Filmes abordagem aborto

Filmes abordagem aborto

Cine Educa, abordagem sobre o aborto

Segundo a Organização Mundial da Saúde cerca de 55 milhões de abortos ocorreram no mundo, entre 2010 e 2014, e 45% destes foram inseguros. No Brasil, apesar da subnotificação dos óbitos, os dados oficiais disponíveis permitem traçar um perfil das mulheres com maior risco de morrer por aborto. Essas são as mulheres de cor preta e as indígenas, de baixa escolaridade, com mais de 40 anos ou menos de 14. Esses grupos necessitam da atenção do Estado a fim de reduzir o risco da ocorrência de aborto quer seja espontâneo ou provocado. (Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext...

Ver mais: https://piaui.folha.uol.com.br/os-abortos-diarios-do-brasil/.

Cine Educa apresenta mais três filmes que tratam do tema em diversas partes do mundo e sob diferentes condições. Convido para curtirem a página e a publicação.

Filmes: NUNCA, RARAMENTE, ÀS VEZES, SEMPRE; 4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS e 24 SEMANAS – Pró-escolha x Pró-vida (parte 2).

O tempo de uma gestação está no cerne da decisão em torno da realização ou não de um aborto. Seja do ponto de vista do risco à vida da mulher como da ética em torno do tempo de formação do/a feto/criança. O objetivo aqui não é focar em questões políticas, mas nos dramas pessoais. Nada de visões maniqueístas superficiais já que os problemas enfrentados são muito mais profundos. No filme “Nunca, Raramente, às Vezes, Sempre”, nós temos um encontro entre a sutileza de seu desenrolar e a abordagem em torno de um tema profundamente explosivo. Adolescente, 17 anos, trabalhadora, introvertida e... grávida, procura realizar o aborto por considerar-se incapaz de cuidar de uma criança. Pelo menos esta é a justificativa. Não fica claro sobre o pai, pois este não é o foco da discussão, embora haja alguma insinuação sobre o abuso, o qual, transparece, estar muito mais próximo do que parece. O filme mostra a diferença entre as legislações dos estados norte-americanos, pois a protagonista mora na Pensilvânia (local em que atesta a gravidez de 10 semanas e passa por uma clínica onde é induzida a não realizar o aborto pela médica) e se desloca para Nova Iorque (após fracassada tentativa de um aborto por autoindução) acompanhada de sua prima, onde existem melhores condições para o procedimento (momento em que é revelado que está com 18 semanas e não 10) e sem o conhecimento necessário dos pais. Achei interessante como o sistema aparece de uma forma eficiente no amparo à mulher e sua decisão. A estranheza em torno do título está no questionário que a adolescente/mulher responde, quando através de suas respostas é confrontada com a realidade que a levou a definir-se pelo procedimento. Durante a narrativa temos o desajuste familiar, a cidade de Nova Iorque à noite, o machismo e o assédio, a amizade, as dificuldades financeiras durante a jornada e, claro, a inexorável determinação da adolescente em seguir até o fim no seu propósito.

O filme “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” nos transporta para a Romênia de Ceausescu, final da década de oitenta, pouco antes de sua queda. Duas amigas, estudantes de graduação que vivem numa república, buscam um quarto de hotel para a realização de um aborto clandestino a ser praticado por um médico (??) charlatão que além da “operação” e das vantagens financeiras ainda abusava sexualmente das mulheres. As cenas são chocantes, principalmente a que mostra o feto já expelido no chão do banheiro, bem como a que visualizamos o procedimento abortivo em uma das protagonistas. Tão terrível quanto o aborto é a aflição para se livrar da prova do crime (já que era ilegal), cuja recomendação era subir em um prédio e jogá-lo pela tubulação de lixo, pois levantaria menos suspeitas. Medo, angústia e a corrida contra o tempo tornam o filme um suspense também. O diretor nos apresenta um país já, praticamente, em ruínas, seja pela menção ao contrabando para aquisição de produtos ou através da paisagem decrépita, como a retratar a iminência do fim de um sistema que se desmoronaria no Leste Europeu, cujos diálogos em uma cena de jantar deixam a evidenciar. Disponível no YouTube.

O terceiro filme, “24 Semanas”, traz a dúvida sobre conceber ao mundo uma criança com Síndrome de Down e problemas cardíacos a serem superados somente com uma série de cirurgias sem certeza de sucesso. A protagonista é uma mulher de sucesso nos palcos da comédia, aguarda seu segundo filho e procede de acordo com todos os cuidados necessários para uma gravidez saudável. Porém, em um determinado exame é percebido que a criança possui esta condição especial e em outro os problemas cardíacos. A apreensão toma conta do casal e um dilema se instala: permitir a incerta sobrevivência da criança ou interromper a gravidez mesmo em um adiantado estado de formação do feto. Todas as cartas estão sobre a mesa; a posição do pai (que num determinado momento a acusa de privilegiar a carreira e o emprego em detrimento ao cuidado de uma criança que mereceria maior atenção), as opiniões de terceiros (mãe, principalmente, que a provoca a refletir sobre a situação), as manifestações de conhecidos(as); e aquilo que já havia se consolidado numa convicção (a de dar à luz) se transforma numa escolha de caráter moral (como a legitimidade de decidir sobre a vida ou a morte de um ser). Não há como julgar! Somente à mulher, numa decisão solitária, cabe a última palavra sobre a questão segundo a legislação na Alemanha. Contra o tempo, no limite das 24 semanas estabelecidas pela lei para as condições específicas do caso e, por fim, contando com o apoio e compreensão do marido, a protagonista opta, com toda a estrutura oferecida pelo Estado, pela interrupção da gravidez.

Caso desejem acessar a primeira parte de publicações sobre o tema vejam abaixo ou no link : https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=2337622243028046&id=198913820232243


Sinopses:

- NUNCA, RARAMENTE, ÀS VEZES, SEMPRE - Um retrato íntimo de duas adolescentes na zona rural da Pensilvânia. Diante de uma gravidez indesejada e da falta de apoio local, Autumn e sua prima Skylar embarcam em uma jornada até a cidade de Nova York. Direção: Eliza Hittman. 2020.

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- 4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS - Em 1987, nos últimos dias do comunismo, Otilia (Anamaria Marinca) e Gabita (Laura Vasiliu) dividem um quarto num dormitório estudantil. Elas são colegas de classe na universidade de uma pequena cidade romena. Gabita está grávida e o aborto é ilegal no país. Otilia aluga um quarto num hotel barato. Lá elas recebem um certo Sr. Bebe (Vlad Ivanov), chamado para resolver a questão. Mas, ao saber que Gabita está com a gravidez mais adiantada do que havia informado, Sr. Bebe aumenta as exigências para o serviço. Ele cobra um preço que as duas não estão preparadas para pagar. Direção: Cristian Mungiu. 2007.

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- 24 SEMANAS - O dilema de uma mulher que está grávida de seis meses e descobre que seu bebê foi diagnosticado com a Síndrome de Down e um problema no coração. Será que ela escolherá a opção de realizar um aborto? Como ela e seu marido saberão que a criança terá uma vida boa ou apenas sofrimento? No final, ela descobre que somente ela poderá tomar uma decisão. Direção: Anne Zohra Berrached. 2016.

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Filmes: O DESAFIO DA LEI; O SEGREDO DE VERA DRAKE e O PREÇO DE UMA ESCOLHA – Pró-escolha X pró-vida (Parte 1).

Duas notícias recentes nos levaram a gravitar em torno do tema sobre o aborto. Quem não lembra do caso da menina de 10 anos do Espírito Santo, vítima de estupro pelo próprio tio e que ganhou o noticiário nacional? Com autorização da Justiça, a criança garantiu o direito de interromper a gravidez, gerando protestos e dividindo a opinião pública. Outra notícia recente, foi a legalização do aborto na Argentina, aprovado pelo parlamento daquele país. O texto estabelece que as mulheres têm direito a interromper voluntariamente a gravidez até a 14ª semana de gestação.

Então, que tal promovermos a reflexão e o debate a partir de alguns filmes cujo foco se concentra nas argumentações tanto a favor como contrárias?

O filme “O Desafio da Lei” se baseia em um caso real, porém, pesquisando, percebe-se que os nomes são fictícios. Um juiz passa a substituir o anterior na Suprema Corte dos Estados Unidos quando este foi afastado por questões de saúde. Logo, passa de mero coadjuvante para personagem central em uma decisão sobre o direito da mulher ao aborto. Há pressão para uma decisão unânime (9 votos) no grupo de juízes pela condenação de uma mulher, afro-americana e ativista, que está apelando após condenação por aborto ilegal, segundo a lei do estado do Alabama, a qual considera a vida a partir da concepção. Desta forma, o crime é qualificado como doloso, podendo levar a pena de morte. Ouvindo ambos lados, tanto os defensores do direito da mulher (pró-escolha) como os contrários ao aborto (pró-vida), o juiz estabelece como critério o limite de 20 semanas para a legalização, entendendo como direito da mulher, usufruir de sua liberdade para decidir sobre o próprio corpo. O filme faz algumas provocações do tipo: quando um feto tem consciência da dor? Quando pensa? Um juiz vota conforme sua consciência ou é obrigado a ceder a conchavos políticos para chegar o mais próximo do que entenda a decisão correta? Opinião pública deve ser levada em consideração na hora de julgar um caso? Como cenário, a 14ª Emenda da constituição e o dilema sobre o que deve prevalecer sobre o quê.... a liberdade ou a vida? Alguns dados estatísticos são introduzidos, como: um aborto ocorre a cada 20 segundos nos EUA e, 1,5 milhão de mulheres abortam por ano.

Em “O Segredo de Vera Drake”, ambientado no início dos anos cinquenta na Inglaterra, temos o dilema entre o crime (já que o aborto era ilegal) e a ideia de estar ajudando as mulheres, segundo a concepção da protagonista principal, Vera Drake. Vera (em sua inocência?) não vê o crime, mas o ato humanitário. Usava o método de sucção para induzir o organismo a expelir o feto. Vera era prestativa, cuidadora de pessoas, empregada doméstica na casa de pessoas ricas e vivia para a família. Na sua ingenuidade era explorada por uma mulher que agenciava as “clientes”, cobrando, mas não repassando nada para Vera, da qual tirava vantagem. Uma a uma as mulheres iam passando pelas mãos de Vera: solteiras, prostitutas, mães com muitos filhos já (sem o consentimento do marido), negras (traz a questão racial para o filme), casadas com relações extraconjugais, enfim. O filme deixa explícito que o aborto é praticado tanto nas classes mais abastadas como nas mais humildes. A diferença é o preço cobrado e a disponibilidade de pagá-lo, o que poderia significar um procedimento comum ou a morte. Aliás, é a trágica consequência de uma operação que leva a descoberta, por parte da polícia, de suas ações clandestinas, sem o conhecimento de sua família. Os personagens do filme, ao longo do mesmo, através dos diálogos, vão levantando argumentos tanto de um lado (entendendo as realidades e defendendo a ação das mulheres que praticam o aborto) como de outro.

“O Preço de uma Escolha” se divide em três histórias em três tempos diferentes. A primeira se passa em 1952, quando o aborto era ilegal. Uma enfermeira engravida do irmão de seu marido, morto na guerra, quando em um momento de carência e fragilidade se entrega a este. Para evitar o escândalo ela busca alguém que faça o aborto. Porém, antes mesmo, a família do marido descobre (mas não fica sabendo que é do irmão) e a trata com preconceito. Ademais, manter a gravidez seria a perda do emprego. Através de indicações de quem poderia realizá-lo e do valor a ser cobrado, percebe-se que o aborto e a sua consecução, passa por critérios socioeconômicos, podendo estes determinarem se será bem-sucedido, ou não. Infelizmente, no caso, após processo realizado por um desconhecido em sua própria casa, o caso termina em uma hemorragia profunda levando a morte. A segunda história ocorre em 1974. Mulher casada, mãe de quatro filhos totalmente dependentes dela e centro de todas as atividades domésticas da casa, ao ficar grávida, cogita do aborto junto a uma amiga, o qual, neste momento, já é legal nos EUA. Mais um filho significaria mais despesas e sacrifícios dos irmãos e irmãs, além do seu próprio, pois tinha voltado a estudar, interrompendo assim um de seus sonhos. A protagonista não imaginava engravidar devido a sua idade avançada. Ao debater com seu marido, acabam por decidir manter a gravidez. Terceira e última história é mais atualizada, 1996, e traz uma universitária, grávida de seu professor, casado, cuja única alternativa lhe parece ser o aborto, para o qual recebe dinheiro do mesmo. A amiga faz o papel da objeção argumentando em torno da vida e a possibilidade de doação (inclusive discutida do ponto de vista racial) posteriormente. Enquanto a dúvida persiste (origem numa família tradicional, católica, a qual não queria decepcionar) chega-se a 10 semanas de gravidez. Então, opta por uma clínica credenciada. Na frente da mesma temos religiosos fundamentalistas que contestam a legalização e grupos pró-escolha defendendo o direito da mulher. Embora legal e com o amparo jurídico, estas clínicas e seus profissionais são perseguidos com ameaças de morte e até assassinatos de médicos (vide documentário Roe X Wade na NETFLIX). No dia em que a protagonista vai realizar a cirurgia, o conflito do lado de fora se acirra e um intruso fanático invade a clínica matando a tiros a médica que fazia o procedimento, sendo que a mesma já havia sofrido perseguição, inclusive dos filhos, pois é como agem estes grupos. O filme, parece ser premonitório para casos futuros de assassinatos de médicos nos EUA e fechamento de clínicas devido a ações violentas destes grupos sectários.

Sinopses:

- O DESAFIO DA LEI - Recentemente nomeado pelo presidente para assumir uma vaga na Corte Suprema dos Estados Unidos, composta por nove membros, o advogado Joe Kirkland (Andy Garcia) se vê em um dilema dos grandes. O primeiro caso em que atuará ao lado dos outros oito Ministros do mais alto Tribunal americano é o de Virginia Mapes, julgada por ter cometido um aborto, prática considerada crime de homicídio no estado de Alabama e cuja decisão divide a Corte em facções opostas. Direção: David Anspaugh. 1999.

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- O SEGREDO DE VERA DRAKE - Nos anos 1950, na Inglaterra, a dona de casa Vera Drake, sem o conhecimento da família e dos amigos, pratica abortos nas mulheres de sua região. Quando as autoridades descobrem suas atividades ilegais, ela enfrenta críticas e problemas com a lei. Diretor: Mike Leigh. 2004.

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- O PREÇO DE UMA ESCOLHA - O aborto é o tema comum de três histórias passadas em diferentes ocasiões: em 1952, jovem viúva recorre ao aborto quando fica grávida do cunhado, meses após a morte do marido; em 1974, família decide se a mãe, que já tem 4 filhos, deve dar à luz o quinto; e nos anos 1990, jovem que engravidou de professor chega à clínica em meio a uma manifestação de consequências trágicas. Direção: Cher e Nancy Savoca. 1996.

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