Educação no mundo contemporâneo
‘Desafios que vamos enfrentar juntos’: CPERS e ADUFRGS debatem educação no mundo contemporâneo
Lucas Azeredo - lucasazeredo@sul21.com.br

Foto: Lucas Azeredo/Sul21
A manhã deste sábado (28), em Porto Alegre, foi dedicada às diferentes atividades autogestionadas da 1ª Conferência Internacional Antifascista. No auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, no Centro Histórico, o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS) e a ADUFRGS-Sindical promoveram um debate com o tema “Os desafios da Educação no mundo contemporâneo”, reunindo professores estaduais e federais, sindicalistas e ativistas, inclusive ativistas vindos de outros países.
A mesa do evento contou com os presidentes dos sindicatos organizadores, Rosane Zan (CPERS) e Jairo Bolter (ADUfrgs), a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, a representa da União Nacional dos Estudantes (UNE), Juliana Bergmann, e o deputado argentino e presidente da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA), Hugo Yasky. Porém, o palestrante de destaque era o jornalista Leandro Demori, do ICL Notícias.
Entre os assuntos debatidos pela mesa, estavam:
- a desestruturação do ensino público e da escola no Brasil;
- a luta pela liberdade de cátedra;
- a precarização dos trabalhadores da educação;
- e o papel dos sindicatos na luta por mudanças — e onde eles falham.
Um dos temas de maior discussão foi o envolvimento do jovem na luta política e a necessidade de colocar a comunicação como fator decisivo no debate pelas mudanças na educação e, consequentemente, na política. Para Leandro Demori, é preciso pensar em uma “revolução estética” com o objetivo não apenas de renovar o movimento de luta, mas também para transformar a narrativa em torno do trabalho do professor e do sindicalismo, pouco atraentes para a juventude.
Demori entende que é uma demanda reformular a sala de aula como ambiente de desenvolvimento da nova geração e “botar na cabeça das pessoas que ser professor é legal sim”, o que pode ser feito, na sua opinião, por meio da comunicação.
“A gente tem poucos bons exemplos de pessoas e movimentos que colocaram a comunicação no centro da estratégia política. A questão da comunicação ainda é muito vista como algo que vem pra depois da conversa. Isso não tá funcionando”, afirma Demori.
“Qualquer pessoa de comunicação de qualquer sindicato hoje tem que estar sentada na mesa com a presidência”, diz o jornalista. “Não é um apêndice, não é coisa que é feita por um estagiário, por um sobrinho, pelo meu filho que sabe ‘mexer na internet’. Esse tempo já passou faz tempo. A gente precisa seduzir a sociedade pelas nossas causas a partir de uma revolução estética”.
Já Fátima Silva, presidente da CNTE, avaliou a situação da educação brasileira, e comentou que o cenário em todo o Brasil é similar ao que é relatado pelos professores gaúchos. Para ela, além das questões salariais e as péssimas condições de trabalho, o principal problema é o “desprestígio que temos, hoje, como educadores”.
“São os desafios que vamos enfrentar juntos e que ninguém tem a resposta, tem a receita completa. Mas com certeza o que não nos falta é a nossa perseverança e a nossa garra de luta.”, completa Fátima.
Hugo Yasky, vindo diretamente de Buenos Aires onde exerce seu mandato de deputado na Câmara, conta que, na Argentina, a situação não é muito diferente. Ele diz que o governo de Javier Milei faz uma campanha de fomentar a desconfiança na educação e nos professores.
Yasky exemplifica isso com as marchas espalhadas pelo seu país no dia 25 de março, que foi às ruas nos 50 anos do golpe que impôs uma ditadura militar na Argentina para relembrar os mortos e torturados, lutando pela preservação da memória do período antidemocrático e violento.
Segundo o deputado argentino, havia uma grande presença da juventude nas manifestações. Em uma pesquisa, entre 70 e 75% dos jovens — que não viveram a ditadura que se encerrou em 1983 — disseram que aprenderam sobre os terrores do regime na escola. “Para Milei, isso é doutrinação”, comenta Hugo Yasky.
Ainda, o presidente da Central dos Trabalhadores da Argentina relata a experiência que teve vendo a extrema-direita mudar o significado do que são direitos dos educadores. O movimento mudou a ideia de “direitos” em “privilégios”. “Hoje, ser sindicalista na Argentina significa defender ‘privilégios’”, relata.
“Não é só aqui [no Brasil], é um desafio no mundo todo”, complementa Leandro Demori.
O debate promovido pelo CPERS e ADUFRGS integra a programação da 1ª Conferência Internacional Antifascista, que ocorre desde a quinta-feira (26) até o domingo (29) em Porto Alegre, com foco no enfrentamento ao avanço global da extrema-direita e à escalada autoritária que ameaça direitos e a democracia.
Além das conferências principais, que reúnem a grande parte dos movimentos participantes, a Conferência também abriu portas para atividades autogestionadas, permitindo que militantes, movimentos sociais, coletivos, organizações e participantes em geral realizem suas próprias atividades, discussões, oficinas, lançamentos, rodas de conversa ou experiências formativas.
A 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos reúne uma programação espalhada pela cidade que discute os principais enfrentamentos políticos, sociais e econômicos da atualidade. Os debates contam com palestrantes e participantes de diversos países vindos de todos continentes, refletindo a dimensão internacional das lutas abordadas.
FONTE:
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Após a mesa que abordou “Os desafios da Educação no mundo contemporâneo”, realizada neste sábado (28), dentro da I Conferência Internacional Antifascista, mediadores e palestrantes destacaram a importância de ampliar o debate sobre os rumos da educação no Brasil e no mundo, especialmente diante do avanço da mercantilização e da privatização do ensino.
O encontro reafirmou o papel fundamental dos sindicatos, da comunicação, das educadoras e educadores e das escolas na construção de uma sociedade mais justa. A atividade reuniu diferentes organizações e representantes de diversos países, fortalecendo a articulação internacional em defesa da educação pública.
Mais do que ensinar conteúdos, a educação foi reafirmada como espaço de formação para a democracia, para a convivência e para a construção de um futuro coletivo.
Seguimos na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade, além da valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação — em defesa da vida, das instituições democráticas e de uma sociedade mais fraterna e igualitária.
Dá o play e confere o recado da presidente do CPERS, Rosane Zan, do jornalista Leandro Demori, da presidente da CNTE, Fátima Silva, e do presidente da ADUFRGS-Sindical, Jairo Bolter.





