Entrevistas aos presidenciáveis

Entrevistas aos presidenciáveis

 

 

Eu já escrevi e já falei repetidas vezes que uma pessoa tem o direito de não gostar de Lula. Nem todo mundo nasce com bom gosto e com honestidade ideológica. Bom gosto todo mundo e toda munda sabe o que é. Honestidade ideológica é quando você reconhece, num candidato ou num político de oposição, as coisas boas que ele faz pelo seu povo.

Eu poderia exemplificar com o Fernando Henrique, um cabra de pensamento oposto ao nosso, mas com diversos acertos em seu governo, como o controle da inflação, a criação do ENEM, a nomeação do Paulo Renato para o Ministério da Educação, e por aí vai. Não me custa fazer esses reconhecimentos ao mesmo tempo que critico a onda de privatizações iniciada por ele. A gente não reconhece nada feito pelo jair soluçante porque ele não fez nada, nadinha mesmo para beneficiar o nosso povo, inclusive a parte que o adora.

Enfim, o papo aqui é sobre Lula e a entrevista na Globo, ontem. Não seria diferente se fosse na Band, no SBT...rs. Independente de qualquer coisa, é preciso reconhecer, primeiramente, a fofosidade do Lula. Que velhinho fofinho! Da mesma forma é preciso reconhecer a parcialidade jornalística brasileira, e não só da turma da Globo.

Eu fico pensando aqui com os meus botões, que quase nunca os tenho, nos profissionais que mais facilmente se vendem, mesmo quando estamos falando de um governo passado que mais perseguiu esses mesmos profissionais. Sendo ideologicamente honesto, acho a Renata e o Tralli excelentes jornalistas. Aí me pego a pensar sobre os roteiros que são dados, negociados, exigidos deles, mesmo contrariando todas as lógicas de uma utópica imparcialidade jornalística.

O programa de entrevistas aos presidenciáveis tem 40 minutos. Eu não cronometrei, mas pelo menos a metade teve como único tema o Lulinha. Não exagerou o Lula quando, enfim, o tema foi para educação, e ele respirou fundo. Aquilo não foi, nem de longe, uma entrevista minimamente honesta a um candidato a reeleição presidencial.

Foi uma oitiva do Ministério Público, um depoimento a PF, um julgamento da Vaza Jato, qualquer coisa do tipo. E gastou-se pelo menos a metade do programa nisso. Que lamentável! Quando foi para a educação, a fala da jornalista começou com um reconhecimento, porque elogiar é proibido ali. Ela citou a quase universalização que o Brasil atingiu “nesses últimos anos”, porque também é proibido dizer “em seu governo”.

Daí, claro, já foi para uma acusação de “resultados ruins” na educação básica. Qualquer pessoa, minimamente informada e honesta sabe que a educação básica é gerenciada pelos governos estaduais e municipais. Nesse seguimento, o governo federal é parceiro.

Cabe ao Ministério da Educação propor políticas públicas e currículos voltados para o setor, mas não cabe a ele, por exemplo, exigir a realização de concursos. No governo Lula, para evitar o argumento da falta de recursos para se realizar concursos, o Ministério da Educação propôs uma espécie de ENEM para os professores. O governo federal convoca e banca um concurso de nível nacional, faz um banco de dados com os aprovados e disponibiliza para estados e prefeituras, que não utilizam, porque preferem PROFESSORES CONTRATADOS, por indicação de VEREADORES e de PASTORES e de DEPUTADOS ESTADUAIS, porque, assim, mantêm esses profissionais sob “rédeas curtas”, sem direito a greve ou qualquer manifestação que desagrade o poder local.

E eu não estou dizendo que esses profissionais sejam incompetentes. Estou dizendo que a contratação por esse processo segue apenas conceitos ideológicos e burocráticos e não de qualidade. Aqui na minha cidade, por exemplo, a prefeitura já contratou, e mais de uma vez, professor de língua portuguesa SEM FORMAÇÃO EM LETRAS.

Então cobrar isso do presidente e candidato Lula é só mau-caratismo mesmo, porque os dois jornalistas em questão sabem disso. Eles precisam manter o emprego, claro. A gente entende isso. Só me pergunto como dormem tranquilamente depois disso, porque certamente dormem tranquilamente; como se percebem, depois, assistindo a gravação. O tempo todo fizeram uma campanha nítida contra o voto no Lula. A Renata sugeriu que deve-se abandonar todos os amigos que são acusados de algum crime, inclusive filho, mesmo antes de julgamento e condenação. Segundo ela, somente a acusação já basta, mesmo quando o acusador tem interesse em destruir uma imagem.

Aí quando eu digo que a imprensa brasileira mereceu e continua merecendo o cercadinho do Alvorada, ficam brabos comigo, porque estou generalizando. Essa gente faria uma matéria falando mal de Jesus Cristo sem pensar duas vezes, se o patrão assim mandasse. E teríamos perguntas do tipo: “Candidato Jesus, por que você manteve entre os seus seguidores um traidor? .... Mas o Senhor não se afastou dele... Candidato, o senhor sabia que naquele episódio de alimentar cinco mil pessoas com pão e peixe, tinha um rapaz com intolerância a glúten, que ficou sem comer? Candidato, por que o senhor não deixou o povo apedrejar aquela mulher acusada de adultério? O senhor a conhecia, candidato? O senhor acha adequado a um filho de Deus ter contato com uma adúltera e protegê-la?”

Gostar ou não gostar de Lula é uma questão de bom gosto ou não, mas reconhecer a genialidade do velhinho é uma questão de honestidade. O cara sabia até quantas crianças se inscreveram para cada uma das primeiras edições das Olimpíadas de Matemática, criada no governo dele.

Hoje eu acordei com uma vontade incontrolável de votar logo em Lula, que nem está cabendo em mim. Já apertei 13 aqui no computador, no tablet e no celular e já já vou ali na vizinha, do lote 13, apertar o 13 da plaquinha. Quando chegamos, o lote 13 já estava vendido. Tivemos que ficar com o 12b. Aaaaahhhhh....

FONTE
facebook

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Com o espetáculo político que apresentou na entrevista de ontem, Lula deu uma verdadeira aula de estadismo e provou que a maturidade de décadas na vida pública é uma arma que nenhum adversário consegue comprar ou falsificar. Ao dominar os debates mais complexos com uma facilidade impressionante, o presidente carimbou mais uma vez o reconhecimento absoluto dentro do país, mostrando que a sua liderança está blindada e profundamente conectada com os anseios do povo brasileiro. Mas o estrago foi tão monumental que ultrapassou todas as fronteiras nacionais, reafirmando que ele deixou de ser apenas um líder do Brasil para se consolidar definitivamente como uma das vozes mais respeitadas e influentes de todo o planeta. Essa renovação do protagonismo internacional não veio de graça, mas da coragem inegável de peitar os grandes interesses globais, defender a soberania das nações emergentes e comandar o ritmo do Sul Global com uma altivez que há muito tempo não se via no xadrez geopolítico mundial.

FONTE:

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"𝙉𝙤 𝙞𝙣𝙞́𝙘𝙞𝙤, 𝙇𝙪𝙡𝙖 𝙣𝙖̃𝙤 𝙛𝙤𝙞 𝙚𝙣𝙩𝙧𝙚𝙫𝙞𝙨𝙩𝙖𝙙𝙤, 𝙛𝙤𝙞 𝙞𝙣𝙩𝙚𝙧𝙧𝙤𝙜𝙖𝙙𝙤 𝙣𝙤𝙨 𝙢𝙤𝙡𝙙𝙚𝙨 𝙙𝙖 𝙡𝙖𝙫𝙖-𝙟𝙖𝙩𝙤. 𝘿𝙚𝙥𝙤𝙞𝙨 𝙦𝙪𝙚 𝙟𝙤𝙜𝙤𝙪 𝙣𝙤 𝙘𝙤𝙡𝙤 𝙙𝙖 𝙙𝙪𝙥𝙡𝙖 𝙙𝙚 𝙞𝙣𝙦𝙪𝙞𝙨𝙞𝙙𝙤𝙧𝙚𝙨 𝙤 𝙚𝙢𝙗𝙪𝙨𝙩𝙚 𝙙𝙤 𝙥𝙤𝙬𝙚𝙧𝙥𝙤𝙞𝙣𝙩 (𝙣𝙪𝙢𝙖 𝙟𝙤𝙜𝙖𝙙𝙖 𝙙𝙚 𝙢𝙚𝙨𝙩𝙧𝙚), 𝙦𝙪𝙚 𝙩𝙚𝙫𝙚 𝙖 𝙥𝙖𝙧𝙩𝙞𝙘𝙞𝙥𝙖𝙘̧𝙖̃𝙤 (𝙥𝙧𝙖 𝙣𝙖̃𝙤 𝙙𝙞𝙯𝙚𝙧 𝙘𝙪𝙢𝙥𝙡𝙞𝙘𝙞𝙙𝙖𝙙𝙚 𝙙𝙖 𝙂𝙡𝙤𝙗𝙤) 𝙚 𝙙𝙖 𝙙𝙪𝙥𝙡𝙖 𝙢𝙖𝙞𝙨 𝙣𝙚𝙛𝙖𝙨𝙩𝙖 𝙦𝙪𝙚 𝙚𝙨𝙨𝙚 𝙥𝙖𝙞́𝙨 𝙥𝙧𝙤𝙙𝙪𝙯𝙞𝙪 𝙣𝙤𝙨 𝙪́𝙡𝙩𝙞𝙢𝙤𝙨 𝙖𝙣𝙤𝙨: 𝙈𝙤𝙧𝙤 𝙭 𝘿𝙖𝙡𝙡𝙖𝙜𝙣𝙤𝙡, 𝙛𝙤𝙞 𝙤 𝙨𝙚𝙣𝙝𝙤𝙧 𝙖𝙗𝙨𝙤𝙡𝙪𝙩𝙤 𝙙𝙖 𝙣𝙤𝙞𝙩𝙚, 𝙙𝙞𝙖𝙣𝙩𝙚 𝙙𝙚 𝙪𝙢 𝘾𝙚́𝙨𝙖𝙧 𝙏𝙧𝙖𝙡𝙡𝙞 𝙚 𝙙𝙚 𝙪𝙢𝙖 𝙍𝙚𝙣𝙖𝙩𝙖 𝙑𝙖𝙨𝙘𝙤𝙣𝙘𝙚𝙡𝙤𝙨 𝙖𝙩𝙤̂𝙣𝙞𝙩𝙤𝙨 𝙚 𝙞𝙣𝙨𝙞𝙜𝙣𝙞𝙛𝙞𝙘𝙖𝙣𝙩𝙚𝙨; 𝙢𝙞𝙣𝙪́𝙨𝙘𝙪𝙡𝙤𝙨, 𝙛𝙧𝙚𝙣𝙩𝙚 𝙖 𝙪𝙢 𝙜𝙞𝙜𝙖𝙣𝙩𝙚, 𝙪𝙢𝙖 𝙙𝙖𝙨 𝙢𝙖𝙞𝙤𝙧𝙚𝙨 𝙛𝙞𝙜𝙪𝙧𝙖𝙨 𝙝𝙞𝙨𝙩𝙤́𝙧𝙞𝙘𝙖𝙨 𝙦𝙪𝙚 𝙚𝙨𝙨𝙚 𝙥𝙖𝙞́𝙨 𝙟𝙖́ 𝙥𝙧𝙤𝙙𝙪𝙯𝙞𝙪. 𝘼𝙡𝙞𝙖́𝙨, 𝙦𝙪𝙚 𝙨𝙖𝙗𝙚 𝙩𝙪𝙙𝙤 𝙙𝙚𝙨𝙨𝙚 𝙥𝙖𝙞́𝙨, 𝙙𝙚 𝙘𝙖𝙗𝙤 𝙖 𝙧𝙖𝙗𝙤, 𝙘𝙤𝙢𝙤 𝙙𝙚𝙢𝙤𝙣𝙨𝙩𝙧𝙤𝙪. 𝙊𝙨 𝙙𝙤𝙞𝙨 𝙨𝙖𝙞́𝙧𝙖𝙢 𝙙𝙞𝙢𝙞𝙣𝙪𝙞́𝙙𝙤𝙨 𝙚 𝙥𝙧𝙤𝙫𝙖𝙫𝙚𝙡𝙢𝙚𝙣𝙩𝙚 𝙣𝙪𝙣𝙘𝙖 𝙢𝙖𝙞𝙨 𝙫𝙖̃𝙤 𝙦𝙪𝙚𝙧𝙚𝙧 𝙥𝙖𝙨𝙨𝙖𝙧 𝙥𝙤𝙧 𝙚𝙨𝙨𝙖 𝙚𝙭𝙥𝙚𝙧𝙞𝙚̂𝙣𝙘𝙞𝙖 𝙣𝙤𝙫𝙖𝙢𝙚𝙣𝙩𝙚. 𝙀𝙣𝙩𝙧𝙖𝙧𝙖𝙢 𝙣𝙤 𝙧𝙞𝙣𝙜𝙪𝙚 𝙘𝙖𝙣𝙩𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙫𝙞𝙩𝙤́𝙧𝙞𝙖 𝙚 𝙩𝙚𝙧𝙢𝙞𝙣𝙖𝙧𝙖𝙢 𝙚𝙣𝙘𝙪𝙧𝙧𝙖𝙡𝙖𝙙𝙤𝙨 𝙣𝙖𝙨 𝙘𝙤𝙧𝙙𝙖𝙨.

Arcírio Gouvêa Neto

Via Maga Lee Craveiro

 

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LULA NA GLOBO E O ESPELHO DOS JORNAIS

Por João Guató

Lula sentou-se diante das câmeras da Globo para uma entrevista, mas saiu de lá distribuído em quatro versões, como acontece com quase tudo na política brasileira: cada jornal enxergou um pedaço do elefante e o leitor ficou encarregado de descobrir onde termina a tromba e começa a cauda.

A entrevista foi uma espécie de viagem no tempo. Enquanto o presente perguntava sobre as investigações envolvendo o filho Fábio Luís, o Lulinha, Lula puxava o passado pela mão e colocava a Lava Jato novamente na sala. Não como lembrança, mas como fantasma. E fantasma político, quando encontra microfone, não descansa em paz.

A Folha de S.Paulo, diferentemente da impressão inicial de que não havia publicado repercussão específica, destacou a defesa de Lula ao filho, a classificação das acusações como “ilações” e a afirmação de que não haverá interferência do governo nas investigações. A Folha também registrou o desconforto em torno da relação da lobista Roberta Luchsinger com o entorno presidencial e a reação da campanha às fotografias que circularam depois da entrevista.

O UOL, por sua vez, encontrou o coração dramático da noite no atrito entre Lula e os entrevistadores. O presidente ressuscitou o “PowerPoint mentiroso”, acusou parte da imprensa de ter comprado e vendido uma mentira durante a Lava Jato e ouviu de Renata Vasconcellos a defesa do papel jornalístico da emissora. César Tralli, por sua vez, lembrou a retratação da GloboNews em outro episódio envolvendo um PowerPoint. Foi o momento em que a entrevista deixou de ser apenas entrevista e virou disputa sobre quem tem o direito de contar a história. No Brasil, até o PowerPoint envelhece, mas não morre.

A cobertura do G1, segundo a apuração reunida, privilegiou o registro mais institucional: Lula afirmou que não protegerá o filho, que não interferirá na Polícia Federal e que Fábio Luís deverá responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito. O presidente tratou os elementos apresentados contra o filho como “ilações” e estabeleceu a comparação com as acusações que enfrentou durante a Lava Jato.

E O Globo deu relevo à dimensão política e emocional da entrevista: Lula voltou à própria experiência para explicar a defesa do filho, criticou as suspeitas que circulam sobre pessoas próximas e reiterou que ninguém deve ser condenado antes do julgamento. Também abordou economia e governo, porque entrevista presidencial sem a palavra “herança” é quase como Brasília sem tapume: existe, mas causa estranhamento.

No fim, a repercussão revela algo maior que a entrevista. O Globo viu a política e o peso do passado. O UOL viu o confronto. O G1 viu o procedimento institucional. A Folha acompanhou as investigações e as contradições que continuaram a produzir notícias depois das câmeras desligadas.

Lula foi à Globo falar do presente, mas descobriu que, em política, o passado sempre pede aparte. A Lava Jato apareceu sem ser convidada. A imprensa respondeu quando foi criticada. O filho virou assunto de Estado porque, para presidente, família nunca é apenas família aos olhos da República.

E o eleitor, sentado no sofá, provavelmente percebeu a velha regra da democracia brasileira: a mesma entrevista nunca termina quando acaba. Ela apenas começa de novo, na manchete seguinte

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