Críticas ao lulismo

Críticas ao lulismo

 

 

Eu resolvi elaborar esse post porque observo que muita gente vive neste país sem de fato firmar os pés na realidade, decerto por excesso de consumo de propaganda partidária, inclusive de propaganda partidária petista, segundo a qual vivemos num país que até pode ter problemas, mas seu atual governo é inerrável...

Toda escolha e prática política gera consequências, às vezes muito positivas, noutras, só aparentemente muito positivas. Aparentemente.

Ou, limitadas mesmo, dentro de um capitalismo profundamente desigual.

Na prática, o lulismo gerou efeitos bem duros pra classe trabalhadora, ainda que muitas vezes mascarados por melhorias pontuais.

O primeiro impacto é a consolidação da pobreza como algo administrável, não eliminável...

Isso deveria acender o alerta imediatamente, caso não fôssemos um povo tão religioso, que costuma ter dependência crônica por messianismos.

A verdade é que pra compreender política de fato você precisa de um olhar mais cético. Menos emocionado.

Programas de transferência de renda e inclusão de consumo aliviam a miséria extrema, mas não mexem nos pilares que produzem essa miséria: estrutura tributária regressiva, concentração fundiária, sistema financeiro dominante e dependência de commodities. É isso que produz pobreza estrutural. Se nada sequer trinca esses pilares, não serão promessas e medidas paliativas eleitoreiras que solucionarão algo tão profundo.

O resultado é um país onde milhões entram no mercado consumidor sem sair da precariedade estrutural.

Só interessa consumir, pra que o mercado e seus senhores lucrem. Transformação social nunca foi a intenção deste projeto.

Outro efeito é a integração subordinada ao mercado global, baseada em exportação de soja, minério e petróleo. Isso significa crescimento econômico dependente de ciclos externos e vulnerável a crises internacionais. Quando o preço das commodities cai, quem paga a conta é sempre o trabalhador. Daí tome desemprego, corte de gastos sociais e arrocho fiscal.

Pros mais pobres a conta da caridade verticalizada chamada ~programas/políticas sociais~ sempre chega.

Já pros ricos, o Estado é sempre servil, sempre generoso, sempre obediente.

E não, pra esses, não tem conta nenhuma a chegar.

Não esqueçamos a financeirização silenciosa da vida cotidiana. Mesmo com políticas sociais, o Estado não rompe com o poder dos bancos, ao contrário, convive e negocia com ele bem pianinho. Isso mantém juros altos, crédito caro e endividamento estrutural das famílias - especialmente das mais pobres, que passam a sobreviver no limite do crédito rotativo e do consignado...

Isso parece que muita gente não enxerga.

Ou não pretende enxergar, pra não perder a fé.

Eu até compreendo, mas não quero aderir.

Posso, não querer?

No campo do trabalho, o lulismo não enfrentou a fundo a precarização estrutural. Houve formalização em certos períodos, mas sem mudança no padrão produtivo. Com isso, quando o ciclo econômico desacelerou, porque SIM, DESACELEROU, a informalidade se aprofundou com força. Hoje isso é absolutamente visível no boom da uberização, dos bicos apelidados fofamente de free-lancer🙄, do trabalho intermitente normalizados...

Politicamente, um dos efeitos mais profundos e devastadores disso é também a desmobilização da classe trabalhadora como sujeito coletivo. Efeito esse, projetado, afinal ele é óbvio.

Historicamente, a mediação institucional forte, via Estado e partidos, substituiu a organização de base. Isso reduz a capacidade de pressão social e enfraquece sindicatos e movimentos, que passam a operar mais como negociadores do sistema do que como forças de confronto...

E eu sinceramente acredito que a coisa foi tão "bem feita" que muita gente hoje em dia sequer tem noção do quanto o que foi perdido é essencial.

E muitos se perguntam porque hoje somos um povo em maioria tão acomodado, tão incapacitado pra lutar por algo...

Lutar pra quê? Se temos um herói nacional vivo, sempre pronto a nos salvar!🙄

Autonomia popular pra quê?

Essa é uma consequência estrutural. O lulismo ajudou a produzir uma espécie de “paz social", muito precária, baseada em consumo e crédito, não em direitos universais robustos. Quando a economia cresceu na época do boom das commodities, isso até funcionou. Quando passou, o ajuste caiu com força sobre os mais pobres e o sistema seguiu intacto.

E o que virá, é o aprofundamento desse ajuste, moendo a classe trabalhadora um tanto mais.

Afinal, aguentamos até agora né?

Vamos nos sacrificar mais, é tudo pela democracia!🤡

Tudo pela nossa soberania!🤡

E já que estou falando de consequências, é fundamental findar isso aqui falando que insegurança financeira, arrocho e políticas sociais sucateadas geram desespero. Desmobilização política de base, desconexão com a base popular, geram falta de pertencimento a projetos políticos.

No Brasil, as ausências do PT facilitaram as coisas pra que outro projeto enxergasse uma grande oportunidade.

O fascismo bolsonarista só ocupou o vácuo.

E quem critica o lulismo é que tem culpa???

Ahhhhhhh....por favor!

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Gi Stadnicki

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Se você chegou até aqui e acha que algo do que escrevi faz sentido, tá aqui um texto bom pra aprofundar: https://www.ihu.unisinos.br/667250-os-limites-do-lulismo...

FONTE:

https://www.facebook.com/giovanna.stadnicki?locale=pt_BR 




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