Enrolação, ajuste fiscal do FB

Enrolação, ajuste fiscal do FB

 

 

Míriam Leitão desconstrói Flávio Bolsonaro: "não diz coisa com coisa"; é só "enrolação"

 

Em coluna publicada em O Globo nesta segunda-feira (12/out), a jornalista Míriam Leitão desmonta as promessas de ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro. A campanha fala em corte de R$ 200 bilhões no primeiro ano, mas as declarações do senador e de sua equipe apontam para aumento de gastos e redução de receita. O que ele tem dito, segundo a colunista, “não fica de pé”. É “enrolação”.

Isso importa porque o Brasil enfrenta um problema fiscal real que exige respostas consistentes, não promessas contraditórias. Só com estabilidade econômica é possível sustentar políticas sociais eficientes, como lembrou a própria Míriam Leitão.

O QUE MÍRIAM LEITÃO ESCREVEU SOBRE AS CONTRADIÇÕES DE FLÁVIO

Segundo a coluna de Míriam Leitão: “A campanha de Flávio Bolsonaro prometeu um ajuste fiscal entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões no primeiro ano. Mas as falas dele e de sua equipe são de aumento do gasto. Ele disse que os aposentados terão reajuste acima da inflação. Sua equipe afirmou que o aumento real do salário mínimo vai continuar e negou privatizações. Flávio Bolsonaro disse que as emendas parlamentares serão mantidas porque ele sabe ‘como é suado conseguir voto’. E ainda disse que vai cortar impostos. Tudo somado, vai manter as despesas e diminuir a receita. A conta piora.”

A jornalista continua: “Flávio Bolsonaro fala e age como vitorioso. Na primeira semana após o primeiro turno, afirmou que fará mudanças na Constituição para ‘redemocratizar’ o país, convidou o presidente da Colômbia para a posse, falou em aumentar o mandato que ainda não recebeu das urnas. No seu entorno, os cargos estão sendo distribuídos. Quem sai na frente no primeiro turno é o favorito e a primeira pesquisa Datafolha mostrou que ele aumentou um pouco a dianteira em relação ao presidente Lula. Mas o eleitor é que tem a palavra final. Ninguém é vencedor de véspera.”

Ela conclui o ponto central: “O que Flávio tem dito não fica de pé. É enrolação. Ou ele está mentindo para o eleitor ou está mentindo para o mercado financeiro.”

Reportagens de O Globo, da Folha de S. Paulo e da VEJA confirmam as inconsistências. Em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro afirmou a jornalistas que reajustaria as aposentadorias acima da inflação e que não faria economia “em cima de quem precisa”. Assessores como Adolfo Sachsida negaram privatizações de Petrobras, Banco do Brasil e Caixa. A equipe também sinalizou manutenção do aumento real do salário mínimo.

Ao mesmo tempo, interlocutores da campanha apresentaram a empresários e ao mercado estudos de ajuste de até 2% do PIB (cerca de R$ 250 bilhões), com possíveis desvinculações de reajustes da Previdência e do BPC e revisão de pisos de saúde e educação, conforme a Folha. O candidato e a equipe negaram que essas medidas fossem posição oficial, mas o detalhamento público do “tesouraço” continua inexistente.

O economista Sérgio Vale, da MB Associados, citado por Míriam Leitão, reforça o ponto: “O mercado já estava com essa ideia comprada de que Flávio Bolsonaro vai fazer um belo ajuste fiscal e o Lula não vai fazer. A gente sabe que não é necessariamente assim, porque a história da família Bolsonaro com ajuste fiscal não é positiva.” Ele classifica o “tesouraço” como “história para o eleitor ver”.

O QUE MAIS NÃO FICA DE PÉ NA TRAJETÓRIA DE FLÁVIO

Além das contradições econômicas, a trajetória pública de Flávio Bolsonaro carrega questões que geram dúvidas persistentes. Relatórios da Polícia Federal, divulgados por veículos como o G1, apontam contatos, mensagens e repasses envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiamento de filme sobre o pai. O caso da “rachadinha” na Alerj, com participação de familiares de Adriano da Nóbrega (apontado como miliciano) e operação atribuída a Fabrício Queiroz, teve quebras de sigilo mantidas pelo STF, conforme reportagens de O Globo e outros veículos. Houve ainda a loja de chocolates com movimentações atípicas e a aquisição de mansão de R$ 6 milhões no Lago Sul, em Brasília.

O QUE LULA ENTREGOU E O QUE AINDA PRECISA ESCLARECER

Míriam Leitão reconhece que o presidente Lula também não detalhou plenamente o plano fiscal para um eventual novo mandato e chegou a criticar a “babaquice de fazer superávit” em setembro. Medidas como o Desenrola 3 e o fim das bets geram impacto nas contas. Contudo, o governo entregou resultados concretos e estruturais.

A reforma tributária do consumo, sancionada em janeiro de 2025 após a EC 132 de 2023, substitui cinco tributos por um IVA dual (CBS e IBS). Foi a mudança que o Brasil discutia há quatro décadas. A alíquota alta reflete lobbies no Congresso, como a colunista observou, mas o split payment — que Flávio prometeu acabar — é instrumento para reduzir sonegação e distribuir a arrecadação automaticamente.

No mercado de trabalho, o desemprego caiu para níveis historicamente baixos. O salário mínimo teve ganhos reais acima da inflação desde 2023, chegando a R$ 1.518 em 2025, beneficiando dezenas de milhões de trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC. O Bolsa Família foi ampliado e programas como Minha Casa, Minha Vida e Novo PAC retomaram investimentos. Em abril de 2023, o arcabouço fiscal gerou reação positiva inicial no câmbio, na Bolsa e nos juros, como a própria Míriam Leitão registrou.

A análise aponta que a narrativa de um Lula irresponsavelmente gastador versus um Flávio austero e detalhado não se sustenta nos fatos. Lula errou e acertou — a reforma tributária e a valorização do trabalho são acertos estruturais. Flávio acumula promessas que se contradizem entre si e com o histórico da família no governo anterior.

CARO (E)LEITOR

O segundo turno será decidido pelo eleitor. As pesquisas mostram disputa competitiva. O que permanece aberto é se um eventual governo Flávio Bolsonaro apresentará um plano fiscal detalhado e consistente, ou se continuará com falas que, nas palavras de Míriam Leitão, não dizem “coisa com coisa”.

Com Lula, a estabilidade econômica e a preservação das políticas sociais estão garantidas e a continuidade depende de escolhas eleitorais, enquanto a “enrolação” de Flávio tende dar lugar a concretização de seu plano de vingança por Bolsonaro preso, tão citado nas mídias.

FAQ Rápido

O que Míriam Leitão disse exatamente sobre Flávio Bolsonaro?
Que suas promessas fiscais não ficam de pé, que é enrolação e que ou ele mente para o eleitor ou para o mercado.

Flávio detalhou como fará o ajuste de R$ 150 a 200 bilhões?
Não. As declarações públicas vão no sentido de manter ou ampliar gastos em aposentadorias, salário mínimo e emendas, enquanto se fala em cortes genéricos.

Quais avanços concretos o governo Lula entregou na economia?
A reforma tributária do consumo, ganhos reais no salário mínimo, redução histórica do desemprego e retomada de programas sociais e de investimento.




ONLINE
34