Educadores com salário congelado
Educação RS Leite mantém 53 mil educadores com salário congelado há 12 anos enquanto gasta milhões com South Summit
Na tarde desta terça-feira (24), a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) aprovou por unanimidade o reajuste de 5,4% aos professores da rede estadual deixando de fora funcionários e aposentados, que estão com o salário congelado há 12 anos.
Diego Nunes quarta-feira 25 de março 2026

A votação escancara a seletividade da política salarial do governo Eduardo Leite (PSD). Enquanto professores ativos com direito à paridade receberão o reajuste, um contingente de cerca de 53 mil servidores ficará de fora. É uma situação obscena. Alguns deputados recebem em um mês o que funcionários de escola recebem ano inteiro, e mesmo assim eles se negaram a dar um aumento. Entre os excluídos estão funcionários de escola, merendeiras, agentes administrativos, monitores e professores aposentados sem paridade, que seguem com os salários congelados desde 2014. Não à toa a maior parte deste contingente composto por mulheres negras.
O governo Leite aprofundou a política de "dividir para conquistar" na categoria da educação. Os trabalhadores da educação não são mais somente divididos entre contratos temporários sem direitos e concursados (que permanecem com direito a estabilidade embora tenham perdido o plano de carreira). Há uma nova divisão que cresce no magistério gaúcho: o aumento do trabalho terceirizado, com frequentes atrasos salariais. Eduardo Leite (PSD) aprofunda uma divisão salarial entre quem faz a escola funcionar. Muitas escolas ainda estão sem merendeiras, impondo que vice-direções e direções (em alguns casos professores e até alunos) ajudem nos refeitórios para que as crianças não fiquem sem merenda escolar. Com a terceirização das funções na escola, o governo oferece salários de miséria, sem reajustes, e ao mesmo tempo repassa milhões de reais para empresas privadas poderem lucrar com aquilo que deveria ser público. Afinal, educação não deveria ser uma mercadoria.
Assim a escola vai se virando nos 30, com pouquíssima verba enquanto o governador esbanja recursos públicos com o South Summit Brazil 2026. O evento no Cais Mauá destina milhões para palestrantes da Microsoft, da BYD, Gerdau, Dell, Amazon (via CTO Leandro Balbinot), WhatsApp (Guilherme Horn), QuintoAndar, Neon, MadeiraMadeira e Stone entre outras empresas bilionárias. Um evento totalmente elitizado cujas entradas mais baratas ultrapassam os mil reais e para se ter acesso total ao evento, custa em torno de R$ 4500 por pessoa. Sob o signo da chamada "inovação", há um pano de fundo de se dar bem com dinheiro público dentro do plano neoliberal de Eduardo Leite em governar para seus "parceiros" privados.
Definitivamente não é falta de dinheiro, é uma escolha consciente do governo a falta de valorização da educação no RS. Somente com o Fundo Operação Empresa (Fundopem) que gera pouquíssimos postos de trabalho frente aos 4,3 bilhões destinados à empresários gaúchos de 2023 a 2025, poderia, se investido em educação garantir qualidade de trabalho e de vida para os profissionais da educação e um futuro melhor para toda a próxima geração de trabalhadores. Mas, como os governos irão continuar favorecendo seus parceiros burgueses, mantendo o estado como um verdadeiro balcão de negócios, se investirem de verdade em educação pública?
Como educadores, seja da limpeza, dos refeitórios, das salas de aula ou secretarias das escolas, não podemos aceitar que os governos nos dividam. Se eles tentam nos dividir, nós precisamos nos unificar: contratados, nomeados, funcionários, terceirizados e aposentados junto com estudantes e comunidades escolares. Todos em uma só luta pela educação, para muito além da miséria do possível de aceitar 5,4% apenas para uma parcela da categoria, sendo que nossos salários estão mais de 70% defasados. Precisamos nos reunir em cada escola e debater um plano de luta e exigir que a direção do CPERS (PT, PCdoB, PSOL) realize uma assembleia geral para que possamos levar as resoluções de cada escola para o debate coletivo no sindicato.
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