Desafio da adaptação na EI
Na Educação Infantil, desafio da adaptação demanda sintonia entre escola e família
Mais de cinco mil alunos iniciaram fase escolar em Passo Fundo. Especialistas apontam que diálogo e apoio da família é essencial no processo
Heloisa Gamero

Isamara Baumgratz / Comunica Notre Dame
Para mais de cinco mil crianças de Passo Fundo, o período letivo que começou em 2026 foi o momento de enfrentar a separação dos pais pela primeira vez. O momento de transição impacta a vida dos pequenos e também da famílias.
Segundo a psicóloga infantil Vitória Correa Somacal, o período é marcado por dificuldades, mas trabalhar o lúdico e entender os sentimentos da criança são formas de auxiliar na adaptação.
— Entre as principais dificuldades estão a adaptação a novas regras e rotinas, a convivência com outras crianças e o estabelecimento de novas relações com outros adultos de referência, como professores, monitores e demais colaboradores da escola — pontua.
Carinho e palavras de afirmação fora de casa passam a ser essenciais. Na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Marinilza Faria dos Santos, no bairro Maggi de Césaro, o acolhimento é determinante para diminuir episódios de choro e irritação.
— Oferecemos muito abraço, colo, carinho e atenção, respeitando o tempo e as necessidades de cada criança. Neste ano, optamos por chamar o processo de adaptação de “acolhimento”, valorizando ainda mais esse momento de cuidado e construção de vínculos — relata a diretora da instituição Juliana Plentz Böhm.
O papel da família

Bruno Alencastro / Agencia RBS
A maneira como a família age impacta diretamente na adaptação escolar. Para a psicóloga, transmitir segurança e validar os sentimentos dos pequenos é fundamental, além de manter um diálogo transparente com a criança.
— Quando os pais demonstram tranquilidade em relação à equipe, a criança tende a sentir que aquele é um ambiente seguro. Por outro lado, quando os adultos demonstram muita ansiedade ou insegurança, a criança pode perceber essa tensão e ter mais dificuldade para se adaptar — reitera Vitória.
No Colégio Notre Dame, onde 290 estudantes começaram a vida escolar neste ano, as mudanças e obstáculos são sentidos especialmente no horário de chegada, aponta a coordenadora pedagógica da institiuição, Márcia Scortegagna:
— Os pais também são desafiados a essa entrega, a trazer o seu filho, entregar a sua criança a outras pessoas. É necessária uma relação de confiança com a escola que escolherem.
Outro método de lidar com as adversidades na Educação Infantil é através da brincadeira. As atividades ajudam na criação de vínculo entre professora, assistente de turma, criança e família. Por isso, trabalhar o lúdico se torna uma ferramenta importante para o aprendizado e habituação à escola.
— É muito importante que a professora estabeleça algumas brincadeiras. Por exemplo, parece muito simples, mas o brincar de esconde-esconde, traz a ideia de que eu vou e volto, me escondo e apareço, e isso também traz a ideia para a criança que o papai e a mamãe vão embora, vão para o seu trabalho, mas eles voltam — explica a coordenadora.
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