Falta de servidores adoece e sobrecarrega

Falta de servidores adoece e sobrecarrega comunidade escolar no litoral do RS
Sobrecarga desumana! Não existem outros termos para descrever o que atravessa o corpo de funcionárias(os) e professoras(es) da EEEF Herlita Silveira Teixeira, em Cidreira. Em uma escola de tempo integral, que beira os 4.500 m² de área construída, em um grande terreno, apenas uma funcionária está disponível para a limpeza. Para as(os) quase 300 estudantes da instituição, somente três merendeiras são responsáveis pelas refeições servidas diariamente.
A situação foi constatada em visita feita pela coordenadora do Departamento de Funcionárias(os) de Escola do CPERS, Juçara Borges, pelo também diretor do Departamento, Leandro Wesz Parise, e pela diretora-geral do 13º Núcleo (Osório) do Sindicato, Marli Aparecida de Souza.
É grave o quadro apresentado no estabelecimento de ensino. No setor de limpeza, a escola já operava com um número baixo de funcionárias(os), eram apenas três servidoras(es) para um pátio grande e um fluxo intenso de alunas(os). Porém, agora, uma dessas pessoas está de férias e outra está afastada por motivos de saúde, deixando toda essa estrutura e carga de trabalho para somente uma única educadora.
Conforme relatado por Raquel Guedes, vice-diretora da EEEF Herlita Silveira Teixeira, o trabalho não poderia ser feito se não fosse todo o corpo de servidoras(es) se desdobrando para realizar as tarefas de limpeza.
Em um exercício rápido de imaginação, podemos constatar que a área da escola representa cerca de 60% de um campo de futebol, o que dá a dimensão do espaço que precisa ser mantido. Essa ideia de tamanho fica ainda mais assustadora quando, utilizando cálculos feitos com o auxílio de inteligência artificial, constatamos que o tempo estimado para varrer todo o lugar seria de aproximadamente três dias, tendo como base jornadas de trabalho de oito horas.
Na merenda, a história se repete. No início do ano eram sete trabalhadoras(es), mas com o encerramento do contrato com a empresa terceirizada, ficaram apenas quatro pessoas neste setor. Hoje, com mais um afastamento por motivos de saúde, todas as refeições do turno integral são preparadas por somente três cozinheiras(os) que, se não pudessem contar com o apoio do corpo docente, não seriam capazes de dar conta do trabalho.
A vice-diretora também relata que a região em que fica a escola é muito carente, fazendo com que a alimentação e a estrutura oferecidas sejam fundamentais na vida dessas(es) alunas(os). Ela conta ainda que, pelo acúmulo de funções, o corpo diretivo precisa permanecer após o expediente para cumprir tarefas burocráticas que, na sobrecarga do dia a dia, ficam para trás.
Para a diretora do CPERS, Juçara Borges, o resultado dessa falta de funcionárias(os) tem como consequência o adoecimento de quem fica sobrecarregada(o). “O governo propaga uma falácia de investir na educação, fala em pagar 14º salário, mas, enquanto isso, no chão da escola, quem está sendo sacrificado são os funcionários e demais educadores”, afirma.
A falta de servidoras(es) tem apenas uma solução, que o governador Eduardo Leite (PSD) se recusa a proporcionar: a realização de um concurso público amplo.
Por todo o estado, a história se repete, de cidade em cidade. São escolas que sofrem com empresas terceirizadas e seus contratos precários, com falta de educadoras(es) que se aposentam ou são afastadas(os) e não são repostas(os). Por essa razão, o CPERS continua defendendo a realização de concurso público como uma das prioridades de sua luta, pois sabemos que, sem educadoras(es), não se faz educação pública de qualidade!
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