Equilíbrio na democracia

Equilíbrio na democracia

O EQUILÍBRIO QUE A DEMOCRACIA EXIGE

— por André Negrão

 

Bom dia… ou talvez boa consciência, porque hoje o assunto não é leve.

É daqueles que fazem a gente parar no meio do caminho — seja no metrô lotado, no café apressado antes do trabalho ou naquele silêncio raro depois de um dia exausto — e perguntar: quem realmente governa um país?

Muita gente ainda acredita que política se resume ao presidente. Como se o Brasil fosse uma empresa onde o CEO decide tudo sozinho. Mas a realidade institucional brasileira é bem mais complexa — e, para quem não entende isso, a frustração política vira rotina.

O Brasil não é presidencialista absoluto.

O Brasil é um presidencialismo de coalizão.

Traduzindo: o presidente governa, mas quem permite governar é o Congresso.

Hoje temos 513 deputados federais e 81 senadores. São eles que aprovam ou travam projetos, liberam ou bloqueiam orçamento, criam leis, alteram regras trabalhistas, tributárias e sociais. O presidente pode propor, mas quem decide, na prática, é a maioria parlamentar.

E é aqui que muita gente se perde.

O PRESIDENTE NÃO GOVERNA SOZINHO

Imagine tentar dirigir um ônibus com cinquenta passageiros puxando o volante para lados diferentes. É isso que acontece quando existe um governo eleito com uma proposta social enquanto o Congresso possui maioria ideológica oposta.

Nos últimos anos, vimos um fenômeno claro:

uma forte organização da direita e do bolsonarismo dentro do Legislativo.

Isso significa que:

projetos sociais enfrentam resistência;

pautas trabalhistas sofrem pressão constante;

investimentos públicos viram disputa política;

o governo precisa negociar cada passo.

Não importa se o presidente é de esquerda ou de direita: sem base parlamentar, governar vira sobrevivência diária.

E aí nasce o grande erro do eleitor brasileiro.

Muitos votam para presidente pensando em mudança, mas escolhem deputados e senadores que defendem o projeto contrário. O resultado é um país travado, polarizado e improdutivo.

DEMOCRACIA É EQUILÍBRIO, NÃO TORCIDA

A função de partidos como PT, PSOL e PCdoB, que historicamente compõem alianças com governos progressistas, não é apenas ocupar cargos — é formar sustentação política para implementar políticas públicas.

Porque políticas sociais, programas de renda, investimentos em educação, saúde e direitos trabalhistas não nascem do discurso presidencial. Eles passam por:

comissões parlamentares,

votações,

emendas,

negociações orçamentárias.

Sem maioria, qualquer proposta vira refém da oposição.

E oposição forte é saudável — democracia precisa disso.

O problema começa quando o objetivo deixa de ser fiscalizar e passa a ser impedir governabilidade.

Quando isso acontece, o país entra em modo permanente de conflito institucional. Quem perde não é o governo. Quem perde é o trabalhador esperando hospital, escola, emprego e estabilidade econômica.

POLÍTICA NÃO É IDENTIDADE — É ESTRATÉGIA

Uma democracia madura entende algo simples: voto não é paixão, é planejamento coletivo.

Pesquisem candidatos.

Olhem histórico de votação.

Observem quem votou contra ou a favor de direitos sociais, políticas públicas e investimentos estruturais.

Porque deputado não aparece só na eleição — ele aparece nas leis que moldam sua vida pelos próximos anos.

O salário mínimo, a aposentadoria, o financiamento da saúde pública, o orçamento da educação… tudo passa por ali.

E quando a população ignora isso, entrega o volante do país para quem ela nem sabe que está dirigindo.

A REFLEXÃO FINAL

Talvez o maior erro do brasileiro seja acreditar que democracia termina na urna presidencial.

Não termina.

Ela começa ali.

Um presidente sozinho é voz.

Um Congresso alinhado é ação.

Se a sociedade quer direção política clara, precisa entender que governar um país continental como o Brasil exige equilíbrio de forças — não apenas um líder, mas uma maioria capaz de transformar projeto em realidade.

Porque no fim das contas…

o poder nunca esteve apenas em Brasília.

Ele sempre esteve espalhado em milhões de votos pequenos, silenciosos, individuais — que juntos decidem se o país anda para frente, gira em círculo… ou fica parado discutindo enquanto o tempo passa.

E a pergunta que fica não é sobre esquerda ou direita.

A pergunta é:

você está escolhendo quem fala por você… ou apenas quem grita mais alto?

Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.

FONTE:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100002807573028&locale=pt_BR 




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