Heróis da Guerra Santa?

A verdade tem que ser dita.
Porque é nauseante ver nestas redes sociais pessoas que só conseguem enxergar o mundo com visão religiosa defendendo, enaltecendo ataques imperialistas impiedosos, ignorando totalmente as reais motivações* e idolatrando figuras nojentas como Donald Trump e Benjamin Netanyahu, crendo que o que tá se desenrolando é algo de origem divina...
Algo resultante da vontade do deus cristão...
E se essas pessoas assim pensam, é porque a manipulação ideológica estadunidense logrou total êxito, feita por meio de lideranças principalmente do movimento evangélico, que é o tentáculo mais popular deles por aqui...
E mesmo que não se entendam como evangélicas, porque afinal de contas a realidade é bem mais complexa que isso, muitas pessoas reproduzem simplesmente o senso comum que é pautado pela idéia de que "os EUA são superiores a tudo e todos", "Trump é o justiceiro ocidental branco enviado pelo deus cristão", "o Israel atual é o Israel bíblico" e os países invadidos, "ditaduras implacáveis a serem higienizadas por esses dois aí"...
Logo por quem...
dois aí"...
Esses são pontos-chave da doutrinação cristã atual, importada dos EUA.
São muitas camadas de equívoco histórico compondo uma visão geopolítica irreflexiva, arrogante, inconsequente.
Quando líderes políticos recorrem à linguagem religiosa para justificar ataques militares, como Trump fez em seu comunicado nas redes sobre a morte de Ali Khamenei, não é nada sobre fé, mas sim sobre uma estratégia já bem antiga: transformar dominação política violenta em cruzada moral.
É quando a guerra não se limita a disputa geopolítica concreta e passa a ser apresentada como destino profético, missão civilizatória, vontade divina...
Nesse momento, o debate político já morreu porque quem questiona passa a ser tratado como inimigo do bem, da ordem, da paz e do próprio Deus...
O discurso que acompanha ataques militares no Oriente Médio revela exatamente essa lógica: apelo moral, retórica messiânica e uma narrativa binária maniqueísta onde um lado representa a “ paz e salvação” e o outro a “barbárie”...
E o lado que é visto como baluarte da "paz e salvação" não representa nenhum ideal de justiça de fato, carrega apenas o peso do mito que o legitima.
Se a violência é sacralizada, acaba se tornando aceitável.
O assassinato de civis ~especialmente de crianças~ torna-se então um efeito colateral invisibilizado por palavras como “democracia”, “defesa” ou “liberdade”...
Tudo, as piores atrocidades, são totalmente justificáveis porque estão "libertando um povo oprimido"...
Besta de quem acredita. TUDO É POR PODER, por estar no topo, é tudo sobre impor a vontade sem admitir contestação.
Quem ousar se defender, vira terrorista.
Quem ousar algum movimento de autonomia, é taxado de ditador.
E povo algum importa pra esses caras, nem mesmo o povo deles.
O vocabulário "humanitário" hipócrita acaba funcionando como uma anestesia ética: não se fala em corpos tombados, fala-se em estabilidade; não se fala em dor, sofrimento e desespero, fala-se em estratégia; não se fala em poder, poder, poder, poder... fala-se em valores cristãos...
Perversidade absoluta.
Canalhice extrema.
Essa fusão entre política externa e imaginário religioso apocalíptico não é à toa. Sistemas messiânicos dependem permanentemente da sensação de ameaça. O caos não é apenas consequência da guerra, ele é condição indispensável pra existência do próprio discurso que legitima líderes e projetos de poder. Sem um inimigo absoluto, não há salvador. Sem crise permanente, não há autoridade incontestável.
Entendem porque eles não param?
Porque não descansam de espalhar terror?
Escatologia apocalíptica é meuzovário...
Assim, a geopolítica deixa de operar apenas por interesses materiais e passa a funcionar também como teologia política: conflitos, ataques, guerras são narrados como batalhas entre o bem e o mal, e Estados se apresentam como instrumentos de redenção histórica. A guerra é ritual, o bombardeio é liturgia e a morte, sacrifício necessário para sustentar uma narrativa civilizacional...
E de cima dos púlpitos, a palavra-sentença é:
Tudo é "espiritual"...
Tudo é "batalha espiritual"...
É o uso da religião como tecnologia de poder.
Quando governos se colocam como representantes do “povo escolhido”, toda violência é defensável, porque deixa de ser vista como escolha humana e passa a ser interpretada como inevitabilidade sagrada.
E esse é o ponto mais perigoso: quando a política é messiânica, a tão falada paz não é o objetivo. Afinal, estabelecer paz desmontaria as profecias, dissolveria os inimigos e retiraria dos líderes o monopólio do medo...
Deuzulivre de paz então!
Paz, jamais.
Sem a indústria do medo, não tem pra quê prometer salvação.
Sem guerra, não há necessidade da crença em messias políticos.
Bora acordar...
Independente dos problemas do governo iraniano, independente da insatisfação do povo iraniano com seus políticos - o que é comum, nada justifica o ataque de Israel e EUA. Não é sobre justiça, não é sobre salvação, não é sobre libertação - estamos lidando com a promoção da demonização de certos países como licença pra que os planos de domínio político-econômico de Netanyahu e Trump prosperem e seus crimes sejam minimizados pela opinião pública.
E a galera batendo palma pra maluco dançar.
Animadíssima.
Cena patética.
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Gi Stadnicki
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*SOBRE AS REAIS MOTIVAÇÕES:





