Escrever em redes sociais

Escrever em redes sociais


Thomas de Toledo

Tem horas que dá vontade de parar de escrever em redes sociais. Não por desânimo mas por pura constatação de que a burrice coletiva chegou num nível que tomou uma proporção irreversível. Os burros estufam o peito e se orgulham da burrice!

Incrível como pessoas acreditam em propaganda de guerra de país imperialista. Como se deixam levar por discursos rasos e simplificadores. Dá um trabalho imenso fazer um textão fundamentado. Mas depois precisamos responder cada argumento idiota, cada cópia e colagem de "opinião" forjada para defender tudo o que está aí. Gente achando que argumentos rasos, totalmente ideológicos, substituem décadas de estudos.

O pior nem é isso. O pior é ver que cada vez mais as pessoas são binárias. Ninguém aceita degradês, matizações ou compreensão mais dialética e menos maniqueístas dos fenômenos históricos. Se o sujeito votou no Bolsonaro porque queria comprar um revólver, tem que beber cloroquina, senão é um traidor do mito. O lulista não aceita crítica nenhuma aos erros do governo como se Dom Sebastião fosse infalível.

Escrever em redes me tirou muito mais do que me deu. Me tirou empregos, oportunidades e possibilidades. Poderia estar rico se ficasse quieto aproveitando da situação, mas não. Essa maldita coceira de falar, gritar ao mundo o que vejo de errado só me prejudicou. Tô aqui vendendo o almoço pra garantir a janta enquanto sete bilionários têm metade da riqueza mundial.

Isso nem era pra ser desabafo mas virou. O fato é que estamos retorcendo enquanto civilização. Os aplausos que recebem genocídios, rupturas do direito internacional, violação de soberanias e massacres, são justificados por ideologia. Isso cansa. Hoje em dia ninguém mais se preocupa com crianças morrendo em bombardeios, mas vão aos prantos por causa de um único cachorro, ignorando que bombas matam milhares de cães e gatos.

É tanta ideologia inútil que emergiu dos esgotos nós últimos tempos, que dá um cansaço de argumentar. Monarquista em pleno século XXI? Pobretão falando em anarcocapitalismo como se ele fosse dono de uma bigtech? Brasileiro defendendo a política imigratória de Trump só por ideologia? E essa crentaiada neopenteca querendo transformar o Brasil num Afeganistão evangélico é a síntese dessa ignorância! Estão aí as igrejas de parede preta pra mostrar que religião virou shopping center. O "deus" virou uma mercadoria lucrativa e há quem ache que isso é espiritual.

Isso sem contar esses delírios de olavismo, bolsonarismo, trumpismo e aqueles que gostam do bigodinho curto aplaudindo o sionismo. O que em tese deveria ser uma contradição, é a sina do nosso tempo. Um tempo em que até as conversas entre um namorado e uma namorada são feitas por consultas no chatgpt.

Professor pra que? Se tem ZAP ZAP dos "tiozão do churrasco" e militar pra escrever errado na lousa? A minha profissão de professor é hoje a pior profissão no Brasil. Não ganha nada, não tem respeito, não tem prestígio e ainda é desacreditada por quem viu um vídeo no YouTube.

Ninguém mais interpreta texto e qualquer falastrão falando em nome de "deus" leva uma multidão a se achar legionário. Aí vemos homem arrastando mulher pelo carro e mulher de máscara torturando homem. A feminista passando pano pra esquartejadora e o machista justificando feminicidios. Vai tentar debater e te mandam calar a boca porque você não tem "lugar de fala".

A sociedade doente está emburrecendo a tal ponto que a tal geração Z prefere se vestir e fingir que é animal em vez de humano. Estão aí as redes sociais e os streamings dizendo o que você deve ver, assistir e como se comportar. Todo mundo sendo controlado e achando que postar um comentário racista é sinônimo de liberdade.

Que mundinho de bosta está virando esse século XXI, no qual ser rebelde é ser conservador. Ainda bem que vivi um pouco do mundo antigo porque esse que está vindo aí... Quase nada se salva.

FONTE:

https://www.facebook.com/thomasdetoledo33?locale=pt_BR 




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