Descrença em mudanças

A imensa maioria dos meus colegas de profissão parou de reclamar há anos, num misto de descrença em mudanças, com a certeza de que, qualquer mudança prometida na Educação, deverá ser cumprida por nós.
Traduzindo: toda a vez que a sociedade imaginar uma invenção "mirabolante" para mudar a educação, quem ficará responsável pela geringonça, seremos nós, não os políticos.
O professor do exercício da sala de aula, nunca foi questionado sobre nada. Todas as mudanças sempre aconteceram sem nenhum debate com quem está no chão da sala de aula. O secretario de educação decide e envia para diretores, vice diretores, supervisores, coordenadores, orientadores e salas de recurso. Estes, repassam aos professores. E se não fizermos como deve ser, pais e alunos nos cobram. Ou seja: somos invisíveis.
Na rede estadual, estamos lutando para não perder o que o governo de Eduardo Leite (PSD) não levou. Na municipal, recebemos 1,6% e todo mundo se acalmou.
O nosso choque de realidade, em Rio Grande, foi em janeiro de 2013, quando a gestão do PT, recém eleita, aumentou jornada de trabalho dos professores, de 3 para 4 dias. Não havia base na lei para justificar aquilo, mas a categoria engoliu porque junto veio 6% de aumento.
E como eu previ, era só o começo: ainda naquela gestão do PT, as horas em sala de aula, pularam de 14 para 15. Era o tal "esforço pela educação".
Após 8 anos de gestão, no fim de 2020, não estávamos recebendo o Piso, trabalhávamos 4 dias, cumprindo 16 horas em sala e vivíamos preenchendo números em uma plataforma que nos ocupava todo o fim de semana.
Se aqui as gestões do MDB são especialistas em retirar direitos e nos arrochar, as gestões do PT têm mestrado em aumentar a nossa carga de trabalho e nos levar ao esgotamento.
Vivemos um momento ingrato: a gestão atual do PT na prefeitura, eleita por nós em 24, nos tira o couro com planilhas que não param. A cada ano, trabalhamos mais, com uma invencionice que vamos ter de preencher. No entanto, até hoje, nem SMED e nem SINTERG têm um levantamento sobre o adoecimento da categoria.
Querem melhorar a educação? Nos deixem apenas dar aula. É só não nos levar ao esgotamento, que tudo funciona.
Fabiano da Costa
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