Eduardo Leite não vai dar

Eduardo Leite não vai dar

As duas coisas que os servidores pedem, mas que Eduardo Leite não vai dar

Resposta está no orçamento deste ano e na situação das contas pública separa os próximos anos

Rosane de Oliveira

Luís André / Divulgação
Governador Eduardo Leite não fará nenhuma loucura capaz de implodir as contas
públicas. 
Luís André / Divulgação

 

 

Em vão, os servidores públicos vão ocupar a frente do Palácio Piratini nesta terça-feira (30) para pedir duas coisas que o governo Eduardo Leite não vai dar — e que se algum candidato prometer atender terá de dizer de onde tirará o dinheiro. Trata-se da revisão geral dos vencimentos e do fim do desconto previdenciário dos aposentados, pensionistas e militares da reserva da Brigada Militar. 

A terceira reinvindicação é dirigida aos deputados e provavelmente será atendida por ser este um ano eleitoral. É a aprovação da emenda à Constituição que institui a data-base para o reajuste dos servidores públicos. Por se tratar de uma PEC, não depende de sanção do governador. 

Não é por sadismo ou falta de vontade que Leite não oferece a inflação acumulada aos servidores públicos. Leite não é candidato a nada e, portanto, poderia jogar a toalha se fosse irresponsável e dar no fim do mandato os reajustes que negou nos últimos sete anos. Como respeita a responsabilidade fiscal, o governador não fará nenhuma loucura capaz de implodir as contas públicas que hoje estão numa situação de "equilíbrio frágil". 

A outra demanda é ainda mais improvável de ser atendida por Leite ou por quem vier a sucedê-lo. O governo conseguiu reduzir o déficit previdenciário que há anos pressiona as contas públicas adotando medidas antipáticas e a cobrança de contribuição dos aposentados é uma delas. Se algum dos candidatos se comprometer com essa tese defendida pelos servidores terá de dizer de onde vai tirar o dinheiro.  

Ocorre que boa parte dos atuais aposentados contribuiu com pouco ou nada para a Previdência. Na história do Rio Grande do Sul, a cobrança de um percentual para bancar as aposentadorias começou com um teste no governo de Antônio Britto, no final dos anos 1990, e só veio a ser implementada quase plenamente na gestão de Yeda Crusius, uma década mais tarde

Leite incluiu os militares na cobrança e instituiu o desconto para os aposentados. Mesmo assim, a conta ainda não fecha e é preciso usar dinheiro do Tesouro para pagar os aposentados. Em 2025, o déficit previdenciário é de R$ 10,2 bilhões. 

A PEC da data-base tenta regulamentar na Constituição Estadual a revisão geral anual dos salários dos servidores públicos civis e militares, ativos, inativos e pensionistas, estabelecendo o dia 1º de março como data-base para recomposição inflacionária. O texto também prevê a utilização do IPCA como índice oficial de correção e garante atualização monetária em casos de atrasos no pagamento de valores devidos pelo Estado. 

Tem como reajustar o salário de todos os servidores com base no IPCA? Hoje, a resposta é não, mas se o próximo governo for obrigado a pagar terá de criar alguma taxa, aumentar imposto ou cortar de outras áreas. E como saúde, educação, ciência e tecnologia precisam receber um percentual da receita corrente líquida, será preciso escolher o que sacrificar.

FONTE:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/rosane-de-oliveira/noticia/2026/06/as-duas-coisas-que-os-servidores-pedem-mas-que-eduardo-leite-nao-vai-dar-cmqzoiszo00d0015tzml3a79v.html?fbclid=IwY2xjawSv5MtleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFBdTJZTlVNaTI3V0VhOGl
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