EAD supera o ensino presencial
"Veremos uma queda na EAD": modalidade supera o ensino presencial no Brasil, mas enfrenta alta evasão e novas regras
Apesar do avanço, Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026 mostra desaceleração no crescimento do modelo remoto
Sofia Lungui

Bruno Todeschini / Agencia RBS
A Educação a Distância (EAD) ultrapassou o volume de matrículas presenciais no Ensino Superior brasileiro em 2024, com 50,7% dos 10,2 milhões de estudantes. No cenário estadual, o Rio Grande do Sul ficou com o segundo maior percentual de inscrições no modelo remoto, proporcionalmente ao número total.
Dos 579,1 mil alunos gaúchos matriculados no Ensino Superior em 2024, 337,7 mil (o equivalente a 58,3%) frequentavam a modalidade EAD, taxa semelhante à registrada em 2023. O Estado fica atrás apenas de Santa Catarina, que tem 58,5% dos alunos concentrados em graduações remotas.
É o que mostra o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, elaborado pelo Instituto Semesp e lançado nesta quinta-feira (19). Divulgado anualmente, o relatório traz dados de matrículas, instituições, ingressantes, cursos, perfil dos estudantes, financiamento estudantil e tendências nas redes privada e pública.
Essa foi a primeira vez, desde que o mapeamento é realizado, que a EAD ultrapassou o número matrículas presenciais no cenário nacional. Ainda assim, o estudo revela a desaceleração no crescimento da modalidade.
Após a forte expansão observada no período pós-pandemia, a EAD avançou 5,6% em 2024, bem abaixo dos patamares anteriores. Já o ensino presencial segue em processo de recuperação, com queda discreta de 0,5% nas matrículas. No mesmo ano, 66,8% dos novos alunos ingressaram em cursos à distância, e outros 33,2% optaram pelos cursos presenciais.
Para o economista Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, entidade que representa mantenedoras de Ensino Superior do Brasil, esse panorama pode mudar em breve, uma vez que os dados mostram o cenário até 2024, antes da regulamentação da EAD:
— A partir de 2026, com a aplicação do novo decreto da EAD, são limitados vários cursos que não podem mais ser ofertados na educação a distância, que é o caso, por exemplo, dos cursos da área da saúde, das engenharias e das licenciaturas. Muito provavelmente, veremos uma queda na EAD — destaca.
RS tem queda nas matrículas
Na contramão dos dados nacionais, entre 2023 e 2024, foi registrada queda nas matrículas no RS, com redução de 1,5% – no período, o número total de alunos em cursos superiores no Estado caiu de 588,2 mil para 579,1 mil. No país, foram registrados 10,2 milhões de estudantes matriculados contra 9,9 milhões em 2023, um aumento de 2,5% no mesmo período.
Observando a distribuição de matrículas por Estado, o RS é o quinto em número de estudantes na etapa.
A rede privada reúne 60,4% das matrículas em cursos presenciais no Estado. Nos cursos EAD, 98,1% das matrículas pertencem à rede privada. Em 2024, o RS registrou cerca de 284 mil ingressos, sendo 73,1% deles em cursos EAD. Nos cursos presenciais, houve queda de 3,5% no ingresso.
Outro indicador importante é a taxa de desistência acumulada, que avalia toda a trajetória acadêmica do estudante, mostrando o percentual de ingressantes que desistiram do curso ou faleceram até o ano de referência. No período de 2020 a 2024, foi registrada taxa de desistência de 57,3% nos cursos presenciais do Estado. Na rede privada, o índice alcança 59,2%.
Quanto aos cursos mais procurados, Direito, Psicologia e Medicina seguem entre os mais bem colocados na rede privada gaúcha, considerando graduações presenciais. Somente no Direito, são 27,3 mil alunos matriculados no RS. Veja os cursos:
- Direito - 27.359
- Psicologia - 17.642
- Medicina - 8.639
- Enfermagem - 7.661
- Administração - 6.555
Apesar da preocupação de especialistas com a qualidade dos cursos remotos de formação de professores, eles seguem liderando entre os cursos EAD no Estado. Entre os mais procurados em instituições privadas está Pedagogia (com 36,8 mil matrículas). Veja os cursos nesta modalidade:
- Pedagogia - 36.827
- Administração - 36.372
- Sistemas de informação - 17.346
- Contabilidade - 16.770
- Educação física - 14.713
Aumento na evasão
A evasão no Ensino Superior segue elevada no país, principalmente nos cursos EAD. Em 2024, 41,6% dos estudantes em cursos remotos abandonaram a graduação antes de concluir a formação. Já nas graduações presenciais, o percentual de evasão foi de 24,8%.
Quanto à desistência acumulada, na rede privada o índice chegou a 64,7%. Na EAD, o percentual foi maior: 68,1%. Os números demonstram que permanecer e concluir a trajetória acadêmica continua sendo um desafio mais intenso na educação a distância.
— A taxa de evasão no mundo inteiro é alta. Nos Estados Unidos chegava a 50%. Então, se você tem um problema de evasão crônica em todo o mundo, é algo que precisa ser rediscutido. O modelo de Ensino Superior é um modelo muito extenso, com aulas talvez nem sempre tão interessantes. E, no Brasil, é um curso que requer muita autonomia do aluno — avalia Capelato.
Expansão da rede particular
A rede privada segue concentrando a maior parte das matrículas no Brasil. No total, a rede contava com 8,1 milhões de matrículas em 2024, o equivalente a 79,8% do total.
Entre 2023 e 2024, foi registrado aumento de 3,2% nas matrículas do Ensino Superior privado no país. Já a rede pública apresentou leve queda de 0,2%.
Capelato avalia que é necessário fortalecer mecanismos de acesso, permanência e qualidade, assegurando que o crescimento observado se converta, de fato, em inclusão educacional.
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