Crise no STF

Vamos botar os pés na terra e partir para a ofensiva. Não dramatizar para não sermos acuados pelos verdadeiros bandidos. Agir com moderação e em profundidade.
Acompanho a vida jurídica, política e moral dos Tribunais do país desde os 17 anos, desde 1964, portanto, quando meu pai, Adelmo Simas Genro, teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos.
Meu pai constava na primeira lista de políticos "subversivos", cassados pelo regime, porque, estando como Prefeito de Santa Maria pelo velho PTB de Jango e Brizola, defendeu a resistência ao golpe militar de 64. O mesmo que levaria o país a ter que aguentar 20 anos de uma ditadura, que mutilou uma geração inteira e o próprio sentido democrático que orientava a juventude da época para uma nova ideia de nação.
Olhando de uma maneira serena e com certa frieza, que deve estar na base de uma boa iniciativa política democrática, me apresso em dizer que os 4 anos de Governo Bolsonaro produziram mais danos morais, humanos, políticos e econômicos ao país do que todo o regime militar em 20 anos, porque é mais fácil enfrentar um adversário ou inimigo com um projeto explícito do que lutar contra um bando de celerados, cujas políticas negacionistas — por exemplo — nos levaram a 800 mil mortes, cujos autores saíram, em regra, impunes e ainda respeitados por uma certa elite política nacional adoradora dos EUA e de Donald Trump.
Logo depois da sua "cassação", meu pai foi expulso do Magistério Estadual do Rio Grande do Sul sem direito à defesa e, como ele ainda não tinha terminado seu curso de Direito, ficamos — o mais "velho" do nosso grupo de seis irmãos tinha 19 anos — numa situação insólita para sobreviver, sem o nosso pai e mantenedor, que logo foi recolhido preso num dos quartéis da cidade.
Ficamos todos confusos sobre o que fazer. Um pouco antes do seu recolhimento por uma viatura do Exército Nacional, ele simplesmente nos chamou e disse aos dois irmãos mais velhos (um era eu): "cuidem da mãe de vocês e procurem emprego, não dramatizem, eu vou voltar".
Na época, a ditadura ainda não tinha construído seus aparatos de repressão e tortura paralelos e, nas cidades médias e pequenas, dependendo do Comando Militar da área, ainda se respeitava algo do "devido processo legal".
Este episódio me influenciou muito, pois, naquele momento, em que eu estava numa Escola Agrotécnica para cursar depois a Faculdade de Agronomia, decidi mudar de rumo e candidatar-me ao vestibular para entrar num Curso de Direito.
Como estudioso do Direito, militante político permanente e atuando profissionalmente como advogado durante décadas, me relacionei com profissionais de infinitas especialidades e cidadãos — empresários, trabalhadores, homens e mulheres integrantes do Sistema de Justiça de todos os naipes, desempregados e intelectuais, jornalistas e personalidades políticas nacionais e internacionais.
Com a maioria das pessoas que encontrei no curso da minha já longa trajetória de vida, aprendi que a maior parte destas — com a evidente exceção dos fascistas, extremistas e psicopatas de todos os naipes — quer apenas viver em paz e fruir a vida. E que elas sempre têm algo de positivo para legar à Humanidade.
A partir dessa experiência intelectual, moral e prática profissional, contribuo com as seguintes conclusões para pensarmos sobre como sair desta crise que permeia atualmente o STF:
1. Nem de longe esta é a maior crise da História do STF, pois a sua crise mais estrutural e mais desavergonhada foi na vigência do AI-5, quando a Corte se especializava em encobrir as violências do regime e a corrupção estrutural dos políticos da ditadura e da sua alta burocracia, que a imprensa sequer podia investigar;
2. Estão a olhos vistos, neste momento, comportamentos pelo menos irregulares de uma parte dos Ministros do STF, que podem ser ilegais e ilegítimos (e, se provados, rigorosamente punidos), mas a maioria dos Ministros da Corte tem condições de investigar — se não se "partidarizarem" artificialmente nos seus conflitos internos — e assumir uma postura de Magistrados pautados pela neutralidade formal e material para aplicação da Lei;
3. A instituição (Congresso Nacional, pela sua maioria) que será mais beneficiada com o "escândalo" em curso será precisamente aquela que está mais infiltrada pela corrupção, pela misoginia, pelo adesismo à tortura e pelo fisiologismo (Câmara e Senado), cuja naturalização dos seus líderes e facínoras reconhecidos foi feita por aquela parte da grande imprensa que pretende hoje representar a honra nacional (nos ajudam os bons jornalistas que lutam para serem isentos no caos informacional em que estamos metidos globalmente!);
4. Protocolos formais de conduta dos Ministros das Altas Cortes, como propõe o Ministro Edson Fachin, podem ajudar o país a sair desse imbróglio mais rapidamente do que gostariam os fascistas e a extrema direita, abrigadas novamente no meio das verdades e mentiras que sempre circulam em situações instáveis como essa.
O mundo da política democrática hoje, em todo o planeta, é um pantanal de verdades, mentiras e manipulações algorítmicas que fazem das notícias mercadorias concorrentes para a manipulação das consciências da cidadania e para orientar os padrões dos melhores investimentos no cassino financeiro (e especulativo) global.
Na grande imprensa a fila sempre anda.
Vamos brigar para vencer no primeiro turno
FONTE:
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André Mendonça não tem autoridade moral, na minha opinião, para fazer o que está fazendo.
Alguém tem opinião diferente?
Ele retirou o sigilo, determinou que a PF identificasse o interlocutor das mensagens de Vorcaro e colocou o caso envolvendo Alexandre de Moraes no centro do debate público. Fez isso invocando a “legitimidade das instituições” e o direito da sociedade de conhecer os fatos.
Só que, a mesma régua não está valendo para todos os envolvidos.
Quando o assunto é a relação íntima e milionária de Flávio Bolsonaro com o mesmo Daniel Vorcaro, mensagens de “irmão”, cobranças de dezenas de milhões relacionadas ao filme Dark Horse e encontros, inclusive após a prisão do banqueiro, Mendonça não demonstrou, até aqui, o mesmo apetite foraz.
Não houve o mesmo movimento de exposição pública. Não houve o mesmo rigor aparente. A seletividade é gritante.
E tem mais.
Mendonça também possui conexões que, na minha opinião, merecem escrutínio quando se discute sua relação com o entorno de Vorcaro. A ligação com a Igreja Batista da Lagoinha, onde o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como pastor, não é um detalhe irrelevante.
Seu Instituto Iter também faturou com contratos públicos, inclusive com entidades ligadas a municípios que investiram no Banco Master e posteriormente amargaram prejuízos.
Isso não prova, por si só, crime ou irregularidade. Mas levanta questões legítimas sobre independência, proximidade e conflito de interesses que também deveriam ser esclarecidas.
E existe ainda o problema do método.
Transformar uma investigação ainda em apuração em combustível para uma disputa política, às vésperas de uma eleição e ocupando a vice-presidência do TSE, está longe de transmitir a imagem de neutralidade institucional.
É obvio que Moraes precisa esclarecer o que as mensagens eventualmente revelam.
Mas Mendonça também não pode se apresentar como guardião da pureza institucional enquanto, aplica rigor diferente conforme o personagem envolvido e carrega suas próprias contradições.
O problema não é apenas o conteúdo das mensagens sobre Moraes.
É também a postura de quem, usando a autoridade de uma toga, escolhe seletivamente quem merece ser exposto e quem merece ser poupado.
É legítimo perguntar se a divulgação dessas informações neste momento foi necessária para a investigação ou se poderia ter aguardado a conclusão de determinadas etapas processuais.
Também é legítimo perguntar quais critérios foram utilizados para retirar o sigilo e dar publicidade a determinados elementos.
Essas perguntas não significam defender Moraes.
Se as mensagens atribuídas a Vorcaro indicam uma relação inadequada com Alexandre de Moraes, isso precisa ser rigorosamente apurado.
Mas a mesma pergunta precisa valer para todos:
Quais são os fatos? Quais são as provas? Quem deve ser investigado? E quais critérios estão sendo utilizados para decidir o que merece publicidade?
Moraes deve responder pelos fatos que lhe dizem respeito.
Flávio Bolsonaro deve esclarecer sua relação com Vorcaro naquilo que for objeto de investigação.
Não se trata de defender um ministro e atacar outro.
Trata-se de exigir a mesma régua para todos.
Transparência precisa ser princípio, não instrumento escolhido conforme o viés politico ou religioso.
Porque transparência de mão única não é transparência.
É seletividade revestida de discurso moral.
FONTE:
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Resumo
1. Vorcaro é um escroque. Banqueiro bandido que lava dinheiro para outros bandidos (crime organizado, igrejas evangélicas, corruptos em geral);
2. Vorcaro comprava proteção, segundo dizem, contratando parentes de ministros do STF (Alexandre de Moraes, Fux, Kássio) para não fazerem nada a preços exorbitantes e fora dos padrões de mercado, fazia negócios com outros (Toffoli) e corrompia altos funcionários e políticos com viagens de jatinho, bacanais com prostitutas estrangeiras, degustação de produtos caríssimos ou com outros mimos;
3. Vorcaro aparentemente era o caixa 2 da extrema-direita e alimentou a corrupção da família Bolsonaro com a farsa do financiamento de um filme.
4. Vorcaro era “irmãozão” do Flávio Bolsonaro que extorquiu 61 milhões do escroque (depositados no exterior), foi visitá-lo depois de preso e recebeu, via nota fiscal, outros 500 mil reais, no Brasil.
5. Vorcaro era parceiro de Alexandre de Moraes, a quem afirmou ter “dívida de vida”, que lhe prestava, segundo divulgado, algum tipo de informação privilegiada, revisava contratos fictícios de prestação de serviços, e aconselhava o escroque;
6. Alexandre de Moraes é consequência do Golpe de 2016. A traição de Temer com o apoio da mídia hereditária oportunizou a indicação e a nomeação dele para o STF;
7. Alexandre de Moraes, historicamente ligado à Direita, quando se sentiu ameaçado pela extrema-direita golpista, que planejou assassiná-lo, reagiu e efetivamente teve um papel relevante nas condenações dos golpistas de 8 de janeiro;
8. Vorcaro tinha ligações com André Mendonça, evangélico como ele, a quem foi visitar secretamente;
9. André Mendonça foi indicado como Ministro por Bolsonaro e não esconde sua ligação com a família miliciana e foi voto vencido em vários julgamentos polêmicos que direta ou indiretamente contrariavam os interesses da extrema-direita;
10. André Mendonça, a 32 dias das eleições, resolve incendiar o país com o objetivo de deslegitimar Alexandre de Moraes e as próprias condenações dos golpistas e principalmente de Jair Bolsonaro, responsável por sua nomeação;
11. André Mendonça tem como principal assessor um delegado da PF intimamente ligado ao javajatismo e aos grupos de extrema direita na polícia federal;
12. Alexandre de Moraes (indicado pelos golpistas de 2016) por um lado, e Flavio Bolsonaro e André Mendonça (indicado pelos golpistas de 8 de janeiro de 2023) por outro lado, compõem facetas de uma guerra de facções (ambas financiadas por Vorcaro) que se opera dentro da extrema-direita, demonstrando a existência de uma relação totalmente contaminada por imoralidades e ilegalidades diversas;
13. Essa bucha não é da esquerda, não é do PT, não é do Governo. Trata-se de uma guerra intestina (escolhi o adjetivo) no campo da direita e da extrema-direita.
Xixo, 02 de setembro de 2026
FONTE:
https://www.facebook.com/xixo1234?locale=pt_BR
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