Jovens brasileiros sem religião

Jovens brasileiros sem religião

 

 

"O número de adolescentes e jovens brasileiros sem religião cresceu significativamente, com um aumento de 41,9% na última década, evidenciando um afastamento das instituições religiosas, principalmente entre 14 e 24 anos. Esse grupo representa cerca de 9,3% da população total (Censo 2022), destacando-se homens, pardos e moradores do Sudeste. "

Já observaram isso né? Lógico! Mas por que será?

"O número de adolescentes brasileiros que se declaram sem religião cresceu 42% em pouco mais de uma década. É isso que revela uma pesquisa feita em parceria entre a Universidade Federal de São Paulo com a Universidade de São Paulo. Os dados foram apresentados pela colunista da BandNews FM, Mônica Bergamo.

O levantamento aponta que, em 2012, cerca de 14,3% dos jovens brasileiros, entre 14 e 17 anos, diziam não ter uma religião. Em 2023, o número passou para 20,3%. A mudança foi mais intensa do que no conjunto total da população, em que o número de pessoas sem religião subiu de 9% para 12%.

Mônica Bergamo aponta que os dados indicam a queda na importância que os adolescentes colocam na religião. Em 2012, cerca de 66% dos adolescentes afirmavam que a religião era algo “muito importante” nas vidas deles. O número caiu para 58%.

A colunista destaca que a pesquisa mostra também uma mudança no perfil religioso brasileiro. A proporção de católicos no Brasil caiu de 72% para 66%. Já os evangélicos cresceram, de 27% para 33%."

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Bom, a meu ver o número de jovens sem religião tem crescido porque a máscara caiu...

Consequências. Elas chegam.

Durante décadas, venderam a religião como espaço de acolhimento, sentido e verdade. Mas, o que uma geração inteira tá enxergando, vivenciando, e com cada vez menos paciência, é outra coisa bem diferente: instituições marcadas por controle, poder, contradição e, muita, mas muita violência psicológica envolvida.

Não se trata simplesmente de “perda de fé”, "distanciamento das coisas de deus", desinteresse pelo sagrado...

É mais profundo e racional.

Trata-se de recusa.

Recusa a estruturas que transformam espiritualidade em obediência imposta, brutal, cega.

Recusa a discursos que falam de amor enquanto regulam corpos, silenciam identidades e impõem culpa.

Recusa a lideranças que se dizem representantes do divino, mas operam como agentes políticos, econômicos e ideológicos.

Como eu disse acima, consequências.

Essa geração cresceu conectada, exposta a múltiplas visões de mundo, capaz de comparar narrativas, identificar incoerências e, principalmente, perceber que nenhuma instituição detém o monopólio da verdade...

O que antes era imposto como absoluto hoje é visto como construção histórica, narrativa e como instrumento de poder.

Culpa das redes?

Dessa vez não. Culpa dos donos da fé e dos seus sistemas. Somente deles.

E quando a religião se revela mais preocupada em influenciar eleições, controlar comportamentos e manter hierarquias do que em produzir cuidado real, ela deixa de fazer sentido. Não porque as pessoas deixaram de buscar sentido, não, essa busca faz parte de nós, mas porque passaram a rejeitar onde ele estava sendo artificialmente colocado.

Há também algo ainda mais profundo: uma ruptura com a lógica da culpa. Os mais jovens já não aceitam tão facilmente a ideia de que "nasceram errados", de que seus desejos precisam ser reprimidos, de que sua existência precisa ser constantemente vigiada por uma moral externa. E isso não é rebeldia vazia tampouco obra do demo, é um reposicionamento ético.

Obra do demo? Ô meu povo...

Isso aí tá colando cada vez menos, mesmo com o esforço insano das lideranças religiosas em continuar a cantar de galo na mente das pessoas.

Ao mesmo tempo, o que cresce não é apenas o "não crer em nada nem ninguém", mas novas formas de crer...

Espiritualidades mais livres, difusas, híbridas, ou mesmo o direito de não acreditar em nada nem ninguém mesmo, tem tido espaço bem interessante na busca por sentido dessa turma.

Isso porque, no fundo, o que está em jogo não é Deus . É a mediação. É quem se coloca entre o indivíduo e o sentido da vida...

Entre o indivíduo e a divindade.

Entre o indivíduo e ele mesmo.

O fenômeno, portanto, não revela extamente um vazio ou uma perdição, como muitos religiosos adoram pregar, revela um deslocamento.

Uma geração inteira tá dizendo, de forma cada vez mais clara: se a religião exige submissão cega a projetos de poder, ela não merece protagonismo, não merece permanecer como centro da vida das pessoas. Se ela opera como poder político opressor e alienante, será tratada exatamente como isso. E como todo poder, será questionada.

Será afrontada.

E talvez seja isso que mais incomoda.

Não o silêncio de quem deixou de crer,

mas a lucidez de quem começou a enxergar...

Porque se alastra.

E contagia.

Já tá acontecendo faz tempo, nenhum grande movimento de massas existe sem oposição crescente. O evangelicalismo político cresceu desenfreadamente...

E tudo tem consequências. Gera choques, impactos contrários.

O crescimento do evangelicalismo e de setores mais conservadores do catolicismo geraram impactos problemáticos não só pro social, mas pros próprios projetos de poder.

Os mais jovens querem autonomia, não cabresto.

Os mais velhos ainda não conseguiram se desvencilhar da idéia do cabresto como solução. Não querem enxergar que já não deu certo.

Paciência. Avança mundo.

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Gi Stadnicki

 

FONTE:

https://www.facebook.com/giovanna.stadnicki?locale=pt_BR




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