EJA exige mais empenho
Ensino para jovens e adultos exige mais empenho das autoridades
Perto de 64 milhões de brasileiros não concluíram ensino básico na idade adequada, conclui pesquisa
19/07/2026
Turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) — Foto: Divulgação
Quase 64 milhões de brasileiros não concluíram o ensino básico na idade adequada, ou 37,3% da população com mais de 15 anos, segundo relatório das Fundações Roberto Marinho (FRM), Bradesco, Itaú Educação e Trabalho e Arymax, com a cooperação da Unesco. É o equivalente à população da França ou do Reino Unido. Pior: a Educação de Jovens e Adultos (EJA) só alcança 1,5% do potencial, de acordo com a pesquisa. O resultado mostra que não basta o país ter alcançado a universalização no acesso às escolas. É preciso manter os alunos na sala de aula e assegurar que concluam os estudos.
É verdade que a parcela da população sem ensino fundamental tem caído. Mas isso se deve menos a qualquer política pública do que a fatores demográficos. Desde 2012, 51% da queda na procura por EJA se deve à morte de idosos, e apenas 8% à conclusão do programa de ensino. Para cada aluno que concluiu o ensino básico por meio de EJA, seis morreram sem terminar o ciclo, concluiu a pesquisa.
Entre 2008 e 2024, os municípios sem turmas de EJA mais que dobraram, de 493 para 1.092. Das 122.469 escolas que oferecem ensino básico no Brasil, em apenas 24,6% há turmas para jovens e adultos. “Os próximos 10 a 15 anos representam a última janela de oportunidade para alcançar as gerações nascidas entre 1960 e 1980”, afirma o relatório.
É urgente definir um plano de ação que atraia de volta à escola o máximo possível de jovens e adultos que abandonaram a sala de aula. Para isso, será necessário aumentar a relevância do EJA na distribuição dos recursos públicos destinados à educação. Em 2023, o governo interrompeu um longo período de 16 anos em que o EJA esteve relegado a plano inferior pelo Fundeb, o fundo dedicado ao ensino básico.
Os três níveis de governo encaram a questão como resposta às dificuldades de crescimento econômico. É consenso entre os economistas a associação entre educação e geração de riqueza. Nos países desenvolvidos, a renda é maior porque existe uma população mais instruída capaz de gerá-la. O estudo estima que, em razão do abandono precoce do estudo, houve perda de R$ 66 bilhões em renda anual. Caso metade dos 64 milhões que não concluíram o ensino básico tivesse se formado, haveria um aumento potencial do PIB de 0,6%, segundo a pesquisa.
São grandes as dificuldades para que jovens e adultos retornem à escola, e os próprios pesquisadores reconhecem isso. O principal motivo é a necessidade de trabalhar. Mas isso não redime governos da negligência com o ensino para essa parcela da população. O último material didático voltado ao EJA foi distribuído em 2014, sinal de que, apesar da necessidade eloquente, a questão não ocupa lugar de destaque nos planos de gestores educacionais. É preciso fazer mais.
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