Escola da ignorância

Escola da ignorância

Nazismo de esquerda, cultura da estupidez

Escola da ignorância

      Acordo no meio da tarde de um cochilo no sábado calorento e me pergunto repentinamente como se ainda estivesse no pesadelo: onde estudaram esses caras que andam dizendo que o nazismo era de esquerda?

Onde estudaram os que colocam a culpa da escravidão nos negros? Tenho certeza de que os professores ensinaram tudo direitinho. A Embaixada da Alemanha perdeu tempo tentando explicar o óbvio aos ignorantes.

O nazismo era uma ideologia de extrema-direita.

Só nega isso certamente quem tem simpatia, explícita ou escondida, pelo mal do século XX.

O embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, deu o recado com precisão: “Há muitas pessoas que não sabem muito sobre o nazismo. E nós queremos informar. Uma pessoa informada vai fazer de tudo para evitar uma volta do nazismo. Mas parece que há outros que têm um interesse político de reinterpretar o nazismo para encaixá-lo de acordo com seus objetivos imediatos. Esses grupos políticos fazem tentativas desonestas de mover a responsabilidade do Holocausto para o colo de outros”. Mesmo assim, há quem persista em disseminar o erro.

O cientista político Gérard Briais deu-se o trabalho de detalhar alguns aspectos da ideologia nazista: “Nenhum regime misturou nacionalismo e racismo nesse ponto. O mito do super-homem não é uma figura da esquerda. Uma vez no poder, os nazistas aplicaram uma política antiprogressista, proibindo todos os sindicatos, negando qualquer reconhecimento social às mulheres, reduzindo-as à famosa KKK (Kinder, Kirche, Küche – criança, capela, cozinha). Os homossexuais foram enviados para campos de concentração. Em casos de aborto, mulher e médico eram condenados juntos”. Edgar Morin, 97 anos, que lutou contra o nazismo, limitou-se a um estrondoso: “Absurdo”. Que mais?

John Stuart Mill zombava de quem via nas perseguições algo útil por fazer a verdade vir à tona.

The economista, publicação inglesa, foi fundada por admiradores de Mill. Liberal em economia, está sendo chamada por direitistas brasileiros de comunista por ser liberal também em costumes.

Nelson Rodrigues pensou ter acertado com esta boutade: “O ser humano é cego para os próprios defeitos. Jamais um vilão do cinema mudo proclamou-se vilão. Nem o idiota se diz idiota. Os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos. Nunca vi um sujeito vir à boca de cena e anunciar, de testa erguida: – Senhoras e senhores, eu sou um canalha”. Errado.

Hoje, o idiota vem a público gritar: “Eu sou um canalha com muito orgulho. É meu direito”. Se precisar, faz isso nu. As redes sociais acabaram com o pudor ideológico. A época do fascista envergonhado terminou. Na verdade, no Brasil, a vergonha durou apenas um intervalo. O idiota tecnológico ou hipermoderno considera-se um gênio por viver numa bolha onde todos são geniais como ele. Em lugar de aprender história, reescreve o que não estudou. Em vez de tomar conhecimento do passado, estraga o presente e compromete o futuro. A inteligência artificial vem destacando a nossa estupidez natural. Jean Baudrillard ironizava que seria uma salvação. É um enterro.

 

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2018/09/11198/nazismo-de-esquerda-cultura-da-estupidez/ 




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