feira (9) e que percorreu os 42 núcleos do Sindicato, visitando 515 escolas em 186 municípios, esta pauta esteve fortemente presente nas escolas visitadas, revelando uma realidade ainda distante do ideal nas práticas educacionais. “O que temos nas escolas é uma falsa inclusão. Em uma escola que visitei em Rio Grande, perguntei a um professor como estava a situação e ele respondeu: ‘Poderia estar melhor. Tenho uma turma com 10 estudantes atípicos e 15 típicos. Gostaria muito de dar mais atenção aos alunos atípicos, mas os demais também precisam de mim’. Então, essa escola inclusiva de que o governo Eduardo Leite fala não existe, pois não temos suporte para isso”, afirmou.

Na sequência, a doutora em Educação, com pesquisa na área do Transtorno do Espectro Autista e na Teoria da Subjetividade, diretora da CoNéctar, vice-presidente do Fórum pela Inclusão Escolar de Porto Alegre e conselheira no Conselho Estadual de Educação (2024-2026), Dra. Karla Fernanda Wunder da Silva, também explanou sobre o tema. A educadora ressaltou que a inclusão é um processo irreversível e que demanda, cada vez mais, investimento público e acolhimento por parte das educadoras e dos educadores. “Hoje não perguntamos mais por que esses alunos estão aqui, mas por que já não estavam antes. Isso é justiça social”, destacou.
Karla chamou atenção para a ideia de que o cansaço das(os) professoras(es) estaria diretamente ligado à inclusão. Para ela, essa percepção precisa ser revista. “A educação sempre teve problemas, a inclusão apenas evidenciou o quanto a educação pública já está fragilizada”, frisou.

Outro ponto destacado foi a necessidade de melhores condições de trabalho. Para a especialista, a inclusão exige investimento, formação adequada, colaboração entre profissionais e tempo para planejamento pedagógico. “Precisamos parar de apenas preencher planilhas e garantir tempo real para planejar. Esse professor precisa de condições para desenvolver seu trabalho”, apontou.
Ao final, a educadora reforçou que a escola precisa se reinventar para atender à diversidade das(os) sujeitas(os). “A escola precisa ser maleável, precisa se adaptar aos estudantes — e não o contrário. Ela é uma engrenagem que depende de todos para funcionar bem”, concluiu.

Ao final da palestra, Rosane destacou que a Caravana do CPERS teve um papel especialmente significativo ao promover o diálogo direto com a base e evidenciar os desafios enfrentados nas instituições de ensino públicas. “A escola inclusiva ainda é um desafio muito grande para a educação pública. Por isso, a Caravana foi muito importante. Levando nossos educadores a refletir que projeto de educação pública queremos para o Rio Grande do Sul. Uma escola inclusiva, laica, de qualidade para todos e todas”.
Caravana do CPERS convoca categoria à mobilização
Em um balanço geral da Caravana, a presidente Rosane afirmou que a iniciativa vai além das visitas, ao garantir a presença nas escolas e fortalecer o diálogo e a escuta da categoria. “Seguiremos na luta em defesa da dignidade no trabalho da nossa categoria, constantemente ameaçada por práticas que, muitas vezes, se aproximam do assédio moral”.

Ainda sobre as planilhas, que representam a sobrecarga de trabalho, Rosane reforçou a necessidade de construção coletiva de soluções. “Temos que achar, sim, uma forma de construir respostas coletivas na defesa de uma escola pública laica, democrática, inclusiva e socialmente referenciada”, concluiu.
Não venda a minha escola
Outro importante ponto que marcou o Conselho foi quanto à importância de intensificar a mobilização contra a privatização da educação pública no Rio Grande do Sul, especialmente diante do avanço do projeto de Parcerias Público-Privadas (PPPs), recentemente confirmado pelo governador Eduardo Leite (PSD). Como parte dessa luta, está sendo organizado um ato estadual no dia 5 de maio, em frente a uma das 98 escolas incluídas na lista das PPPs, com a construção conjunta junto à Frente dos Servidores Públicos do RS, ampliando a unidade em defesa do serviço público.
Além disso, o tema será central no XII Congresso Estadual do Sindicato, onde serão debatidos os próximos passos da luta da categoria. A estratégia também passa pela articulação com movimentos sociais nos 15 municípios atingidos, buscando fortalecer a mobilização das comunidades escolares e ampliar a conscientização sobre os impactos das PPPs.
No âmbito nacional, o CPERS levará à CNTE a necessidade de retomar a mobilização em todo o país contra esse modelo, especialmente diante dos leilões que vêm sendo realizados. Paralelamente, os núcleos do Sindicato estão orientados a promover, no dia 15 de abril, reuniões com as escolas diretamente afetadas, fortalecendo o diálogo com as(os) trabalhadoras(es) da educação e as comunidades.
A luta contra as PPPs é uma luta em defesa da escola pública, gratuita e de qualidade, e exige organização, unidade e mobilização permanente para enfrentar um projeto que ameaça o caráter público da educação no estado.
Pautas aprovadas
Além da pauta central de enfrentamento às PPPs e da defesa de uma educação pública inclusiva, o Conselho Geral também definiu importantes encaminhamentos que reforçam a organização e a mobilização da categoria diante dos desafios atuais.
Entre as deliberações, está a participação ativa no 1º de Maio – Festival das(os) Trabalhadoras(es): Luta, Cultura e Arte, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT – RS) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), fortalecendo a unidade da classe trabalhadora nas regionais e sindicatos filiados. Também foi encaminhada a elaboração e ampla divulgação de um documento denunciando as condições enfrentadas nas escolas da rede estadual, a partir das seis semanas da Caravana do CPERS. O material irá expor problemas como a falta de funcionárias(os) e a sobrecarga de trabalho, dando visibilidade à realidade vivida pelas(os) educadoras(es) em diferentes municípios.

Outra medida importante é o lançamento, no dia 15 de abril, de um abaixo-assinado junto à categoria, com o objetivo de denunciar a intensificação da sobrecarga de trabalho, especialmente por meio da exigência excessiva de preenchimento de planilhas. A iniciativa busca ampliar a pressão e dar voz às(os) trabalhadoras(es) da educação, evidenciando os impactos concretos das políticas em curso.
Essas ações se somam à luta mais ampla do CPERS contra a precarização e a privatização da educação pública, reafirmando a necessidade de mobilização coletiva, denúncia permanente e construção de alternativas que garantam condições dignas de trabalho e uma escola pública de qualidade para todas e todos.

Mais fotos no link abaixo
FONTO:
https://cpers.com.br/conselho-geral-cpers-define-acoes-para-o-proximo-periodo/






