Investigado por fraudes em diplomas

Investigado por fraudes em diplomas

Justiça do Paraguai decreta prisão de brasileiro investigado por fraudes em diplomas 

O gaúcho Ismael Fenner, investigado por estelionato e falsificação estava sendo considerado foragido; o Ministério Público paraguaio realizou duas operações contra organizações ligadas a ele em uma semana

Por Marcelo Menna Barreto  Publicado em 29 de julho de 2026
Justiça do Paraguai decreta prisão de brasileiro investigado por fraude em diplomas

Uma semana após operação em hotel, MP-PY fez busca e apreensão em prédio ligado à organização comandada por Ismael Fenner, que teve pedido de prisão domiciliar decretado pela Justiça paraguaia
Foto: Ministério Público do Paraguai

 

O gaúcho Ismael Fenner, natural de Taquara, teve prisão domiciliar decretada na terça-feira, 28, pela Justiça do Paraguai. Responsável pela Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FICS), ele reside há décadas em Assunção e é investigado pelo Ministério Público daquele país (MP-PY) por estelionato e produção de documentos não autênticos. No direito penal paraguaio, a falsificação de documentos tem abrangência mais ampla e reúne condutas que normalmente são distribuídas entre os crimes de falsificação pública e privada e de uso de documentos fraudulentos.

Aldo Cantero, promotor público da República do Paraguai, considerava Fenner foragido desde o último dia 16. Naquela data, Cantero coordenou uma operação do MP-PY e da Polícia Nacional do Paraguai no Hotel Crowne Plaza Assunción, que interrompeu um evento promovido pela organização de Fenner com cerca de 100 estudantes de diversas regiões do Brasil.

Fenner se apresentou à Justiça para participar da audiência de custódia agendada pelo Juizado Penal de Garantias nº 11 da Capital, em Assunção. Ao final da sessão, o juiz Yoan Paul López acolheu as acusações do MP-PY, mas substituiu o pedido de prisão preventiva pela prisão domiciliar.

 

Justiça do Paraguai decreta prisão de brasileiro investigado por fraudes em diplomas

O Juiz Yoan Paul López (foto) determinou a prisão domiciliar de Ismael Fenner,
dono da FICS. Foto: Corte Suprema de Justiça/PY

 

Na decisão, López determinou que o brasileiro fosse conduzido sob custódia até o endereço informado por sua defesa, em Villa Elisa, na região metropolitana de Assunção. Fenner deverá permanecer no local em prisão domiciliar, sob fiscalização da Polícia Nacional.

 

Justiça do Paraguai decreta prisão de brasileiro investigado por fraudes em diplomas

Agentes do MP-PY apreenderam documentos e equipamentos para serem periciados
Foto: Ministério Público do Paraguai

 

Além da restrição de liberdade, Fenner está proibido de deixar o Paraguai e de mudar de residência sem autorização judicial. O magistrado também estabeleceu prazo de 20 dias para a apresentação de uma garantia patrimonial de 1 bilhão de guaranis, cerca de R$ 800 mil na cotação atual, para assegurar o cumprimento das medidas cautelares impostas durante o andamento da investigação.

A prisão domiciliar de Fenner não tem prazo definido. A medida cautelar permanecerá em vigor até nova decisão da Justiça paraguaia, que poderá mantê-la, substituí-la ou revogá-la durante a investigação contra ele e outras pessoas associadas.

Duas operações em uma semana

Uma semana após a operação conduzida por Aldo Cantero no Hotel Crowne Plaza, o MP-PY realizou uma nova ação contra organizações ligadas a Fenner. Desta vez, em um prédio que utilizava o nome do Instituto Superior Interamericano de Ciências Sociais (ISICS), na capital paraguaia.

A diligência foi conduzida pela promotora Yrides Ávila, da Unidade Especializada de Propriedade Intelectual, e fez parte de uma investigação sobre possível violação da Lei de Marcas por Fenner e seu grupo, em uma disputa com a empresa que administra oficialmente a instituição, segundo o Ministério da Educação e Ciências e o Conselho Nacional de Educação Superior do Paraguai.

Assim como na operação no Crowne Plaza, agentes do MP-PY apreenderam documentos e equipamentos para a realização de perícias. Chamou a atenção da promotora Yrides Ávila o fato de o material didático estar todo impresso em português e de os estudantes serem, em sua maioria, brasileiros.

Entenda o caso

Desde agosto de 2025, o Extra Classe produz a série investigativa Fábrica de Diplomas, que vem revelando um esquema transnacional de comercialização e reconhecimento irregular de títulos acadêmicos.

Ao longo das reportagens, a investigação identificou indícios de atuação de instituições supostamente estrangeiras sem autorização para ofertar mestrados e doutorados, uso de documentos falsos e revalidação de títulos suspeitos por universidades brasileiras na plataforma Carolina Bori, ferramenta do Ministério da Educação (MEC) para reconhecimento e revalidação de diplomas obtidos no exterior.

As revelações já provocaram providências de órgãos públicos brasileiros, incluindo o próprio MEC, e agora também são alvo de autoridades paraguaias.

FONTE:

https://www.extraclasse.org.br/educacao/2026/07/justica-do-paraguai-decreta-prisao-de-brasileiro-investigado-por-fraudes-em-diplomas/ 

 




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