Existe cristofascismo?

Quando a gente vê lideranças evangélicas de ponta falando que "evangélicos são perseguidos" aqui no Brasil, podem ter certeza que se trata de golpe.Sim, porque eles querem ter algum argumento, por mais cínico e mentiroso que seja, pra passarem de vítimas diante de qualquer crítica às falas e obras absolutamente reprováveis vindas deles.
Dessa narrativa MENTIROSA de que são perseguidos, vem a expressão “cristofobia” que tem sido usada por setores do fundamentalismo religioso como uma ferramenta de manipulação política. E a ideia é simples: transformar o grupo social mais poderoso do país em suposta vítima de perseguição. No Brasil, isso não encontra qualquer respaldo na realidade.
'Cristofobia' no Brasil, a mentira que não quer calar – CartaCapital https://share.google/Z6BzUvzTmCC35e0u2
O Brasil é um país profundamente cristão. Igrejas ocupam rádio, televisão e redes sociais; líderes religiosos elegem bancadas inteiras no Congresso Nacional; pastores influenciam decisões sobre educação, saúde, direitos reprodutivos e políticas públicas; símbolos cristãos estão espalhados por praticamente todas as instituições do Estado. Até sessões do Congresso, das Câmaras de vereadores são palco de cultos evangélicos, o tempo todo.
O que mais precisa ser dito diante disso?
Em suma, o cristianismo não é um grupo marginalizado no Brasil, mas sim uma das principais forças de poder cultural, econômico e político.
O que diabos querem mais?
Ora, querem TUDO! É só isso mesmo.
E ai ai ai se alguém disser um A ou um B denunciando os abusos cometidos pelas lideranças político-evangélicas, o chororô de perseguição começa!
E ameaçam a democracia! Se julgam e querem ser intocáveis.
Quando alguém afirma que evangélicos estão sendo perseguidos, geralmente está se referindo a críticas públicas a pastores, igrejas ou agendas políticas conservadoras. Mas ENTENDAM, crítica não é perseguição!
ELES TAMBÉM NÃO CRITICAM TUDO E TODOS?
Não apontam o dedo acusador púlpito abaixo, colando pecados nos outros à torto e à direito? Ninguém presta, só eles!
Ninguém tem direito a viver sua espiritualidade, só eles!
Ninguém merece Deus, só eles!
É ou não é?
Sabiam que em uma sociedade democrática, qualquer instituição que acumula poder deve estar sujeita ao escrutínio público? Sabiam que questionar abusos, fraudes, discursos de ódio ou tentativas de impor doutrinas religiosas ao conjunto da sociedade é parte do debate democrático?
Mas há liderança evangélica aí comparando críticas voltadas ao grupo religioso deles a nazismo!
A comparação com o Holocausto é historicamente bem equivocada. Eu diria até que extremamente desrespeitosa! O regime da Alemanha Nazista perseguiu minorias consideradas inimigas do Estado, resultando em extermínio em escala industrial. No Brasil, igrejas evangélicas crescem continuamente, possuem ampla liberdade religiosa e exercem influência direta sobre o Estado. Não há qualquer base factual para afirmar que evangélicos correm risco de sofrer algo semelhante.
Eles se colocam como minoria perseguida quando lhes convém, em clara má intenção.
Nos Estados Unidos, o discurso da “perseguição aos cristãos” também é amplamente utilizado por setores do nacionalismo cristão. Mesmo sendo maioria religiosa e contando com forte presença em partidos, tribunais, mídia e organizações privadas, esses grupos se lamentam, de forma mentirosa, da perda de privilégios por conta da ampliação de direitos de mulheres, pessoas LGBTQIA+ e minorias religiosas como se isso fosse ataque à fé cristã!
Eles nunca perderam nada, pelo contrário! Acabaram inclusive elegendo Donald Trump, que tem desmontado de forma assustadora, preocupante, políticas públicas de proteção às minorias de fato citadas acima.
Pesquisadores como Katherine Stewart e Kristin Kobes Du Mez mostram como essa narrativa serve para mobilizar eleitores e consolidar poder político.
“Cristofobia”, portanto, é um termo usado para sugerir que cristãos estariam sendo silenciados quando, na prática, continuam desfrutando de ampla liberdade e influência. Em muitos contextos, a palavra funciona como estratégia retórica para deslegitimar críticas e reforçar sentimentos de ameaça entre fiéis.
Já “cristofascismo” é um conceito utilizado por teólogos e estudiosos para descrever a fusão entre linguagem cristã e projetos autoritários. O termo foi popularizado por Dorothee Sölle para denunciar o uso da religião como justificativa para obediência cega, perseguição a dissidentes e sacralização do poder. Nesse modelo, líderes políticos são tratados como escolhidos por Deus, adversários são demonizados e direitos civis passam a ser vistos como obstáculos morais.
No Brasil, essa lógica é evidenciada quando lideranças religiosas apresentam políticos como instrumentos divinos; tratam opositores como inimigos de Deus; difundem desinformação e teorias conspiratórias; defendem censura e restrição de direitos; confundem interesses partidários com mandamentos religiosos...
Nos Estados Unidos, o nacionalismo cristão busca definir a nação como essencialmente cristã e sustenta a ideia de que o Estado deve refletir uma interpretação religiosa específica da moral e da cidadania.
Cristofascismo – Wikipédia, a enciclopédia livre https://share.google/mkL780GIkjKWEyzP5
Precisa dizer que estamos vivendo isso e avançando dia a dia, cada vez mais, nesse projeto?
Precisa?
Em síntese, não evidência cabível nenhuma de perseguição sistemática a evangélicos no Brasil. O que existe é um setor religioso altamente influente, em franca dominância, que, em determinados casos, utiliza o discurso de ameaça e de vitimização pra preservar privilégios e expandir poder político. O verdadeiro risco democrático é estabelecido quando a fé é instrumentalizada para justificar intolerância, concentração de poder e erosão de direitos fundamentais.
Abram o olho! As lideranças político-evangélicas acusam o outro, projetam no outro, o que elas fazem. É método!
E com isso formam exército de fiéis acrílicos que reproduzem a cantilena ideológica.
Abram o olho e se cuidem.
---
Gi Stadnicki
FONTE:





