Envergonham o jornalismo

Envergonham o jornalismo

 

 

 

DOIS ELEMENTOS QUE ENVERGONHAM O JORNALISMO BRASILEIRO

A cobertura do primeiro turno das eleições merecerá, na história da comunicação, um capítulo inteiro dedicado à postura de assanhamento descarado e vagabundo de Cesar Tralli e Rena Lo Prete diante dos 1,8% de vantagem de Flavio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva.

Os gracejos, risadinhas e festejos do "já-ganhou" não passaram despercebidos por ninguém, nem na esquerda nem na banda destra da política nacional.

Tralli é o típico generalista de superfície, de texto medíocre, um sabe-nada dado a obviedades constrangedoras, platitudes de rasa bufonaria e expressões de surpresa diante do evidente.

Evoca a figura do Conselheiro Acácio, o célebre personagem do romance "O Primo Basílio", de Eça de Queirós. Falta-lhe, no entanto, a pompa e a solenidade do referido sujeito literário.

Tralli é um despreparado, que não se sabe como deixou de noticiar buracos de rua para declamar, na calçada de um tribunal ou secretaria pública, press-releases de conveniência redigidos por larápios da vida pública.

Nunca investigou nada com competência. Diante de evidências claras de falcatruas dos poderosos, correu sempre assustado da revelação, temendo causar irritação na corte profissional da lambe-sacos da família Marinho.

Alcançou o Jornal Nacional porque o diário televisivo se encontra em franca e inevitável decadência. Recebeu a vaga por inércia, por covardia nata e por sabujice notória.

Tão tonto e mal informado, na entrevista com Lula, confundiu o PowerPoint de Dallagnol com o de Andreia Sadi. Vergonha alheia para os anais do jornalismo cabotino.

Renata Lo Prete ascendeu na Folha por conta dos afetos esquisitos do finado Frias, moço rico, um tanto atoleimado, que tentava posar de intectual moderno e descolado.

Foi o mesmo que tentou humilhar Lula em um almoço da Barão de Limeira e deste tomou uma invertida monumental. O metalúrgico se levantou, deu-lhe as costas e foi cuidar de interlocutores menos prepotentes.

Em junho de 2005, então editora do "Painel" na Folha de S.Paulo, Lo Prete iniciou a armação da primeira tentativa de golpe contra o governo Lula.

Publicou uma entrevista com o deputado federal Roberto Jefferson (PTB) que elevou à categoria de escândalo. Além de propagandear ineditismo em práticas que eram tradicionais da política brasileira, converteu episódios de reciprocidade entre partidos coligados em delitos inauditos.

Seu trabalho de demolição de reputações foi fundamental para, no girar do moinho jurídico, praticamente destruir a carreira política de José Dirceu, herdeiro natural de Lula.

Quando trabalhava na Folha de S.Paulo, Renata seguiu em missões de perseguição e detração política. Em 2007, por exemplo, produziu conteúdo altamente tendencioso e eivado de incorreções sobre a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Em 2009, a Folha e Renata foram condenadas em primeira instância a pagar indenização de R$ 139,5 mil. Em agosto de 2010, porém, fortemente pressionado pelo baronato midiático, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul reformou a decisão e anulou a condenação.

Na TV, procura a máscara da seriedade para enviesar seu trabalho, especialmente em entrevistas. O tom de voz, a seleção dos temas e a maneira de transformar sabatina em interrogatório revelam cristalinamente a missão que lhe foi conferida pelos capos globais.

Na cobertura buliçosa e despudorada das eleições em primeiro turno, Tralli e Renata pareciam habitar o palco de um comitê de campanha de Flavio Bolsonaro.

Nesta eleição, o JN não escondeu que tem candidato e que optou pele retorno do fascismo, honrando a tradição da empresa que mais se beneficiou do corrupto e assassino regime militar.

Os inúmeros escândalos envolvendo a família Bolsonaro são minimizados, atenuados, noticiados em código, com máxima celeridade.

Outros fatos de extremo relevo são simplesmente varridos para debaixo do tapete, como ensinava o não saudoso ministro Rubens Ricúpero, aquele do "Escândalo da Parabólica".

Detalhe importante nesse caso pretério: ele confessava tais impropriedade com total tranquilidade e segurança perante um repórter da Vênus Platinada.

Ou seja, sabia que suas confidências eram ouvidas por gente aliada, sem compromisso com a ética jornalística, incapazes de delatá-lo.

Não está sendo diferente neste segundo turno. A cobertura de Folha, Globo, Band, SBT e Record degringolou para uma extensão imoral e ilegal da propaganda do partido miliciano.

Dificílimo se apresenta o prélio decisivo na disputa para a presidência, mas gratificante seria assistir à cara de cu desses dois serviçais da infâmia caso Lula conquiste seu quarto mandato na presidência da República.

Walter Falceta




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