Cpers denuncia plano do governo

Cpers denuncia plano do governo

Cpers denuncia plano do governo Eduardo Leite para leiloar 98 escolas estaduais 

Manifestação em Porto Alegre reuniu educadores, estudantes e comunidade escolar contra projeto de PPPs na educação estadual

Da redação  Publicado em 14 de maio de 2026
Cpers denuncia plano do governo Eduardo Leite para leiloar 98 escolas estaduais

A presidente do Cpers Rosane Zan afirmou que a mobilização continuará até a data prevista para o leilão.
“A escola pública pertence ao povo e não pode ser entregue à iniciativa privada”, disse
Foto: Cpers/Divulgação

 

Centenas de educadoras, educadores, estudantes e representantes da comunidade escolar participaram, nesta terça-feira, 12, de uma mobilização organizada pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), em Porto Alegre, contra o projeto do governo de Eduardo Leite, que prevê a concessão de 98 escolas estaduais à iniciativa privada por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O ato ocorreu em frente à Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Medianeira, na zona sul da Capital, uma das instituições incluídas no leilão marcado para o dia 26 de junho, na Bolsa de Valores de São Paulo. A escola se tornou símbolo da resistência ao projeto, criticado por entidades sindicais e pela comunidade escolar.

Segundo o sindicato, o governo estadual pretende destinar mais de R$ 4,5 bilhões em recursos públicos para contratos privados ao longo de 25 anos. Para o Cpers, a proposta ameaça a autonomia das escolas, as condições de trabalho dos profissionais da educação e a gestão democrática do ensino público.

A mobilização também buscou alertar a população sobre os impactos das PPPs na educação pública gaúcha. A entidade critica, entre outros pontos, a previsão contratual de fiscalização terceirizada dos serviços prestados pelas concessionárias, o que, segundo o sindicato, fragilizaria o controle público sobre as instituições.

Desde o anúncio do projeto, o Cpers afirma atuar contra a implementação das PPPs em diferentes espaços de debate e mobilização. Em 2025, em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a entidade lançou a campanha “Não Venda a Minha Escola”, voltada à denúncia dos impactos da privatização das escolas estaduais.

Durante o ato, professores, funcionários de escola, estudantes e familiares manifestaram preocupação com a perda de autonomia das instituições e com a transferência de recursos públicos para empresas privadas, enquanto persistem problemas estruturais na rede estadual de ensino.

A presidente do Cpers, Rosane Zan, criticou a duração prevista dos contratos e os valores envolvidos no projeto. “Serão 25 anos de concessão. Estamos falando de uma escola organizada e estruturada, utilizada pelo governo como justificativa para avançar sobre a gestão democrática”, afirmou.

Segundo Rosane, os R$ 4,5 bilhões previstos para as PPPs representariam cerca de R$ 154 mil mensais por escola. “Esses recursos poderiam ser aplicados diretamente pelas próprias instituições para melhorar ainda mais a estrutura e as condições de ensino”, declarou.

A diretora da EEEF Medianeira, Andréa Rey Alt Iessim, também demonstrou preocupação com os efeitos da proposta sobre a comunidade escolar. “Se há recursos, nós mesmos temos condições de administrar e cuidar da nossa instituição. Há mais de 38 anos mantemos essa escola funcionando com apoio da comunidade escolar”, afirmou.

A estudante Mayara dos Anjos defendeu a permanência da escola sob gestão pública. “Nós merecemos estudar e ter acesso a uma educação de qualidade. A escola faz parte da nossa vida e da nossa comunidade”, declarou.

A diretora do 39º Núcleo do Cpers, Neiva Lazzarotto, destacou que 32 das 98 escolas previstas no projeto estão localizadas em Porto Alegre. “Não vamos permitir que entreguem nossas escolas à iniciativa privada”, afirmou.

Representantes de outras instituições incluídas na proposta também participaram do ato. A diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) de Sapucaia do Sul, Nivea Luiza Bastos Boavista, criticou a transferência da gestão escolar para empresas privadas. “Querem entregar nossas escolas para grupos que não conhecem a realidade da comunidade escolar gaúcha”, declarou.

Após o ato, os participantes seguiram em caminhada até o Estádio Olímpico Monumental, denunciando os impactos das PPPs na educação pública estadual. Com faixas, cartazes e palavras de ordem, a mobilização defendeu a manutenção da gestão pública das escolas estaduais.

Ao encerrar o ato, Rosane Zan afirmou que a mobilização continuará até a data prevista para o leilão. “A escola pública pertence ao povo e não pode ser entregue à iniciativa privada”, disse.

Mesmo diante das críticas de trabalhadores da educação, estudantes e famílias, o governo estadual mantém o cronograma do projeto. O Cpers informou que seguirá mobilizado para tentar impedir a concessão das 98 escolas estaduais.

Edição executiva: César Fraga | Com informações do Cpers-Sindicato

FONTE:

https://www.extraclasse.org.br/movimento/2026/05/cpers-denuncia-plano-do-governo-eduardo-leite-para-leiloar-98-escolas-estaduais/ 




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