Educadores afastados por saúde
60,3% dos educadores de São Paulo se afastaram por saúde, mostra pesquisa da APEOESP
Publicado: 02 Junho, 2026
Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE

Mais da metade dos trabalhadores em educação de São Paulo se afastaram por questões de saúde nos últimos cinco anos, aponta uma pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). O percentual de educadores que confirmaram a licença por problemas físicos corresponde a 60,3% dos entrevistados, enquanto a saúde mental afastou 24,8%.
O levantamento “Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores na Educação Pública/SP em tempos de trabalho digital” foi realizado entre dezembro de 2025 e março de 2026, com objetivo de entender se os profissionais da categoria percebem uma relação entre a aumento na carga de trabalho e o avanço da tecnologia no ensino, além dos impactos do emprego no bem-estar físico e mental.
“Mais do que números, esta pesquisa desnuda os efeitos de um modelo de gestão baseado no controle, na vigilância permanente, na intensificação do trabalho e na crescente plataformização da educação. Os dados revelam um cenário preocupante de adoecimento físico e mental, associado a condições de trabalho cada vez mais desgastantes, à ampliação das jornadas, à pressão por metas e à perda de autonomia dos profissionais da educação”, disse o secretário-geral da CNTE e segundo presidente da Apeoesp, Fábio Moraes.
Mais trabalho
83,2% dos entrevistados afirmaram que o uso de ferramentas digitais na escola pública aumentou o volume de tarefas executadas durante o expediente. Quando se trata de serviço após o expediente, 69,6% disseram que o volume cresceu. Esses dados apontam a crescente sobrecarga para a categoria, que vai além da interação com estudantes.
A pesquisa questionou se a intensidade de cobrança pelo registro de demandas aumentou com a adoção da gestão algorítmica. O resultado mais expressivo aponta que sim, profissionais devem, cada vez mais, anotar os planos de trabalho (80,1%), comprovar tarefas realizadas (73,9%) e relatar a evolução acadêmica dos estudantes (72%).
A percepção de maior controle sobre as demandas por parte do Estado também aumentou. O levantamento mostrou que 86,3% sente que as plataformas digitais servem como vigilância sobre o trabalho individual, enquanto 78,3% apontam que elas ajudam a administração a monitorar metas individuais.
Impactos na saúde
O número de entrevistados que confirmaram notar uma relação direta entre trabalho na educação pública e o adoecimento mental é quase unânime: 97,6% dos participantes. Na saúde física, a associação de piora do bem-estar foi relatada por 80,2%.
Ansiedade ou pânico são os transtornos mentais mais comuns entre os/as educadores/as (41%), seguido de distúrbio do sono ou insônia (33,5%). A depressão atinge 29,8% dos entrevistados.
Os sintomas físicos confirmados são em sua maioria dores nas costas, pernas, pescoço e hérnias, registrados por 55,9%. Em segundo lugar, 54,9% dos/as educadores/as sofrem com dores de cabeça ou enxaqueca. Já as dores em membros superiores, tendinite e/ou LER (Lesão por Esforço Repetitivo)/DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) são sentidas por 50,9% dos entrevistados.
Trabalho conjunto
Além da Apeoesp e DIEESE, a iniciativa também contou com participação do Sindicato Dos Funcionários E Servidores Da Educação (Afuse) e da Frente Parlamentar Pela Saúde e Direitos do Funcionalismo Público Estadual, coordenada pela deputada estadual e presidenta licenciada da Apeoesp, Professora Bebel.
"Quando quase a totalidade dos profissionais da Educação associa o adoecimento mental ao trabalho, isso não pode ser tratado como algo pontual — é um problema estrutural que precisa ser enfrentado", disse Bebel.
Fábio entende que a pesquisa precisa servir como pontapé para a ação: “Esse triste retrato evidencia a urgência de políticas efetivas de valorização dos educadores, de fortalecimento da gestão democrática, de melhoria da infraestrutura e das condições de trabalho, bem como da ampliação das ações de acolhimento, cuidado e promoção da saúde daqueles que sustentam diariamente a escola pública”.
Com informações da Apeoesp e Folha de São Paulo
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