Desempenho em matemática no RS

Desempenho em matemática no RS

Melhora no desempenho em matemática levará até três anos, projeta secretária de Educação do RS

De acordo com Raquel Teixeira, os índices foram acentuados com a pandemia e o ensino remoto, mas já não eram positivos em 2019

GZH

Gustavo Mansur / Palácio Piratini,DivulgaçãoSecretária de Educação do RS, Raquel TeixeiraGustavo Mansur / Palácio Piratini,Divulgação


A preocupante constatação de que apenas 1% dos  alunos do último ano do Ensino Médio têm desempenho adequado em matemática chama a atenção para a distância entre a realidade do ensino gaúcho com as metas desejadas para a área. Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade desta sexta-feira (13), após a publicação após a reportagem publicada em GZH sobre o tema, a secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira, afirmou que até três anos serão necessários para alcançar a melhora desejada no desempenho adequado da disciplina.

De acordo com a secretária, os índices foram acentuados com a pandemia e o ensino remoto, mas já não eram positivos antes mesmo da crise sanitária que obrigou o fechamento de escolas. No Rio Grande do Sul, as aulas presenciais na rede estadual só foram retomadas no segundo semestre de 2021, um ano e meio após terem sido suspensas.

—  É bom lembrar que antes da pandemia era 10%, já não era bom. [...] Esses 10% de alunos, antes da pandemia, quando você faz o recorte por raça, por exemplo, 18% por cento dos brancos tinham nível adequado de matemática na rede pública, e 5% dos negros. Então dava a média de 10%, mas os dados já eram marcados por forte desigualdade econômica e racial. E a pandemia, claro, acentuou isso porque exatamente as camadas mais vulneráveis não tinham os equipamentos adequados para acompanhar (as aulas).

Para traçar um plano de como melhorar o ensino gaúcho, a Seduc promoveu o Avaliar É Tri, uma avaliação diagnóstica em que foram aplicados questionários de Língua Portuguesa e Matemática para os alunos do 2º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1° ao 3° do Ensino Médio – 624 mil estudantes de 2.147 escolas estaduais participaram. Na avaliação, a partir das pontuações nos questionários, os alunos foram classificados nos níveis "avançado", "adequado", "básico" e "abaixo do básico".

Para melhorar os índices

Na entrevista, a secretária destacou que, para tentar cumprir o objetivo de alcançar a meta almejada, algumas iniciativas já são executadas pelo Estado. Entre elas, o "Escolha Certa", um projeto de ensino complementar destinado a alunos que concluíram o Ensino Médio em 2020 e em 2021, focado na transição para a universidade ou mercado de trabalho. 

 — O Escolha Certa é um pacote com robustez de língua portuguesa, matemática, língua inglesa, cultura digital, computação e informática, projeto de vida e o pré-ENEM. [...] Ele vai funcionar experimentalmente, até porque a gente não sabe como é que que vai ser a própria adesão. Nós criamos 32 polos distribuídos pelo Estado e ele vai ser híbrido, vai ter aulas remotas e aulas presenciais. Todos os polos terão estagiários permanentes, são os professores do Conselho das Universidades Comunitárias que vão atuar. Então eu acho que aí estava a primeira resposta para um problema muito sério.

A partir da avaliação diagnóstica, que visou mapear as lacunas de aprendizagem, foram elaborados materiais didáticos específicos para essas falhas no ensino. Também houve aumento na carga horária em duas horas semanais nas aulas de língua portuguesa e três horas semanais nas aulas de matemática. 

Segundo Raquel Teixeira, o Estado dará início também à ampliação do ensino em tempo integral, especialmente no Ensino Médio. Atualmente, o Rio Grande do Sul tem os piores índices em termo de oferta deste tipo de ensino — no Ensino  Médio, somente 1% das matrículas são em escola em tempo integral, segundo a secretária. 

 — Ensino Médio que é a grande demanda pra ensino integral, quando o impacto é maior, pela formação profissional, pelo tempo de trabalho, pela iniciação científica, pelo desenvolvimento do projeto de vida, pelo protagonismo que desenvolve. É 1% aqui no Rio Grande do Sul. Então é o pior índice, se você olhar a lista, nós estamos lá no 27º lugar, e é uma pena. Esse é um esforço que a sociedade gaúcha vai ter que fazer daqui pra frente.

Ouça a entrevista




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