Matemática da privatização da educação
Matemática da privatização da educação: economia e modernização? Ou lucro com dinheiro público e precarização?
O estado do RS tem 2320 escolas, de acordo com dados do portal do Estado do Rio Grande do Sul de 2025. São mais de 700 mil alunos. 98 destas escolas, se leiloadas em 26/6, serão administradas por uma empresa privada que receberá em torno de 93 milhões por ano durante 25 anos. Este valor representa ao menos 3 vezes mais do que o que é investido hoje nas escolas estaduais todos os anos. Quanto desse dinheiro público será lucro desta empresa privada? E quanto deste dinheiro público irá faltar para as outras escolas? A única forma de resistir a este ataque brutal à educação pública é nas ruas em grandes mobilizações! O CPERS-Sindicato e as entidades do movimento estudantil já tem um plano de luta?

O governo Leite só avança na entrega da administração das escolas para os seus parceiros privados lucrarem com dinheiro público porque não tem luta nas ruas. Leite está numa zona de conforto muito tranquila, sem uma greve que enfrente suas políticas desde 2019. Avança com sua propaganda neoliberal que usa muito as palavras “economia” e “modernização”, mas que matematicamente é impossível, uma mentira deslavada, pois visa uma verdadeira farra legalizada com o dinheiro público.
Ao mesmo tempo, a maior parte das escolas administradas pelas direções eleitas pelas comunidades ficarão ainda mais precárias. Receberão ainda menos recursos para sustentar o lucro de quem arrematar as 98 escolas. No horizonte está o fim total da gestão democrática da educação pública, a precarização ainda maior dos trabalhadores da educação, o adoecimento, demissões e fechamento de escolas públicas. Além disso, a educação pública virar um ativo na bolsa de valores coloca os interesses do lucro à frente de uma educação laica, que politize e produza senso crítico. Educação não é mercadoria!
A direção do CPERS-Sindicato, desde 2019-20 (quando após uma forte greve o plano de carreira dos servidores da educação foi atacado e se aprovou uma reforma da previdência estadual) já vinha atuando para frear a greve e tentar resolver tudo com manobras jurídicas e uma suposta pressão parlamentar. O objetivo desta atuação visava o desgaste político de um governo na tentativa de apostar nas próximas eleições. Nada mudou desde então, as mesmas correntes políticas se revezando na direção do sindicato dos professores gaúchos hoje apostam na mesma estratégia eleitoral, ao invés de organizar de fato a luta.
A guisa de informação, o CPERS é dirigido desde 2015 pelas mesmas correntes políticas do PT, PCdoB, PDT e mais recentemente correntes do PSOL. Correntes políticas dos mesmos partidos dirigem a UEE (União Estadual dos Estudantes) a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e a UNE (União Nacional dos Estudantes). Precisamos questionar essas entidades: qual é o plano de lutas para barrar a privatização da educação?
Todas as medidas institucionais são de suma importância, mas a história mostra que não bastam, é preciso organizar a luta em cada escola e comunidade, em cada um dos 42 núcleos do CPERS-Sindicato pelo estado todo para enfrentar esse que é um dos maiores ataques à educação pública, senão o maior de todos os tempos. A direção do CPERS tem se posicionado como se este fosse um problema somente das escolas que estão na lista de privatização. O último conselho geral encaminhou organizar uma mobilização em frente a uma dessas escolas, mas é muito importante que esta luta seja organizada à altura de um ataque que é dirigido a toda a educação pública do estado, não apenas a essas 98 escolas. É preciso organizar a mais ampla campanha midiática e de mobilização no estado todo para erguer a mais ampla luta contra a privatização das nossas escolas.
Cada funcionária de escola, cada servidor e servidora aposentada, que sofre com o congelamento do salário há 12 anos, cada professor e professora precisa se levantar e exigir do CPERS-Sindicato um plano de luta contundente. Um plano que unifique a nossa categoria para batalhar com um só punho contra o plano de privatização. Um plano que vá muito além de medidas institucionais e que leve a massa dos trabalhadores da educação para a frente do Palácio Piratini e para a SEDUC, até que Eduardo Leite cancele este leilão das escolas marcado para dia 26/6.
Os povos originários do Tapajós mostraram como se faz para barrar a privatização dos rios amazônicos. Ocuparam a maior empresa do agronegócio, a Cargill, e não arredaram o pé de lá até o governo Lula revogar o decreto que privatizaria os rios Madeira, Tocantins e Tapajós. Não há muito tempo, e, infelizmente, só podemos contar com as nossas próprias forças, para organizar cada comunidade e cada escola democraticamente em assembleias e pautar o que fazer para barrar a privatização da educação. Junte-se a nós do Movimento Nossa Classe e se torne uma voz a mais nessa luta!
FONTE:






