Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil




1.A PPP é a porta de entrada para a privatização total

A falácia do governo é tentar separar o que seria a "gestão da infraestrutura" da "gestão pedagógica". Uma vez que uma empresa privada assume a limpeza, a vigilância, a manutenção e os serviços administrativos da escola, ela passa a ter poder de barganha sobre o fluxo e o funcionamento da unidade. O próximo passo é a ingerência sobre o projeto pedagógico, a imposição de metas de produtividade atreladas a resultados e a precarização dos vínculos de trabalho, pois o lucro será a prioridade. Ou seja, a cartilha pseudo-pedagógica neoliberal. A parceria abre precedente para a entrega total da escola ao setor privado. A hipocrisia é tão grande que na semana de formação pedagógica online, promovida pela SEDUC, a primeira atividade colocava a escola pública como "comunidade de aprendizagem", para fazer de conta para os professores e professoras do estado todo, que este governo defende a gestão democrática. Precisamos mostrar para este governo quem faz a educação pública, quem está no dia a dia das comunidades escolares enfrentando toda sorte de problemas gerados por esse modelo econômico e social em putrefação que é o capitalismo. Absolutamente tudo na escola é pedagógico, se estamos em comunidades de aprendizagem!

2. A educação pública vale mais do que os lucros e as ações privadas!

O discurso da "economia" é um dos mais utilizados pelos defensores das PPPs, mas a realidade desmente essa promessa. O governo Leite pagará milhões todos os anos ao vencedor do leilão, ao longo de 25 anos. Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) aponta que o modelo proposto sairá mais caro para os cofres públicos do que a manutenção direta realizada pelo Estado. Isso porque as PPPs envolvem contratos de longo prazo com cláusulas de reajuste, remuneração garantida e custos de financiamento privado que poderiam ser assumidos diretamente pelo poder público com um custo muito menor. Em vez de investir recursos nas escolas, o estado se compromete a pagar por décadas a uma empresa privada, transferindo dinheiro público para o setor privado. Estima-se que o "parceiro privado" de Eduardo Leite receberá 93 milhões por ano, boa parte deste dinheiro público será lucro desta empresa, e assim, faltará para as 2240 escolas fora do programa. Escolas que ficarão ainda mais precárias. Por isso precisamos sair às ruas e gritar bem alto: Educação não é mercadoria! A educação pública vale mais do que os lucros e as ações privadas!

3. A PPP Destrói a Gestão Democrática das Escolas

Um dos princípios fundamentais da educação pública é a gestão democrática, que envolve a participação da comunidade escolar nas decisões sobre o cotidiano da escola. Com a entrada da iniciativa privada, essa relação muda completamente. As decisões sobre solicitação de funcionários, investimentos em infraestrutura, prioridades de manutenção e até mesmo o horário de uso dos espaços passam a ser definidas por critérios empresariais de rentabilidade, não pelas direções eleitas pelas comunidades escolares. A comunidade perde o poder de decisão sobre o espaço que ocupa, e a escola deixa de ser um território de construção coletiva para se tornar um "contrato" a ser cumprido. Onde ficam as "comunidades de aprendizagem" da formação da SEDUC? O abismo entre o que se fala e o que se faz nesse sentido é imenso. Leite já vem avançando na destruição da gestão democrática ao burocratizar o processo de eleição de diretores e avança assim na indicação de cima para baixo de interventores. As PPPs jogam ainda mais água nesse moinho antidemocrático de gestão escolar.

4. A PPP precariza as condições de trabalho

O modelo de terceirização traz consigo um rebaixamento generalizado das condições de trabalho. Os funcionários terceirizados que já atuam nas escolas estão submetidos a salários mais baixos, jornadas mais instáveis, menor proteção sindical e alta rotatividade, características comuns da terceirização. Essa precarização não afeta apenas os trabalhadores indiretos: toda a dinâmica escolar é impactada pela rotatividade de funcionários, pela falta de vínculo com a comunidade e pela fragmentação das equipes. Com empresas privadas administrando diretamente as escolas esse quadro que já existe de terceirização tende a piorar em nome dos interesses do lucro. A terceirização assim como a contratação temporária é uma forma de dividir a categoria dos educadores, enfraquecendo professores e funcionários de escola nas lutas em defesa dos seus direitos. Os governos aplicam a terceirização também para dificultar a mobilização dos trabalhadores. Daí a necessidade de unir as fileiras entre efetivos e contratados, erguendo a bandeira da efetivação dos terceirizados e contratados. Todos em uma só luta pela educação pública! É preciso exigir que a direção do cpers encampe esta luta pela unidade da categoria.

5. As PPPs representam a submissão da educação ao mercado financeiro

O leilão das escolas está marcado para ocorrer na B3, a bolsa de valores de São Paulo. Isso não é um detalhe burocrático, é um símbolo do que está em jogo. A educação pública, que deveria ser um direito social garantido pelo Estado, será leiloada no mesmo espaço onde se negociam ações, commodities e títulos da dívida pública. A partir do momento em que a gestão escolar se torna um ativo financeiro, os interesses dos acionistas e investidores passam a se sobrepor aos interesses dos estudantes e da comunidade. O lucro se sobrepõe à educação e a educação vira mercadoria. O que deveria ser um espaço de formação humana e emancipação se transforma em mais um negócio sujeito à lógica do lucro.

Diante desses motivos, fica claro que as PPPs de Eduardo Leite são um ataque brutal toda a população pobre e trabalhadora, trata-se de um projeto político de transferência da gestão pública para o setor privado. O edital está publicado, o leilão está marcado para 26 de junho na B3. A direção do CPERS precisa parar de apostar exclusivamente em estratégias institucionais e convocar a categoria para uma grande assembleia geral que debata um forte plano de luta com paralisações e ocupações que apontem para uma greve na educação. Estamos há um mês do congresso do CPERS, que vai ser em maio. As diversas correntes políticas que compõem o sindicato enviaram suas teses e estão se preparando para o congresso, mas frente a um ataque que ameaça toda a educação pública é preciso repensar inclusive o congresso. A luta contra a privatização da educação tem que ser prioridade e deve pautar este congresso. Inclusive se for preciso adiar o congresso para se construir a maior greve que este estado já viu em defesa da educação pública não podemos hesitar.

Façamos como os povos do Tapajós, que derrotaram o governo Lula na tentativa de privatizar os rios. Acreditemos na força da nossa organização e na disposição de luta da classe trabalhadora e das comunidades escolares ao nosso lado. Se não organizarmos a luta agora, teremos condições muito piores de lutar depois! Nenhuma escola a leilão!

Somos o Movimento Nossa Classe, uma agrupação de trabalhadores de vários setores que constrói o MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores) e impulsionamos a rede internacional Esquerda Diário aqui no Brasil. Estamos construindo este movimento na educação aqui no RS também, se você tem acordo com nossas reflexões e quer contribuir na construção de uma oposição de esquerda que faça diferença na luta de classes, entre em contato com a gente pelas redes sociais. Ou, @diegownunes no instagram.

 

FONTE:

http://esquerdadiario.com.br/5-motivos-para-lutar-contra-as-PPPs-de-Eduardo-Leite-na-educacao?amp=1&fbclid=IwY2xjawRcjTJ
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