Escola onde professores estudam

Escola onde professores estudam

Escola boa é a escola onde professores estudam

Altair Fávero é Coordenador do PPG-EDU, Programa de Pós Graduação da UPF (Universidade de Passo Fundo). Atua e atou de maneira intensa em formação de professores, sobretudo de formação de professores da educação básica.


Nesta entrevista exclusiva ao site, Altair vai abordar a importância da formação dos professores e professoras, bem como a importância da atualização e aperfeiçoamento de estudos através de Mestrado e Doutorado. Fávero revela, ainda, a importância de algumas pessoas e de alguns estudos e experiências que consolidaram a sua atuação como docente no Ensino Superior e na sua trajetória na formação de professores e professoras.

Fávero vai ainda explicitar a forma com que a UPF (Universidade de Passo Fundo) vai colocar à disposição dos professores e professoras da educação básica, sobretudo os da rede municipal de Passo Fundo, a sua estrutura e as possibilidades de aperfeiçoamento profissional.

Conheçamos a história deste professor por ele mesmo.



SITE NEIPIES: Professor Altair, quando, como e porquê decidiu ser professor?

Altair Fávero: Fui alfabetizado pela minha mãe, Leontina Bissani Fávero, que completou 88 anos de idade neste ano de 2021. Ela alfabetizou por 31 anos toda uma geração de pessoas no comunidade de Santo Agostinho, interior de Vila Maria/Marau. Sempre digo a ela, que na sua simplicidade de uma professora alfabetizadora que aprendeu a ser professora pela experiência e pela dedicação foi uma excelente educadora.

Me lembro que nos idos da década de 1970 preparava seus diários de classe à luz de vela, pois nem sequer tinha luz elétrica. Tinha numa mesma sala alunos da primeira até a quarta série e mesmo assim conseguiu contornar os desafios de alfabetizar toda uma geração. Ainda hoje é chamada de professora na comunidade. Duas das minhas irmãs (Marilene Fávero Turra e Zenaide Fávero Marini) também se tornaram professoras e dedicaram sua vida a levar adiante o legado da mãe. Pensando agora, retrospectivamente, talvez a dedicação de minha mãe e o zelo de minhas irmãs também me impulsionaram para ser professor.

Os primeiros 4 anos de minha escolarização (1975-1978), conforme mencionei acima, estudei com minha mãe na Escola Municipal Santos Dumont. Eram tempos difíceis, de poucos recursos e nas comunidades do interior a vida escolar terminava na quarta série. Como desde pequeno fui instigado a seguir a vida religiosa, em 1979 ingressei como interno no Colégio Gabriel Taborin de Vila Maria e lá permanecei até a oitava série. O Colégio era mantido pelos irmãos da Sagrada Família e nesses quatro anos, certamente, deve ter tido o auge do número de alunos. Me lembro que no ano que ingressei havia quase 120 alunos internos, além dos alunos externos que somente frequentavam as aulas. Entre 1983 a 1985 cursei o Ensino Médio no Seminário Nossa Senhora Aparecida em Passo Fundo. Foi um tempo precioso, pois tive a oportunidade de ter bons professores, uma vasta biblioteca e principalmente a sistemática de estudo que carrego comigo até hoje. Tínhamos aula de segunda à sábado das 7h20 até 12h15, estudos a tarde e à noite. Além das disciplinas tradicionais do ensino médio, tive o privilégio de estudar latim, inglês e francês. Foi um tempo muito especial, pois os padres que na época acompanhavam os seminaristas tinham uma significativa trajetória de envolvimento pastoral.

De 1986 até 1989, realizei o Curso de Licenciatura em Filosofia na UPF e certamente foi um dos momentos mais importantes de minha vida que se tornaram decisivos para ser professor, pois além do aprendizado realizado na Universidade, também tive um intenso envolvimento com a Pastoral da Juventude (PJ). Na Universidade, tive a oportunidade de estudar as grandes tradições filosóficas com excelentes professores que marcaram minha vida como o professor Elli Benincá, Gilvan Hansen, Luiz Carlos Luckmann, Eldon Henrique Mühl, Jaime Giolo, dentre outros.

Além dos professores, tínhamos um grupo de colegas altamente engajados em conhecer a filosofia e suas tradições. Organizamos desde os primeiros semestres grupos de estudos e usávamos parte das férias para aprofundar temáticas que não tinham sido suficientemente abordadas nas aulas.

Com o professor Benincá nos envolvemos em projetos de pesquisa, como trabalho voluntário, e posso dizer com toda segurança que foram estes engajamentos que se tornaram o diferencial em minha formação e também dos colegas. Concomitante, a formação acadêmica também tinha o engajamento pastoral, principalmente no trabalho com os jovens. Foram anos intensos de estudos, de assessorias e aposta num projeto de mudança, de democratização do conhecimento e de compromisso com a mudança social. Foram incontáveis os finais de semana que assessorei grupos de jovens nas comunidades do interior e nas paróquias da Diocese de Passo Fundo.

 

 

No segundo semestre de 1989, fiz meu estágio numa turma de segundo ano de Ensino Médio do Menino Deus. A experiência de estágio foi tão significativa e me senti tão realizado que decidi desistir da vida religiosa e me tornar professor. Em fevereiro de 1990 fui contratado como professor de Filosofia e Sociologia no Colégio Notre Dame e como professor de Ensino Religioso no Colégio Bom Conselho. Aí se iniciou uma caminhada que já completa 31 anos.

Difícil dizer em poucas palavras porquê me tornei professor, mas posso dizer retrospectivamente que foram 3 grandes motivos: a) por sentir que a sala de aula é o melhor espaço para compartilhar conhecimentos e socializar as aprendizagens; b) por acreditar que a educação transforma pessoas, estruturas e realidades; c) por perceber que nas crianças e na juventude está a esperança de construir um país decente para se viver.

SITE NEIPIES: Quais são, na sua visão, os maiores desafios e as maiores realizações da profissão docente?

Altair Fávero: Ser professor não é tarefa fácil, pois implica defrontar-se com a complexidade do processo educativo. Os que dizem que ser educador é tarefa simples e qualquer um é capaz de fazer, ou não sabe o que está dizendo ou simplesmente banaliza aquilo que que há de mais importante no ser humano, sua formação.

Em seus escritos Sobre Pedagogia, o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) dizia que a Educação é uma arte, cuja prática necessita ser aperfeiçoada por várias gerações.

Cada geração, de posse dos conhecimentos das gerações anteriores, tem a possibilidade de estar melhor aparelhada para exercer uma educação que desenvolva melhor as aptidões de cada um, e assim poder melhorar a própria espécie.

Nós não nascemos prontos, nascemos com potencialidades que podem ou não ser desenvolvidas. Por isso que a educação talvez seja o maior e o mais árduo problema que a humanidade precisa enfrentar. Por isso, sabiamente, Kant diz que “não se deve educar as crianças segundo o presente estado da espécie humana, mas segundo um estado melhor, possível no futuro, isto é, segundo uma ideia de humanidade e de sua inteira destinação”.

É nesse sentido que acredito que a educação pode fazer a diferença não só para a vida individual das pessoas, mas para sociedade como um todo.

Não é possível construir uma grande nação ou um lugar mais decente para viver sem a educação. No entanto, isso está completamente esquecido na realidade brasileira, nos discursos e práticas de muitos governantes e no entendimento de um grupo expressivo de pessoas influentes que compreendem a educação como um negócio para ganhar dinheiro e com isso mercantilizaram os processos formativos. Temos realizados muitos estudos junto ao Gepes nessa direção.

Em 2019, nos debruçamos longamente sobre o livro A escola não é uma empresado pesquisador francês Christian Laval (2004). Desses estudos produzimos diversos artigos dentre eles destaco: “A subjetivação capitalista enquanto mecanismo de precarização do trabalho docente na educação superior” (Fávero; Bechi, 2020), “Escola conveniada ou charter school? Uma abordagem sobre termo de colaboração entre a prefeitura e o terceiro setor para oferta da educação básica em Porto Alegre” (Fávero; Consaltér e Pires, 2020), “O Neoliberalismo Pedagógico como Produto do Sujeito Empresarial: ameaças à democracia educacional” (Fávero; Tonieto e Consaltér, 2020), “Quando a educação se torna um negócio: ideologia neoliberal na educação e a cristalização do novo senso comum pedagógico” (Fávero e Trevisol, 2020); “A lógica do mercado e suas implicações nas políticas e processos de avaliação da Educação superior” (Fávero; Consaltér e Tonieto, 2020) e “Os impactos da globalização sobre a Educação do Campo: políticas públicas de resistência” (Stefanello e Fávero, 2020). Além de todos estes artigos o Gepes também produziu a volumosa coletânea Leituras sobre Educação e Neoliberalismo (Fávero; Tonieto e Consaltér, 2020), composta de 22 capítulos, publicada pela editora CRV de Curitiba.

Esse cenário desanimador e cruel de mercantilização da educação pode ser enfrentado se tivermos a capacidade de pensar em outras perspectivas. O próprio Gepes caminhou nessa direção em 2020, quando se debruçou sobre os estudos da filósofa Martha Nussabaum que pensa a educação a ideia de sociedade e de educação para além da limitada perspectiva econômica. Estuados diversas obras de Nussbaum dentre as quais destaco Sem fins lucrativos (Nussbaum, 2017), Fronteiras da Justiça (Nussbaum, 2013), El cultivo de la humanidade (Nussbaum, 2005), Educação e Justiça Social (Nussbaum, 2014), Crear capacidades (Nussbaum, 2012) dentre outras.

Os intensos estudos realizados durante o ano de renderam a publicação da coletânea Leituras sobre Marta Nussbaum e a educação (Fávero; Toneito; Consaltér e Centenaro, 2021), também publicada pela CRV/Curitiva e um conjunto de artigos, alguns dos quais já estão publicados: “Reforma do Ensino Médio no Brasil e crise mundial da educação: uma análise reflexiva da flexibilização das humanidades na educação básica” (Fávero; Centenaro e Costa, 2019) e “Reformas curriculares e o ataque ao pensamento reflexivo: o sutil desaparecimento da filosofia no currículo da Educação Básica no Brasil” (Fávero; Centenaro e Santos, 2020).

Tentando ser objetivo, pois a pergunta renderia um livro, penso que são muitos os desafios nos dias atuais para a profissão docente.

Me atrevo a elencar alguns: a) tornar a educação o centro das atenções de governantes e da sociedade de modo geral; b) fortalecer e qualificar a escola pública; c) aproximar a universidade da educação básica; d) qualificar e vitalizar a profissão docente; e) combater o pensamento autoritário/fascista que tem tomado conta do cenário político e nas redes sociais; f) reabilitar certos valores fundamentais para a educação como solidariedade, diálogo e justiça social; g) defender a ciência como ferramenta imprescindível para exercer a educação e combater o obscurantismo; h) aproximar a escola da comunidade onde está inserida; i) formar novas lideranças políticas que possam colocar de volta a sociedade nos eixos (talvez seja importante adjetivar); j) qualificar o debate sobre educação nos meios de comunicação e nas redes sociais; l) tornar a profissão docente tão interessante e valorizada que as crianças e os jovens queiram ser professores.

Me considero muito realizado como professor e se tivesse uma outra vida, certamente gostaria de ser professor novamente. Nestes mais de 30 anos de profissão, tive a oportunidade de ser professor de muitos alunos. Certamente minha atuação não influenciou positivamente em todos eles. Certamente, muitos dos milhares que passaram pelas minhas aulas nem sequer lembram que fui seu professor. Mas um grupo significativo de bons profissionais de distintas áreas do conhecimento eu acredito ter feito a diferença em sua formação.

Guimarães Rosa já dizia que o professor é aquele que escreve na rocha, pois sua atuação deixa registros profundos na vida de seus alunos. Acredito nisso, e talvez seja exatamente essa crença que me leva todos os dias a tentar ser um pouco melhor e fazer com que outros também sejam bons professores.

SITE NEIPIES: Desde quando trabalha com formação de professores? O que lhe encanta nesta tarefa de formar educadores?

Altair Fávero: Sou professor da UPF desde 1992. Todos estes anos sempre trabalhei nos cursos de licenciatura. Em todos estes anos tive a oportunidade de trabalhar com muitos alunos que se tornaram professores.

Além de trabalhar com as licenciaturas, ministrei muitas aulas em Cursos de Especialização lato sensu e muitos deles eram voltados para a formação de professores. Além disse atuei em muitos cursos de formação continuada. Durante mais de uma década estive a frente com alguns colegas no belo e exitoso projeto Educação para o Pensar – Filosofia com Crianças e Jovens. Por meio deste projeto realizamos mais de 300 cursos em centenas de escolas do Rio Grande do Sul e em outros estados. Ao todo foram mais de 2 mil professores que realizaram algum dos módulos de formação ligado a esse projeto. O combustível que sempre me moveu em atuar na formação de professores é atualizar a ideia de que não se zela bem da educação se não houver um processo cuidadoso de formação dos seus educadores. Educar o Educador foi o título de um livro que escrevi em parceria com a professora Carina Tonieto, publicado em 2010 pela editora Mercado de Letras que aborda algumas reflexões sobre a formação docente. Penso que é nessa direção que deveríamos pensar as políticas educacionais em seus diversos âmbitos. Não podemos falar em educação de qualidade sem cuidar da formação docente.

 

No entanto, não se pode confundir formação com treinamento ou com titulação. Há muitos treinamentos que podem ser qualquer coisa, menos formação. Há treinamentos que deformam, que imbecilizam e que prestam um desserviço à educação. Há treinamentos realizados por certas instituições que estão mais preocupadas em ganhar dinheiro do que em oportunizar formação para os professores.

Escrevi com a pesquisadora Rosimar Esquinsani (2011), o artigo “Me ame, me abrace e me acolha! Saberes docentes e políticas de formação continuada” onde analisamos e denunciamos a profusão de cursos e eventos que apelam para a afetividade como argumento de metabolismo para o cotidiano dos professores. Também com meu orientando de doutorado Evandro Consaltér (2018) escrevi o artigo “Pedagogia do afeto e a banalização da formação continuada de professores: uma análise da literatura de autoajuda nos processos formativos”, onde analisamos a banalização dos processos de formação continuada de professores a partir da pedagogia do afeto que se materializa por meio da literatura de autoajuda para professores. 

Na mesma direção também escrevi com Carina Tonieto e Evandro Consaltér (2019) o artigo “Relaxar ou Refletir? um Ensaio sobre a Formação Continuada de Professores em Escolas Públicas do Rio Grande do Sul”, onde analisamos 11 projetos de formação continuada executadas por 11 escolas estaduais da região Norte do Rio Grande do Sul. No artigo mostramos que tais projetos indicam que a formação continuada de professores nem sempre prima por um processo reflexivo e que muitas vezes acaba caindo na banalização da literatura deauto-ajuda  e de alguns momentos de relax diante do estressante exercício da profissão.

A distinção entre titulação e formação também é importante de ser esclarecida, pois muitos acreditam que ter em mãos um diploma ou um certificado é suficiente para ser professor. Assim, temos hoje muitas instituições com credibilidade duvidosa que literalmente vendem diplomas. Por conta disso, muitos tem tomado o caminho mais fácil para serem professores. Realizam cursos de curta duração, muitos deles à distância, e em pouco tempo tem em mãos o título de graduado em pedagogia ou em qualquer outra licenciatura.

Muitos destes “titulados”, realizaram o “curso” de qualquer jeito, mandando fazer trabalhos, cumprindo protocolos para ter aprovação das disciplinas, nem sequer fizeram estágio, tem dificuldade de leitura e interpretação, muitos com muita dificuldade de escrita e elaboração e se tornam professores. Que tipo de professores? O que tem a oferecer a seus alunos? Que visão de ciência, de conhecimento, de sociedade, de cultura carregam em sua bagagem formativa? Certamente, uma forma muito reduzida de compreender o mundo e o universo educacional.

Não se resolve o problema da educação com titulação, nem com compra de “pacotes formativos”, muito menos com discursos vazios e boas intenções. Educação exige planejamento, investimento, escola pública de qualidade, formação de professores e políticas públicas articuladas.

SITE NEIPIES: Qual é a importância a formação continuada e permanente de professores?

Altair Fávero: Em nosso tempo, toda e qualquer profissão exige atualização, formação continuada, aprendizagem em exercício.  São muitos os nomes e não tenho espaço aqui para fazer as distinções. Talvez, em tempos mais antigos, tal exigência não seria uma obrigação tão rigorosa, mas hoje isso é condição de sobrevivência, de dignidade da própria profissão. Na educação escolar não poderia ser diferente. No entanto, o que se vê é que muitos professores ainda não entenderam essa exigência.

Em minhas andanças pelas escolas, ouvindo o depoimento de alunos que recentemente saíram da educação básica, ou tomando contato com as pesquisas que se debruçam sobre a problemática, há narrativas assustadoras de “professores” (coloco entre aspas, porque talvez não deveriam ter esse título) que cometem verdadeiro epistemicídio pedagógico em suas práticas. São professores que estão na escola, mas não deveriam estar; são professores que até podem ter uma titulação, mas não deveriam estar exercendo a profissão; são pessoas que pararam no tempo, que não estudam, não lêem, não problematizam suas práticas, geralmente tem uma postura autoritária ou fazem o jogo dos “coitadinhos”; acreditam erroneamente que o magistério é uma “vocação” ou que escolheram errado sua profissão; reclamam do salário, da falta de respeito dos alunos, da má qualidade da escola pública, das condições de trabalho e da vida infeliz. São poucos, mas estão presentes em muitas escolas.

Minha hipótese é de que muitos destes agiriam de forma diferente se houvesse autênticos e democráticos processos de formação continuada nas escolas. O professor não está pronto no dia da formatura e não são seus 10 ou 20 anos de experiência que o tornam melhor ou pior professor.

O professor se torna melhor quando consegue pensar sobre sua própria condição profissional.

Nesse sentido, concordo com António Nóvoa quando diz que “a formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal” (1995, p. 25).

SITE NEIPIES: “Uma escola boa é a escola onde os professores estudam”. Por quê?

Altair Fávero: Gosto muito dessa frase, que não é minha, mas do saudoso Gilberto Dimenstein, jornalista educador, falecido recentemente vítima de um câncer. Ouvi essa frase na conferência “O aprendiz do futuro” proferida pelo próprio Dimenstein em agosto de 2000 num evento em Porto Alegre. Desde então tenho incorporado essa frase com um princípio pedagógico fundamental para pensar a educação de qualidade. Essa frase também tem relação com a ideia de Paulo Freire que que o ser humano é um ser inacabado.

Eu diria que o professor é um ser inacabado e quem consegue compreender isso percebe que o SER PROFESSOR é um processo continuo de construção. Essa construção se dá por meio do estudo, de vivência, de práticas e do exercício permanente de reflexividade crítica de sua própria ação. Só consegue fazer isso o professor que pensa, que ama o que faz, que sistematiza sua prática, que tem um referencial teórico para analisar sua ação e, principalmente, que tem na profissão um projeto de vida. Essa é a diferença entre um autêntico professor e um simples técnico/instrutor que faz da profissão uma ocupação para sobreviver.

SITE NEIPIES: Uma das formas de mudar as práticas pedagógicas é através da sistematização. Por que esta prática, embora reconhecida como exitosa, ainda é pouco praticada pelo conjunto de professores e redes de ensino?

Altair Fávero: Um dos meus grandes mestres foi o saudoso professor Elli Benincá, falecido recentemente. Como poucos, Benincá foi um mestre no profundo sentido do termo. Foi com ele que aprendi muito do que sou como professor e pesquisador. Ainda no final dos anos de 1980 quando fui seu aluno, aprendi que a melhor forma de compreender algo é sistematizar em forma de registro, de preferência por meio da escrita. Isso serve para uma aula, uma prática, uma pesquisa ou mesmo por meio da vivência.

Padre Elli Benincá, em entrevista à UPF (Universidade de Passo Fundo).

Me recordo até hoje de um dos seus depoimentos em uma de suas aulas de Filosofia da Educação quando falava da importância do registro como forma de reflexão da ação. Contava ele sobre a situação de uma senhora viúva que numa determinada ocasião foi procurá-lo para buscar conselhos para contornar os conflitos diários que tinha com a filha adolescente.

A indicação do Mestre Benincá foi simples: “pegue um caderno ou qualquer papel que possibilite você registrar teus sentimentos, o que te incomoda todas as vezes que vocês tem conflitos; faça isso sempre que possível, até diariamente se for necessário; faça seus registros sem que sua filha perceba; daqui a um mês você retorna para conversarmos novamente”. Passaram-se duas semanas a senhora retornou dizendo: “teve uma transformação profunda; depois de uma semana que comecei a fazer registro minha filha me perguntou: ‘o que está acontecendo contigo mãe? Você está diferente, está mudada, não briga mais comigo, não me julga, está interessada no que eu faço, no que eu penso, no que estou sentido”.

Esse sábio ensinamento do mestre Benincá é uma ferramenta poderosa de reflexividade da própria prática. Quando me tornei professor, incorporei boa parte desses ensinamento “benincanianos” nas minhas práticas.

Me recordo, por exemplo, que quando atuei como professor na Escola Menino Jesus e fiz parte da equipe de coordenação pedagógica da escola, incorporamos essa prática de registro nos conselhos de classe. Cada professor fazia seu registro do semestre e no conselho fazia a leitura do mesmo. É interessante porque os professores se transformavam. Aquele espaço tenso de deliberação, de queixas, de conflitos, se tornava um lugar de compartilhamento de experiência, de proposições, de possibilidades.

Foi a prática de registro que me tornou pesquisador. A pesquisa é exatamente isso: a capacidade de sistematizar o estudo, as investigações, o exercício de síntese das problemáticas investigadas.

Infelizmente, são poucos os professores que realizam o trabalho de registrar suas próprias práticas, até porque escrever leva tempo, exige rigor, disciplina, disposição. Nem todos gostam de se defrontar com seus próprios dilemas e dificuldades que a prática da escrita revela. E talvez esse seja o desafio te tornar a escola um espaço em que o professor estuda. A dinâmica escolar tem sido “exageradamente tarefeira”.

Vivemos, nos últimos anos, e agora mais do que nunca, um intenso e perverso processo de precarização do trabalho docente que se traduz na regressão dos direitos do professores, no aumento da carga horário de trabalho, na atuação em duas ou até quatro escolas, na agressão de pais e alunos, nos julgamentos irresponsáveis da grande mídia que criminaliza o professor.

Se faz muitas coisas na escola e muitas vezes a sociedade delega funções à escola que não deveriam ser sua tarefa. Às vezes são atividades desconexas e muitas vezes vazias ou interesseiras que se esgotam na própria atividade. O espaço escolar deveria ser o espaço do conhecimento, do estudo, da vivência, também do professor. Está posto o desafio para gestores pensar carinhosamente nesta direção.

SITE NEIPIES: Qual é a importância de um professor qualificado, que busca pós-graduações, mestrado ou doutorado?

Altair Fávero: Desde 2008, sou pesquisador e docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado e Doutorado) da UPF, atuo no alinha de Pesquisa em Políticas Educacionais e, nos últimos três anos, excerço a função de coordenador do Programa.

O Mestrado e o Doutorado até pouco tempo eram realidades distantes para muitos professores da educação básica, mas hoje pode ser uma realidade bem próxima para muitos que estiverem interessados em fazer a diferença nos seus espaços de trabalho.

Temos hoje muitos mestrandos e doutorandos que são professores da educação básica e certamente farão a diferença em sua atuação na escola e na sala de aula se tornarem as problemáticas da prática objeto de investigação. Mas para isso é necessário realizar um processo de planejamento conjunto entre secretarias de educação, escolas e universidade para que os professores possam ter as condições para realizar adequadamente o processo de formação e que suas pesquisas possam estar focadas nas problemáticas das escolas. Para os professores que tem a oportunidade de realizar um mestrado ou doutorado num bom programa de pós-graduação a formação pode se revelar uma poderosa ferramenta para autoavaliar sua trajetória profissional. Escrevi sobre isso um artigo com Aline Silva e Aline Bordin (2019) um artigo intitulado “Autoavaliação como Recurso Formativo e Formador: da Educação Superior ao Contexto Escolar” no qual discutimos a importância dos processos de autoavaliação e de reflexão que podem se fazer presentes na formação e atuação docente. O artigo problematiza o papel da educação superior no trabalho com o tema no contexto da formação inicial e continuada de professores, bem como no enfrentamento dos desafios de se consolidar como espaço de construção de saberes indispensáveis à profissionalização docente.

 

 

SITE NEIPIES: O que o PPG-EDU (Programa de Pós-graduação) da UPF tem a oferecer ao conjunto dos docentes neste momento histórico?

Altair Fávero: Nosso programa tem avançado na direção de um diálogo com a Educação Básica. Há diversos projetos que estão focados em problemáticas da Educação Básica. Eu mesmo coordeno um projeto sobre Políticas Curriculares para o Ensino Médio que tem por escopo acompanhar o processo de implantação do Novo Ensino Médio nas 10 escolas piloto da 7ª Coordenadoria de Educação. Com a indicação do Dr. Adriano Teixeira para a Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo estão se abrindo diversas possibilidades de parcerias que vai da formação de professores a realização de convênios para oportunizar que professores da rede possam fazer mestrado e doutorado na UPF.

De certa forma, a preocupação com a Educação Básica tem sido uma das metas do PPGEdu. A título de exemplificação, das 82 dissertações defendidas nos últimos 4 anos, 39 delas dialogam diretamente com a educação básica; e das 38 teses defendidas no mesmo período, 6 delas estão focadas na educação básica. Somando temos um percentual de 45% das teses e dissertações focadas na educação básica. Penso que nos próximos anos podemos avançar muito nessa direção.

Eu não tenho dúvidas que a presença comprometida de mestres e doutores nas escolas melhora a qualidade formativa. Mas para isso é necessário planejamento e transformar a própria escola e as salas de aula, em comunidades de investigação.

Infelizmente, nem todas as gestões municipais tem compreensão, conhecimento ou vontade política do potencial que existe na Universidade para qualificar os processos formativos das escolas. Não se trata de dizer que a Universidade e a Pós-graduação tem as respostas ou as “receitas” para solucionar as problemáticas do cotidiano das escolas. Isso seria ilusório e cair na mesma vala que a “mercantilização dos pacotes formativos” oferecem e que muitos municípios acabam “comprando”.

Realizar um mestrado ou doutorado tendo como objeto de pesquisa as problemáticas da escola, pode aprimorar ferramentas metodológicas e referenciais teóricos que nos possibilitam “ver” e compreender de forma mais alargada as próprias problemáticas e assim enfrentá-los com mais sabedoria e discernimento.

SITE NEIPIES: Por que os docentes, historicamente, manifestam-se muito pouco acerca das questões educacionais, sendo eles os sujeitos que operam a educação, na prática cotidiana?

Altair Fávero: Infelizmente, nossos processos educativos primam pouco pela escrita. Se copia muito e se escreve pouco. Copiar não é escrever. Encher um caderno ouelaborar gigantescos relatórios mecânicos do “cópia e cola” não é escrever, muito menos estudar. A escrita exige pensamento, ideias, reflexões, conhecimentos, interpretações, elaborações. Escrever é um exercício intelectual exigente, pois implica em colocar no papel um conjunto de proposições que precisam ter coerência, consistência e validade.

Escrever é um ato de compromisso com o que está sendo escrito, com a divulgação de ideias, com o posicionamento sobre algo. Escrever exige tempo, maturidade, ousadia, sutileza, sensibilidade. O ato de escrita mobiliza um conjunto de habilidades, competências e capacidades que extrapola o ato mecânico de juntar palavras. Digo tudo isso para considerar algumas das razões pelas quais os professores, infelizmente escrevem pouco e quando escrevem, dificilmente escrevem sobre suas práticas.

Alguns podem objetar dizendo que hoje em dia as coisas são diferentes, que as redes sociais estimularam a escrita, que qualquer um emite mensagens no Facebook, no Instagram ou no Twitter. No entanto, se prestarmos atenção, veremos que há muita cópia e imagem, mas pouca escrita.

As pessoas se limitam a compartilhar, comentar atropelando a gramática e ortografia, apoiando ou condenando certas polarizações, mas dificilmente escrevendo. Num mundo sem lei das redes sociais, as fakes news se tornaram a ordem do dia. Penso que a escola e a sala de aula, também deveriam ser um espaço e um tempo importante para auxiliar os próprios professores e os alunos para não embarcarem em qualquer compartilhamento e para distinguir uma fake news de um fato. Para isso é necessário reflexão, pensamento crítico, capacidade de interpretação, sensibilidade ao contexto, exercício de escrita, comunicação clara. 

SITE NEIPIES: O que a pandemia acrescenta como desafios da educação?

Altair Fávero: Existem algumas pautas da educação que são perenes, que precisam ser permanentemente propostas e revistadas, que não envelhecem enquanto temática de discussão e investigação. Dentre elas destacam a questão da formação continuada, o problema da relação teoria e prática, o papel das tecnologias da educação.

O pesadelo da pandemia que atinge o mundo recoloca estas pautas em outras trilhas que precisam e, portanto, precisam ser repensadas a partir de outras bases e em outras direções. A forma abrupta com que se instauram os efeitos da pandemia para a sociedade e de forma pontual para a escola, a decretação do isolamento social, os conflitos ideológicos e sanitários que se estabeleceram exigem uma profunda e cuidadosa reflexão que não pode ser terceirizada e nem adiada.

Não resta dúvida que a pandemia está mudando as relações pedagógicas e que, possivelmente, irá afetar a organização escolar no cenário pós-pandemia. Isso significa que está em curso uma ressignificação da relação teoria e prática e mesmo a forma como a escola se relaciona com a sociedade e com o mundo das tecnologias.

Por seu turno, a formação de professores também está sendo profundamente afetada e passará por diversas mudanças a curto e médio prazo. Como os professores irão enfrentar seus próprios medos e inseguranças de um mundo em transformação, que exige todo um cuidado de higiene e distanciamento? Como não se deixar seduzir por soluções fáceis que reduzem a educação a uma simples instrumentalização por plataformas digitais? De que forma enfrentar os traumas ocasionados pela própria pandemia?

Que estratégias mobilizar para combater ou neutralizar o obscurantismo ou o fanatismo religioso que tomou conta da vida de muitas pessoas e que coloca em risco certas conquistas fundamentais para a existência de uma sociedade democrática? Como ajudar os alunos para que saibam distinguir notícias falsas (fakes news) que circulam nas redes sociais, em sites criminosos de notícias baseadas em fatos de um bom jornalismo?

Como evitar que o terrorismo virtual dissemine o ódio, a violência e as mais variadas formas de perversão?  São questões complexas, problemáticas e de difícil solução. No entanto precisam ser apresentadas como pautas importantes para o debate educacional do presente e do futuro.

SITE NEIPIES: Que mensagem deixa para os que leram entrevista até aqui.

Altair Fávero: Me agrada pensar com Anísio Teixeira que a educação não é privilégio e sim direito.Talvez uma das lutas mais importantes que precisam ser enfrentadas por todos é justamente a defesa desta bandeira: A educação é um direito de todos.

Mas tal bandeira não pode ser apenas um discurso retórico ou uma frase pronta para ser dita num palanque eleitoral. Ela deve estar na plataforma de cada cidadão, de cada brasileiro, de cada profissional que quer um país decente para viver. Sua materialidade, no entanto, depende de políticas públicas bem articuladas, de investimentos robustos e de uma escola pública fortalecida e qualificada.

Somo minha convicção às vozes de Jan Masschelein e Maarten Simons, dois pesquisadores da Universidade de Louvain (Bélgica), que estarão no PPGEdu no dia 10 de novembro, participando da IV Mostra de Educação organizada pelos mestrandos, doutorandos e egressos do PPGEdu da UPF (todos estão convidados à participar). Em 2013 os referidos pesquisadores publicaram o livro Em defesa da escola: uma questão pública, traduzido para o português em 2017.

Me somo a eles quando dizem que “exatamente hoje – numa época em que muitos condenam a escola como desajeitada frente à realidade moderna e outros até mesmo parecem querer abandoná-la completamente – que o que a escola é e o que ela faz se torna claro: a escola oferece um tempo livre e transforma o conhecimento e as habilidades em ‘bens comuns’, e, portanto, tem o potencial para dar a todos, independentemente de antecedentes, talento natural ou aptidão, o tempo e o espaço para sair de seu ambiente conhecido, para se superar e renovar o mundo”. É em defesa dessa escola que mobilizo minhas energias que me fazem acreditar na educação.

Autor: Nei Alberto Pies

Edição: Alex Rosset

Referências mencionadas na entrevista:

FÁVERO, Altair Alberto; TONIETO, Carina. Educar o educador: reflexões sobre formação docente. Campinas: Mercado de Letras, 2010.

FÁVERO, Altair AlbertoESQUINSANI, Rosimar Serena Siqueira. Me Ame, Me Abrace, Me Acolha! Saberes Docentes E Políticas De Formação Continuada. Contrapontos (UNIVALI), v. 11, p. 1-8, 2011. Disponível em: https://siaiap32.univali.br/seer/index.php/rc/article/view/2430

FÁVERO, Altair Alberto; CONSALTÉR, Evandro. Pedagogia do Afeto e a Banalização da Formação Continuada de Professores: uma Análise da Literatura de Autoajuda nos Processos Formativos. Atos de Pesquisa em Educação (FURB), v. 13, p. 394-411, 2018. Disponível em: https://proxy.furb.br/ojs/index.php/atosdepesquisa/article/view/6292

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FOTOS: Divulgação/arquivo pessoal

 

 

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