Escola sem Partido ataca outra vez

Escola sem Partido ataca outra vez

Escola Sem (O Teu) Partido ataca outra vez

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Escola Sem (O Teu) Partido ataca outra vezLeituras obrigatórias do vestibular da UFRGS em destaque na
livraria Gato Preto | Foto: Acervo pessoal

 

A turma do Escola Sem Partido não sossega. O mais recente movimento por esses pagos foi a tentativa de proibir a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) de exigir leituras obrigatórias no vestibular. O grupo pediu à universidade que enviasse as justificativas das obras escolhidas. Recebeu como resposta que a instituição tem autonomia didático-científica garantida pela Constituição Federal.

Podia ter encerrado a discussão aí, mas como uma instituição de ensino, a UFRGS teve a generosidade de tentar ensinar algo para seus críticos, acrescentando que “não há motivação específica para a escolha de cada obra, se não a manutenção da variedade de gêneros e períodos literários da lista”.

Bastou para a Associação Escola Sem Partido ingressar com a ação civil pública contra a universidade, alegando “indício de uma discricionariedade viciada, maculada por capricho ideológico, militância política, simpatias pessoais ou favorecimento de terceiros”. A mesma ladainha de sempre, sobre impor uma visão de mundo – que não é a deles –, neste caso, aos vestibulandos.

É um entendimento no mínimo muito pobre do potencial da literatura e da educação. Uma visão que subestima o senso crítico de leitores e leitoras.

Como destacou a juíza Paula Beck Bohn, da 2ª Vara Federal de Porto Alegre, a leitura é um instrumento que estimula o pensamento crítico e a reflexão, e a escolha das obras não impõe aos candidatos a adesão a qualquer ideologia ou doutrina. Além disso, a magistrada teve de explicar o óbvio: trata-se de prerrogativa da instituição avaliar a capacidade de interpretação e compreensão textual dos estudantes.

Bohn negou o pedido, mas cabe recurso. Ou seja, o poder judiciário ainda vai ter que perder mais tempo com esse tipo de coisa.

Era só o que faltava. Uma universidade federal, entre as melhores do país, reconhecida internacionalmente, ter que passar pelo crivo de uma gente que brada pela liberdade, mas só propõe censura, como ocorreu em Alagoas, uns anos atrás. Uma lei estadual instituiu o programa Escola Livre que, ao contrário do que sugere o nome, queria proibir as escolas da rede pública de falarem sobre questões de gênero e sexualidade. Em 2016, o Superior Tribunal Federal julgou a lei estadual inconstitucional, assim como outras semelhantes aprovadas em municípios do Paraná e de Tocantins. 

Mas não adiantou. O que essa turma quer mesmo é impor o partido deles, ou melhor, a sua ideologia – conservadora e tacanha. Podiam ao menos ter a honestidade de trocar o nome da associação para Escola Sem O Teu Partido. 


FONTE:

https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/colunistas-matinal/tudo-e-genero/escola-sem-o-teu-partido-ataca-outra-vez/




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